Uma nova República, velhos problemas

8 min de leituraHistória

1. A República que começou sem povo

Quando a gente pensa em República, vem logo à cabeça ideias como democracia, igualdade, liberdade…

Mas será que foi isso que de fato aconteceu no Brasil quando a monarquia foi derrubada, lá em 1889?

Spoiler: não foi bem assim.

Vamos começar do começo.

A Proclamação da República não foi resultado de um grande movimento popular.

Nada de passeatas, manifestações nas ruas ou plebiscitos.

Como já discutimos, quem proclamou a República foi o Exército, liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, com apoio de parte da elite agrária e urbana.

E o povo? Só ficou sabendo depois.

Literalmente.

Daí quem vem aquela famosa frase: "E o povo assistiu a tudo bestializado" , do escritor e jornalista Araripe Júnior.

O novo regime prometia modernidade, progresso, um governo mais justo e cidadão.

Mas essa promessa esbarrou em uma realidade bem diferente:

A concentração de poder nas mãos de uma elite rural, principalmente dos grandes fazendeiros de café.

Ou seja: o rei saiu de cena, mas quem mandava de verdade continuava sendo o mesmo grupo de sempre.

Ou você realmente acreditou que seria tão fácil assim para o Brasil se tornar uma democracia plena?

Até os dias atuais a incolumidade do cidadão é ameaçada…

Lembra daquilo que apelidamos carinhosamente de mercantilização dos direitos sociais…

Bem, isso é assunto pra depois.

Mas fica a dica: É só você abrir o jornal!

(Inserir recurso visual: charge mostrando a transição da monarquia para a república com as mesmas figuras dominando o cenário político.)

2. A República nos moldes do Positivismo

Imagina que você quer construir um país perfeito.

O que você usaria de base?

Os positivistas, que eram uma galera que curtia muito as ciências,

acreditavam que a resposta era a ciência e a ordem.

Para eles, só a ciência podia nos levar ao progresso.

A ideia principal era a seguinte: um país só avança se tiver ordem.

Não pode ter bagunça, nem revoltas.

É preciso de um governo forte e centralizado para garantir essa ordem.

E, com a ordem estabelecida, aí sim a gente pode ter o progresso,

que é o avanço econômico, tecnológico e social.

Parece uma fórmula, né? Por isso o lema deles era "Ordem e Progresso".

No Brasil, os positivistas que mais se destacaram foram os militares.

Eles tinham uma visão bem clara: a Monarquia era um sistema antigo,

que não combinava com o progresso que eles queriam para o Brasil.

Para eles, a escravidão, a falta de industrialização

e a monarquia eram sinônimos de atraso.

Então, quando a República foi proclamada,

os militares (que estavam super alinhados com essas ideias) assumiram o poder.

Eles queriam que o Brasil se tornasse uma nação moderna e organizada,

como as potências europeias da época.

O objetivo era "colocar a casa em ordem" para depois o país poder se desenvolver.

3. O poder nas mãos dos coronéis

Esse novo regime ficou conhecido como República da Espada, porque foi dominado pelos militares nos seus primeiros anos.

Mas logo deu lugar à chamada República Oligárquica — um período marcado pelo domínio dos grandes fazendeiros, os famosos coronéis.

Os coronéis eram os donos da terra e também da política.

Eles controlavam tudo: quem podia se candidatar, quem podia votar e até como as pessoas votavam.

Surgiu aí o voto de cabresto, que era o voto controlado pelo coronel:

Ele decidia em quem seus “vassalos” iam votar e ponto final.

Em troca, oferecia favores, empregos ou proteção.

Um sistema de clientelismo puro.

Mas não se preocupe, ainda vamos falar muito sobre esse assunto.

Todo esse capítulo é puramente introdutório.

Por enquanto, vai sentindo o “clima” da pós independência…

(Inserir recurso visual: diagrama ilustrando o esquema do “coronelismo” — coronel, eleitores dependentes, troca de favores, influência no poder local.)

4. Cidadania limitada: quem podia votar?

Você talvez esteja pensando: “Ué, mas pelo menos agora todo mundo podia votar, né?”.

Infelizmente, não.

A nova República até acabou com o voto censitário, aquele que só permitia votar quem tivesse determinada renda.

Mas manteve a exigência do alfabetismo.

E só podiam votar homens com mais de 21 anos que soubessem ler e escrever.

Sabe o que isso significava na prática?

Que só cerca de 5 a 6% da população brasileira tinha o direito de votar.

Mulheres, analfabetos, negros recém-libertos, indígenas e pobres estavam todos fora da democracia.

(Inserir recurso visual: gráfico de pizza mostrando a proporção da população brasileira com direito ao voto no início da República.)

5. Reformar a cidade... expulsando o povo

Lá no início do século XX, o Rio de Janeiro — que era a capital do Brasil — passou por uma reforma urbana gigantesca, liderada pelo prefeito Pereira Passos.

