Velocidade das Reações

8 min de leituraQuímica

Você já refletiu sobre o ritmo das coisas ao seu redor? Uma explosão de fogos de artifício ilumina o céu em uma fração de segundo. 

Por outro lado, se você deixar um prego de ferro no quintal, ele levará semanas, talvez meses, para enferrujar completamente. 

E o petróleo? Esse levou milhões de anos para se formar sob a terra.

Todas essas transformações — a queima da pólvora, o apodrecimento da fruta, a formação da ferrugem e a origem do petróleo — são reações químicas. 

Mas por que algumas são tão absurdamente rápidas e outras tão incrivelmente lentas?

A resposta para essa pergunta está na Cinética Química. 

Basicamente, a cinética é o estudo da velocidade com que as reações acontecem e dos fatores que podemos ajustar para acelerá-las ou freá-las. 

E por que isso é importante? 

Fabricar um remédio ou um plástico mais rápido significa mais produção e menos custo. 

Na cozinha, saber como acelerar o cozimento de um alimento ou como retardar seu apodrecimento é pura cinética aplicada!

Então saber calcular a velocidade de uma reação é a maior relevância desse assunto. 

1. Velocidade de uma Reação: Uma Ideia Familiar

O conceito de "velocidade" não é novidade para ninguém. 

Se eu disser que viajei de uma cidade a outra a uma velocidade média de 80 km/h, você entende isso na hora. 

$Velocidade = \frac{\Delta d}{\Delta t}$

Na Química, a lógica é exatamente a mesma. Só que, em vez de um carro mudando de posição, temos substâncias se transformando. 

Os reagentes (nossos ingredientes iniciais) estão sendo consumidos, enquanto os produtos (o resultado da reação) estão sendo formados.

Então, a velocidade de uma reação química mede o quão rápido a quantidade de alguém muda com o passar do tempo.

Velocidade da Reação = $\frac{\text{Quantidade Consumida}}{\Delta t} = \frac{\text{Quantidade Produzida}}{\Delta t}$

Qual unidade faz sentido usar?

Imagine que estamos fazendo a mesma reação em dois recipientes: um frasco grande de 1 litro e um potinho de 100 mL. 

A reação é a mesma, então a "rapidez" dela deveria ser a mesma, concorda? 

Mas se medirmos a velocidade em "gramas por segundo", o frasco maior, que tem mais reagentes, vai consumir mais gramas por segundo. 

Teríamos duas velocidades diferentes para a mesma reação! Isso não parece certo.

Para resolver isso, os químicos se baseiam na concentração (que surpresa 😂😂).

A concentração é a mesma tanto no frasco grande quanto no potinho. Assim, podemos ter um valor de velocidade padrão para a reação.

Portanto, a unidade mais comum para a velocidade de uma reação é mol por litro por segundo (mol/L·s).

2. Calculando a Velocidade de Cada Composto

Para você calcular quanto de uma substância foi produzido ou consumido, basta você usar o princípio da estequiometria. 

Vamos ver como funciona na prática, com a seguinte reação:

A → 2 B

Digamos que, no início da reação (tempo = 0 s), a concentração de A era de 1,0 mol/L. Após 20 segundos, medimos de novo e a concentração de A caiu para 0,6 mol/L.

Qual foi a velocidade média de consumo de A nesse intervalo?

1.  Variação da concentração de A (Δ[A]):

[A] final – [A] inicial = 0,6 mol/L – 1,0 mol/L = -0,4 mol/L

2. Variação do tempo (Δt):

Tempo final – Tempo inicial = 20 s – 0 s = 20 s

3. Calcular a velocidade:

Velocidade = Δ[A] / Δt = (-0,4 mol/L) / 20 s = -0,02 mol/L·s

E a velocidade de formação de B? 

Como a proporção entre A e B é de 1 para 2, para cada 1 mol consumido de A, nós temos 2 mols de B formados. 

Então, se nós temos 0,4 mol/L de A sendo consumidos, nós temos 0,8 mol/L de B sendo formados. Se isso acontece em 20 s, então:

Velocidade de Formação de B =  (Δ[B] / Δt) = (0,8/20) = 0,04 mol/L·s.

Velocidade negativa?

Mas espera aí... uma velocidade negativa? Isso soa estranho. Velocidade é sempre um valor positivo. 

Por isso, por convenção, quando calculamos a velocidade a partir de um reagente (que está sendo consumido), 

nós colocamos um sinal de negativo na fórmula ou simplesmente pegamos o valor em módulo para garantir que o resultado seja positivo.

Velocidade de consumo de A = – (Δ[A] / Δt) = – (-0,02) = 0,02 mol/L·s.

Simples, não é? É praticamente uma regra de três: se 0,4 mol/L foram consumidos em 20 segundos, quantos seriam consumidos em 1 segundo?

