Trabalho em Reações Químicas

7 min de leituraQuímica

Esse é um daqueles capítulos que a gente só entende de verdade quando começa a imaginar o que está acontecendo fisicamente dentro do sistema.

Lembra da Primeira Lei da Termodinâmica, a famosa Q = ΔU + W, né?

Ela mostra que o calor trocado com o meio (Q) e o trabalho realizado (W) causam uma variação na energia interna do sistema (ΔU).

E nós já entendemos que a Química toda roda em torno da variação de energia dentro das reações.

Sendo assim, nosso foco aqui é entender como o trabalho é realizado na Química e como ele é calculado,

tanto para interpretar o que está acontecendo numa reação quanto para resolver as questões com mais confiança.

1. O que é trabalho em Química?

Quando a gente fala em trabalho na Física, a gente lembra da fórmula clássica:

W = F · d (força vezes deslocamento).

Mas aqui na Química, essas grandezas não aparecem tanto.

Se a fórmula que mais utilizamos em toda a Química é PV = nRT, vamos tentar transformar o trabalho químico para essas grandezas.

P = F/A, então F = P . A, logo W = P . A . d

Sabemos também que A . d = ΔV, portanto W = P . ΔV

Perfeito, essa é a fórmula de trabalho que costumamos usar na Química!

Em vez de pensar em força, a gente pensa em pressão. E em vez de deslocamento, a gente pensa em variação de volume.

Se a variação de volume for positiva (ΔV > 0), nós temos então uma expansão e W > 0 também.

Por outro lado, se a variação de volume for negativa (ΔV < 0), nós temos uma contração e W < 0 também.

Imagina um êmbolo subindo: o gás está empurrando, se expandindo. Isso é trabalho!

No Ensino Médio, costumamos usar a fórmula W = P . ΔV, mas a versão mais aceita para os químicos é W = - P . ΔV.

No Ensino Superior, os químicos adotam a fórmula oficial como W = - P · ΔV porque eles analisam tudo do ponto de vista do sistema.

Esse sinal de menos serve para indicar se o sistema está fazendo trabalho sobre o meio (W < 0) ou recebendo trabalho do meio (W > 0).

Esse sinal ajuda a manter coerência com a Primeira Lei da Termodinâmica, que diz: ΔU = Q - W.

Mas, para suas provas e para seu entendimento, seguiremos com o W = P . ΔV sem sinais confusos.

2. Trabalho em Reações Químicas

Esse é o modelo mais importante para a Termoquímica: entender o trabalho para que uma reação química ocorra.

Em muitas reações químicas, existe uma variação no número de mols.

E é essa diferença é o que gera trabalho!

Por isso, quando queremos calcular o trabalho realizado em uma reação química, nossa fórmula será:

W = P . ΔV = Δn . R . T, sendo:

Δn = (mols gasosos dos produtos) − (mols gasosos dos reagentes)

R = constante dos gases (em geral, usamos 2 cal/mol.K ou 8,314 J/mol.K)

T = temperatura absoluta (em Kelvin)

Fique atento!

Você percebeu que o Δn é número de mols GASOSOS de produto menos reagente?

Você não pode esquecer disso jamais! Existe muita pegadinha sobre isso.

🚫 Sólidos e líquidos puros não variam de volume de forma relevante e o cálculo do trabalho envolve variação de volume, correto? (PΔV)

Portanto, consideramos trabalhos praticamente desprezíveis quando temos apenas substâncias líquidas e/ou sólidas,

e sua participação junto com gases é desprezível também.

Portanto, em uma reação como essa:

$ 1 CO_{2} (g) + 1 C (s) \rightarrow 2 CO (g)$,

nós temos 2 mols gasosos no produto e 1 mol gasoso no reagente (o mol do C(s) não entra).

Sendo assim, Δn = 2 - 1 = 1!

Exemplos:

$C(s) + O_{2}(g) → CO_{2}(g)$

Δn = 1 - 1 = 0 → W = 0 (sem trabalho!)

$N_{2}(g) + 3 H_{2}(g) → 2 NH_{3}(g)

Δn = 2 - 4 = -2

Em 300 K, usando R = 2 cal/mol.K:

W = -2 × 2 × 300 = -1200 cal

🚀 O trabalho é negativo: o sistema está contraindo.

3. Trabalho em transformações gasosas

Aqui é onde as coisas ficam mais específicas. Vamos ver como o trabalho se comporta em quatro situações clássicas de transformação gasosa.

a) Transformação isovolumétrica

  • O volume não muda (∆V = 0)

  • Então: W = 0

b) Transformação isobárica

  • A pressão é constante

  • Se estamos falando sobre uma transformação gasosa, o número de mols do gás tende a não ser alterado também

  • Então, a única coisa que pode variar é a temperatura!

  • Então a fórmula vira: W = P · ∆V ou W = n · R · ∆T

  • Lembre-se dos valores de R = 2 cal/mol.K ou R = 8,314 J/mol.K

c) Transformação isotérmica

  • Temperatura constante (∆T = 0)

  • Essa é a fórmula mais decoreba que existe e, graças a Deus, costuma cair muito pouco.

  • Fórmula: W = nRT · ln(Vf/Vi) ou W = nRT · ln(Pi/Pf)

  • Se quiser justificativa, deixarei a demonstração no fim do capítulo.

d) Expansão livre

  • Expansão livre é quando o gás se expande sem encontrar nenhum tipo de resistência

  • Ou seja, não há pressão do lado de fora segurando esse gás (Pext = 0)

  • Resultado: Se P = 0 e W = P . ∆V, então W = 0

✅ Importante: Para fins didáticos e de prova, a mais cobrada é a isobárica! Foque nela.

Conclusão

O trabalho em Termoquímica é uma forma de energia trocada quando o sistema varia de volume.

Ele é relevante em reações que envolvem gases.

A forma mais comum de calcular trabalho é usando: W = Δn · R · T

Foque nas transformações gasosas isobáricas,

entenda que o trabalho é zero quando não há variação de volume,

e saiba identificar quando uma reação está fazendo ou recebendo trabalho do meio.

Nosso próximo capítulo será o último de revisão de Física, para que a gente possa finalmente entrar na Termoquímica e em Entalpia.

✍️ Demonstração da fórmula do trabalho na transformação isotérmica

Quer saber de onde vem essa fórmula esquisita com logaritmo? Pois pega, ser humano curioso…

Vamos lembrar que:

🔸 Em uma transformação isotérmica, a temperatura é constante
🔸 Estamos lidando com um gás ideal, então vale a equação: P · V = n · R · T

Como a temperatura não muda, o produto nRT também é constante.

Sabemos que o trabalho é:

W = ∫ P · dV (porque a pressão pode variar com o volume)

Mas usando a equação dos gases, podemos substituir P por:

P = nRT / V

Substituindo isso na equação do trabalho:

W = ∫ (nRT / V) · dV

Como nRT é constante, podemos tirar da integral:

W = nRT · ∫ (1/V) · dV

E a integral de 1/V é o logaritmo natural:

W = nRT · ln(Vf / Vi)

Pronto! 🎉 Essa é a fórmula que aparece nas provas:

W = nRT · ln(Vf / Vi)

Se quiser, também pode usar a relação dos gases para escrever assim:

W = nRT · ln(Pi / Pf)

(essa versão vale quando a temperatura é constante, mas a variação vem das pressões).

Percebeu que isso envolve derivada, integral, assuntos de ensino superior, certo?

Por isso que essa situação quase nunca é cobrada e, quando é, a fórmula vem no enunciado.

Portanto, pode ficar mais tranquilo!

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Trabalho em Reações Químicas. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
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