A ideia era fazer a Belle Époque brasileira, baseada no modelo francês de arquitetura.

A ideia era modernizar a cidade: abrir avenidas, construir prédios em estilo europeu, instalar bondes elétricos e iluminar as ruas.

Mas isso teve um preço.

E claramente quem pagou foi justamente quem não tinha nada haver com isso.

Literalmente despejaram milhares de pessoas pobres que viviam nos cortiços do centro da cidade.

Essas famílias foram empurradas para os morros, onde começaram a surgir as primeiras favelas — como o Morro da Providência,

que recebeu esse nome em homenagem ao Morro da Favela, lá da Guerra de Canudos.

Guerra de canudos?

Sim, Guerra de Canudos.

Ainda vamos falar sobre ela.

Tenha paciência!

(Inserir recurso visual: mapa da cidade do Rio de Janeiro antes e depois da reforma urbana, mostrando a expulsão das populações dos cortiços.)

6. Um “progresso” racista

Durante esse período, havia um pensamento dominante entre as elites que se dizia “científico”, mas era profundamente racista: o determinismo racial.

Segundo essa ideia, negros, indígenas e mestiços eram inferiores por natureza — considerados atrasados, incapazes de se adaptar à modernidade.

Sim, você leu certo.

Essa teoria defendia que o Brasil só progrediria de verdade se “branqueasse” sua população,

incentivando a vinda de imigrantes europeus e, com o tempo, apagando a herança africana e indígena da população.

É nesse contexto que surgem falas como a do médico João Batista de Lacerda, no Congresso das Raças em Londres (1911),

dizendo que em cem anos os negros e mestiços desapareceriam do Brasil.

Imagina o impacto disso?

(Inserir recurso visual: citação em destaque do texto de João Batista de Lacerda com explicação do pensamento de branqueamento.)

7. A Abolição que não virou cidadania

A escravidão havia acabado oficialmente em 1888.

(Lembre de todos os “poréns” por trás dessa data, mas para facilitar nossa vida, e de todos os brasileiros, vamos tomar ela como verdade.)

Mas a liberdade não veio acompanhada de terra, escola, moradia ou emprego digno para os ex-escravizados.

Sem nenhum apoio do Estado, muitos acabaram marginalizados ou forçados a viver em condições precárias.

A sociedade queria “apagar” o passado escravocrata, como mostra até mesmo um trecho do Hino da República, que dizia:

“Nem cremos que escravos outrora / Tenha havido em tão nobre país...”

Como se a escravidão nunca tivesse existido.

(Inserir recurso visual: imagem de ex-escravizados e ex-escravizadas no período pós-abolição, com destaque para suas condições de vida.)

Você sabia? Liberdade nos ombros

Tem uma história curiosa (e simbólica) contada por cronistas da época.

Dizem que, após a abolição, muitos negros foram às lojas comprar sapatos, um item que simbolizava status e liberdade,

já que, no tempo da escravidão, andar descalço era obrigatório.

Mas muitos não conseguiam usá-los, pois seus pés estavam calejados demais, acostumados com o chão.

Resultado? Carregavam os sapatos nos ombros, como troféus, não nos pés.

(Inserir recurso visual: ilustração poética de uma mulher negra com um par de sapatos nos ombros, caminhando altiva.)

8. E o Brasil rural?

No campo, a situação era ainda mais crítica.

Sem acesso à terra, boa parte da população rural — formada por camponeses pobres, ex-escravizados, sertanejos, caboclos — vivia em situação de total abandono.

Muitos se tornaram nômades, se deslocando por regiões do país em busca de trabalho temporário, comida e sobrevivência.

Essa vida rural era marcada pela simplicidade,

mas também pela exclusão:

Moradias precárias, alimentação de subsistência e religiosidade popular que misturava o catolicismo com elementos africanos e indígenas.

Uma realidade muito distante da visão de modernidade urbana que a elite queria impor.

Mas calma, os coroneis ainda vão mudar essa realidade!

Para pior…

(Inserir recurso visual: fotografia ou ilustração representando uma casa de pau a pique e o cotidiano de uma família camponesa.)

9. Conclusão: modernizar excluindo?

A Primeira República começou com grandes promessas, mas, na prática, manteve as exclusões sociais, políticas e raciais que já existiam antes.

O que muda é a fachada:

A coroa deu lugar à farda e depois ao terno, mas a base do poder continuava concentrada nas mãos de poucos.

Mas isso não quer dizer que as pessoas aceitaram tudo caladas.

Rebeliões, greves e movimentos populares surgiriam nos próximos anos pra contestar esse modelo de país.

E aí sim, poderemos exclamar…

Brasil, mostra tua cara!

(Inserir recurso visual: linha do tempo com os principais acontecimentos da Primeira República, destacando os primeiros movimentos sociais que serão explorados nos próximos capítulos.)

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Uma nova República, velhos problemas. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
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