Agora, para transformar em regra: você percebeu que a velocidade de B é o dobro da velocidade de A, já que a proporção estequiométrica é de 1:2?

Isso significa que, para saber a velocidade de todos os compostos da reação, basta você saber a velocidade de um deles e a proporção estequiométrica.

N₂(g) + 3 H₂(g) → 2 NH₃(g)

Se eu digo para você que a velocidade de consumo do N₂(g) é de 2 mol/L.s, qual a velocidade de consumo do H₂(g) e a de formação do NH₃(g)?

Se a proporção é de 1:3:2, a velocidade de consumo do H₂(g) é de 6 mol/L.s e a de formação do NH₃(g) é de 4 mol/L.s.

Moral da história, em uma reação

aA + bB → cC + dD

A regra simples é: $\frac{V_A}{a} = \frac{V_B}{b} = \frac{V_C}{c} = \frac{V_D}{d}$

3. Calculando a Velocidade Média ou Velocidade Global da Reação

Como cada composto químico de uma reação pode ter uma velocidade diferente, a depender da estequiometria,

seria interessante ter uma velocidade que representasse a reação como um todo.

E para isso, os químicos definiram a Velocidade Média ou Global de uma reação. 

Para encontrá-la, basta você dividir a velocidade de cada composto pelo seu coeficiente estequiométrico.

Então, a regra que usamos anteriormente segue do mesmo jeito!

Para a reação aA + bB → cC + dD

$V_{\text{reação}} = \frac{V_A}{a} = \frac{V_B}{b} = \frac{V_C}{c} = \frac{V_D}{d}$

4. Gráfico da Velocidade da Reação pelo Tempo

Até agora, nós aprendemos a calcular a velocidade média de uma reação, como a média de velocidade em uma viagem de carro. 

Geralmente, ela é máxima no início (quando há muitos reagentes para colidir) e vai diminuindo com o tempo.

Em um gráfico, ela tende a ser assim:

Se você quiser calcular a velocidade em um ponto específico, como no tempo t = 6,0 s, você precisará calcular a inclinação da curva no ponto.

Em outras palavras, você deve calcular a tangente do ângulo de inclinação da curva no ponto. 

Isso é MUITO específico, não costuma cair em provas e nem em vestibulares, mas fica de entendimento para os próximos tópicos. 

5. Exemplo

Vamos fechar o capítulo com um problema clássico que reúne tudo o que aprendemos. Analise com atenção!

A decomposição do pentóxido de dinitrogênio (N₂O₅) em fase gasosa ocorre segundo a equação:

2 N₂O₅(g) → 4 NO₂(g) + O₂(g)

Um químico monitorou a concentração do reagente N₂O₅ ao longo do tempo e construiu o gráfico abaixo.

Com base nos dados do gráfico, responda:

a) Qual a velocidade média de consumo do N₂O₅ no intervalo de 0 a 20 segundos?

b) Qual a velocidade média global da reação neste mesmo intervalo?

c) Qual a velocidade média de formação do gás oxigênio (O₂) neste mesmo intervalo?

Resolução Comentada

a) Velocidade de consumo do N₂O₅

Primeiro, vamos extrair os dados do gráfico para o N₂O₅:

Concentração inicial (t=0s): [N₂O₅] = 10 mol/L

Concentração final (t=20s): [N₂O₅] = 6 mol/L

Agora, calculamos a variação da concentração e do tempo:

Δ[N₂O₅] = [final] - [inicial] = 6 - 10 = - 4 mol/L

Δt = 20s - 0s = 20 s

Lembre-se que velocidade de reagente precisa do sinal negativo na frente para dar um resultado positivo!

V(N₂O₅) = - (Δ[N₂O₅] / Δt) = - (- 4 mol/L / 20 s)

V(N₂O₅) = 0,2 mol/L·s

b) Velocidade média global da reação

A velocidade global é a velocidade de qualquer um dos participantes dividida pelo seu coeficiente estequiométrico. 

Como já temos a velocidade do N₂O₅ (cujo coeficiente é 2), fica fácil:

V(reação) = V(N₂O₅) / 2

V(reação) = 0,2 / 2

V(reação) = 0,1 mol/L·s

c) Velocidade de formação do O₂

Agora que temos a velocidade global, podemos usá-la para achar a velocidade de qualquer outro participante. Queremos a do O₂, cujo coeficiente é 1.

V(reação) = V(O₂) / 1

0,1 = V(O₂) / 1

V(O₂) = 0,1 mol/L·s

Viu só? Com um dado do gráfico, conseguimos descrever a velocidade de toda a reação e de cada um dos seus participantes. 

Capítulo introdutório, bem simples, só regra de três. 

Daqui em diante, veremos a teoria da Cinética Química e as partes de cálculos mais chatinhas. 

Pra cima!!

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Velocidade das Reações. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
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Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.