Socialismo e Anarquismo
1. Socialismo e Anarquismo: a luta por uma sociedade mais justa
No último capítulo a gente conversou sobre o liberalismo e o positivismo, né?
Ideias que, de forma diferente, defendiam a propriedade e a ciência como base da sociedade.
Mas o século XIX não foi só isso, não!
As transformações da época, como o crescimento das fábricas e das cidades, também geraram muita desigualdade e pobreza.
Foi aí que surgiram as correntes de pensamento que a gente vai ver agora:
o socialismo e o anarquismo.
Elas nasceram para criticar e lutar contra a sociedade industrial que estava se formando.
A gente pode agrupar essas ideias, que são várias, em dois grandes grupos.
Vamos lá!
2. Os Socialismos: Utopias e a Crítica Científica
A palavra "socialismo" engloba muitas ideias, mas todas elas têm um ponto em comum:
a crítica ao sistema capitalista e a busca por uma sociedade mais igualitária.
Os socialistas viam a liberdade defendida pelos liberais como uma ilusão,
porque a igualdade jurídica não garantia que um operário tivesse as mesmas oportunidades que um patrão.
No começo do século, alguns pensadores, como o francês Saint-Simon, Charles Fourier e o britânico Robert Owen,
foram chamados de socialistas utópicos.
"Utopias" porque eles criaram modelos de sociedades perfeitas e imaginavam comunidades onde a exploração não existiria.
- O Fourier, por exemplo, idealizou os falanstérios, que seriam como fazendas coletivas onde as pessoas viveriam e trabalhariam em harmonia.
- Já o Robert Owen, que era um industrial, foi além da teoria e tentou colocar as ideias dele em prática.
Ele reduziu a jornada de trabalho e criou escolas, hospitais e creches nas suas fábricas na Escócia.
A experiência deu tão certo que ele foi para os Estados Unidos e fundou a comunidade de New Harmony, mas ela não durou muito.
Uma vertente que ganhou força foi o socialismo cristão, que criticava a exploração a partir de valores religiosos.
O Papa Leão XIII, em 1891, publicou uma carta chamada Rerum Novarum,
em que ele pedia aos empresários para tratarem bem seus operários e defendia a criação de sindicatos,
mas criticava a luta de classes, que era vista como um caminho ruim.
E por fim, a vertente que mais se destacou foi a de Karl Marx e Friedrich Engels,
conhecida como socialismo científico.
Eles não viam a luta por uma sociedade melhor como um sonho,
mas como uma consequência inevitável da história.
Para eles, a história era feita de luta de classes,
um conflito eterno entre quem tem os meios de produção (a burguesia) e quem só tem a sua força de trabalho para vender (o proletariado).
- Eles criaram o conceito de mais-valia, que é a diferença entre o valor que o trabalhador produz e o que ele recebe como salário.
Para Marx, essa diferença era o lucro do patrão e a prova da exploração.
quando as classes sociais e a propriedade privada não existissem mais, o próprio Estado deixaria de ser necessário.
Esse estágio final eles chamavam de comunismo.
3. O Anarquismo: A Liberdade Sem o Estado
Se os socialistas acreditavam na tomada do poder do Estado, os anarquistas, como Pierre-Joseph Proudhon e Mikhail Bakunin, iam além:
eles queriam o fim do Estado, de qualquer forma de governo.
A palavra anarquia significa, em grego, "sem governo".
Para eles, o Estado era o problema.
Era uma forma de mutilar a liberdade e criar a desigualdade.
Proudhon, por exemplo, ficou famoso por uma frase: "Toda propriedade é um roubo".
Para ele, a propriedade privada era a causa das desigualdades.
Já Bakunin dizia que os seres humanos podiam viver em harmonia, sem chefes.
Ele defendia a ação direta das massas para derrubar o Estado e o capitalismo.
Ele não acreditava que a revolução precisava de um plano ou partido,
era algo que nascia da ação do povo nas ruas.
A gente vai ver, nos próximos capítulos, que o século XIX foi marcado por um embate entre o anarquismo e o marxismo.
Os marxistas achavam que os anarquistas eram ingênuos por quererem o fim do Estado,
enquanto os anarquistas diziam que os marxistas,
quando tomassem o poder, seriam corrompidos por ele.



