Uma Terra que há pouco tempo foi chamada de Brasil

5 min de leituraHistória

1. A Carta de Pero Vaz de Caminha: O Primeiro Relato sobre o Brasil

Adivinha sob qual visão o "Brasil" foi apresentado ao mundo pela primeira vez.

Começa com "eu" e termina com "ropeia".

Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota, escreveu uma carta ao rei de Portugal relatando a chegada.

Ele descreveu a terra como "muito formosa", com um "ar tão suave" e "muita água".

Mas o que mais chamou atenção foram os habitantes: homens e mulheres nus, de pele avermelhada, que pareciam viver em harmonia com a natureza.

No entanto, algo essencial não foi encontrado de imediato: ouro e prata.

Diferente das colônias espanholas, onde os metais preciosos foram descobertos logo no início,

no Brasil os portugueses não acharam riquezas minerais à primeira vista.

E obviamente isso fez com que a terra fosse vista como um território de menor importância

e ficasse em segundo plano nos interesses da Coroa Portuguesa, que estava mais focada no lucrativo comércio com as Índias.

Mas essa história vai mudar quando os portugueses perderem o monopólio das rotas de comércio das Índias para países como a Espanha.

Aí sim eles vão começar a colonizar o Brasil de forma mais intensa, mas depois vou falar sobre isso.

Tenha calma!

2. Os Mitos Europeus sobre o Novo Mundo

Na época, os europeus estavam cheios de ideias sobre terras desconhecidas.

Você não pode esquecer que apesar de tudo, os europeus ainda tinham um imaginário pautado na religiosidade e na Idade Média.

Um mito interessante ligado à chegada ao Brasil é o da Terra de Canaã.

Alguns cronistas europeus viam o "Novo Mundo" como uma terra prometida, rica e abundante, comparando-a à Canaã bíblica.

Esse mito ajudou a alimentar a visão de que o Brasil era um lugar de oportunidades ilimitadas, pronto para ser explorado.

Dessa maneira, uns achavam que o Brasil poderia ser o paraíso terrestre, um lugar perfeito, sem pecado e cheio de riquezas.

Outros acreditavam que encontrariam monstros, gigantes ou povos bárbaros.

Essas visões extremistas e exageradas ajudaram a justificar a colonização, como se os indígenas precisassem ser "civilizados".

Moral da história: De um jeito ou de outro, os portugueses só precisavam de uma desculpa para colonizar este "Novo Mundo".

3. A Disputa pelo Nome do Brasil

O primeiro ponto de terra firme avistado pela frota foi um monte alto e arredondado, batizado de Monte Pascoal, já que estavam próximos da Páscoa.

E logo o território foi chamado de Terra de Santa Cruz, em referência à cruz erguida pelos portugueses ao chegarem.

Em referência aos indígenas que não seria.

Mas, com a exploração do pau-brasil, (já já vamos falar sobre ele)

o nome Brasil se popularizou.

Para a Coroa Portuguesa, a cruz representava o lado religioso da conquista;

para os comerciantes, o pau-brasil era o verdadeiro tesouro.

Esse atrito entre religião e comércio ainda seria muito comum e frequente.

(Sugestão de recurso visual: Representação de uma árvore de pau-brasil e um mapa mostrando a exploração da madeira.)

4. O "Achamento" ou a Invasão?

Correndo o risco de ser repetitiva, também já falei sobre isso.

Durante séculos, se ensinou que o Brasil foi "descoberto" em 1500.

Hoje, sabemos que a palavra mais correta seria "achamento", usada pelo próprio Caminha.

Mas será que foi apenas um achamento?

Do ponto de vista dos povos indígenas, não foi uma descoberta, mas sim o início de uma invasão que mudaria para sempre suas vidas e suas terras.

Momento Reflexão: A violência simbólica segundo Pierre Bourdieu

O francês Pierre Bourdieu desenvolveu o conceito de violência simbólica

para explicar como um grupo dominante impõe sua cultura e visão de mundo aos dominados,

sem o uso explícito da força,

mas por meio da naturalização dessas ideias.

Foi exatamente isso que os portugueses fizeram com os povos indígenas do Brasil.

A imposição da língua portuguesa, da religião católica e dos costumes europeus não foi uma simples troca cultural,

mas um processo de apagamento das culturas indígenas.

5. Os Tratados Ibéricos

De forma geral, esses tratados foram feitos para estabelecer os limites entre as "terras portuguesas" e "terras espanholas" na América.

O Tratado de Toledo, assinado em 1480, no qual Portugal reconheceu o domínio espanhol sobre as Ilhas Canárias em troca do controle sobre o litoral da África Ocidental.

Esse tratado foi essencial para garantir que Portugal continuasse expandindo sua navegação pelo Atlântico.

Antes mesmo da chegada oficial dos portugueses ao Brasil, já existia um acordo dividindo as terras do Novo Mundo entre Portugal e Espanha.

Em 1493, vamos ter a Bula Inter Coetera.

A bula, assinada pelo Papa Alexandre VI, concedia, majoritariamente, à Espanha o domínio sobre as terras recém-descobertas no Atlântico.

Portugal, que também tinha interesse na expansão marítima, contestou a decisão.

O resultado foi o Tratado de Tordesilhas,

assinado em 1494, que estabelecia uma linha imaginária no meio do oceano Atlântico: um meridiano traçado à 370 léguas da Ilha de Cabo Verde.

As terras ao Leste dessa linha seriam de Portugal, enquanto as terras ao Oeste ficariam com a Espanha.

Na prática prática mesmo esse tratado nunca foi respeitado por outras potências europeias, como França, Holanda e Inglaterra,

que não aceitavam a ideia de que Portugal e Espanha pudessem simplesmente “dividir o mundo” entre si.

Moral da história: Já dizia o rei da França Francisco I

" O sol brilha para todos e desconheço a cláusula do testamento de Adão que dividiu o mundo entre os portugueses e espanhóis"

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Uma Terra que há pouco tempo foi chamada de Brasil. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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