Teorias Ácido Base: Arrhenius, Brönsted-Lowry e Lewis

4 min de leituraQuímica

Vamos começar o estudo da Química Inorgânica e das funções inorgânicas. 

Chamamos de Química Inorgânica a parte da química que estuda os compostos que não possuem o carbono como elemento principal. 

E chamamos de funções os grupos de compostos que possuem propriedades químicas muito semelhantes, por mais diferentes que sejam suas composições.

As quatro funções inorgânicas são: ácidos, bases, sais e óxidos. 

Dentre essas quatro, ácidos e bases têm um certo destaque e existem várias teorias na Química que tentam definir o que são eles dois. 

Vou te mostrar as três principais hoje: Arrhenius, Bronsted-Lowry e Lewis. 

1. Teoria de Arrhenius

De acordo com a teoria de Arrhenius, os ácidos e bases são definidos pelo comportamento que apresentam em solução aquosa.

Os ácidos são substâncias que liberam íons H⁺ (prótons) na água. Por exemplo, o HCl, ao ser dissolvido, se dissocia em H⁺ e Cl⁻.

Já as bases, segundo Arrhenius, são aquelas que liberam íons OH⁻ (hidroxilas) em água, como o NaOH, que se dissocia em Na⁺ e OH⁻.

Embora essa teoria seja simples e útil, ela apresenta limitações.

Por exemplo, ela só é aplicável a substâncias que reagem em água, deixando de lado outros tipos de ácidos e bases que não dependem desse meio.

2. Teoria de Bronsted-Lowry

Na teoria de Bronsted-Lowry, ácidos e bases são definidos com base na transferência de prótons (H⁺).

Um ácido, de acordo com essa teoria, é qualquer substância que pode doar prótons, enquanto uma base é qualquer substância que pode aceitar prótons.

Isso permite que a teoria seja aplicada não apenas em água, mas em qualquer solvente em que as substâncias estejam dissolvidas em meio líquido. 

Um conceito central dessa teoria é o de par conjugado ácido-base.

Quando um ácido doa um próton, ele se transforma em uma base conjugada, que é a substância resultante após a doação do H⁺.

Da mesma forma, quando uma base aceita um próton, ela se transforma em um ácido conjugado.

Por exemplo, o HCl, ao doar um próton, forma o Cl⁻, que é sua base conjugada. Já a amônia (NH₃), ao aceitar um próton, forma o NH₄⁺, que é seu ácido conjugado.

Essa abordagem é especialmente útil para explicar reações que ocorrem fora de soluções aquosas, como interações entre gases ou substâncias em estado sólido.

3. Teoria de Lewis

Por fim, a definição de ácido e base para Lewis vai além da presença ou ausência de prótons, ela foca na transferência de elétrons.

Para ele, um ácido é qualquer substância capaz de receber um par de elétrons, enquanto uma base é qualquer substância capaz de doar um par de elétrons

Sendo assim, a teoria de Lewis é a mais ampla de todas. Ela explica reações químicas que não envolvem H⁺ e ainda assim possuem ácidos e bases. 

Por exemplo, o BF₃ reage com o F⁻, formando o BF₄⁻. Não temos troca de H⁺, mas temos doação de um par de elétrons do F⁻ para o BF₃.

Portanto, o BF₃ é um ácido e o F⁻ é uma base de Lewis. 

4. Comparação entre as três teorias

5. Teorias aninhadas: uma dentro da outra!

As três teorias que estudamos — Arrhenius, Bronsted-Lowry e Lewis — se relacionam de forma alinhada, como se fossem conjuntos matemáticos.

Assim como os números naturais estão dentro dos inteiros, que estão dentro dos racionais e, por sua vez, dos reais, o mesmo acontece aqui:

Todo ácido ou base de Arrhenius também é um ácido ou base de Bronsted-Lowry, mas nem todos os ácidos e bases de Bronsted-Lowry são de Arrhenius.

Afinal, Arrhenius só funciona em soluções aquosas, enquanto Bronsted-Lowry considera qualquer meio líquido.

Da mesma forma, todo ácido ou base de Bronsted-Lowry é também um ácido ou base de Lewis.

Mas Lewis vai além, abrangendo reações que envolvem a troca de pares de elétrons, independentemente de prótons.

Essa hierarquia mostra como as definições de ácido e base foram evoluindo para se tornarem mais amplas e completas.

Conclusão

Com essas três teorias, conseguimos entender o comportamento de ácidos e bases em diferentes contextos.

Nos próximos capítulos, vamos aprofundar o estudo dos ácidos, explorando suas classificações, nomenclaturas e aplicações práticas.


Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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