Sarney e o início da Nova República (1985-1990)

5 min de leituraHistória

1. Um governo de transição com raízes no antigo regime

José Sarney assumiu a presidência em meio a uma enorme comoção nacional.

Ele não havia sido o escolhido direto pelo povo, nem mesmo era o preferido da oposição.

Mas com a morte de Tancredo Neves, coube a ele liderar a transição democrática.

E aqui está o ponto: Sarney tinha raízes no antigo regime, vinha da Arena, o partido que dava sustentação à ditadura.

Apesar disso, seu governo acabou se tornando o primeiro passo concreto rumo à Nova República.

Só que esse passo foi instável e cheio de tropeços.

Sarney teve que equilibrar forças políticas muito diferentes:

A pressão popular por mudanças, a resistência de setores conservadores e as limitações econômicas herdadas.

(Sugestão de recurso visual: imagem de Sarney no Congresso ao lado de Tancredo, com destaque para os contrastes de origem política.)

2. Criação e desmonte do Plano Cruzado

Em 1986, o Brasil estava afundado na hiperinflação.

Os preços subiam diariamente, os salários perdiam valor em questão de dias e o sentimento geral era de desespero.

Foi nesse cenário que o governo Sarney lançou o Plano Cruzado.

A ideia parecia simples e poderosa:

Criar uma nova moeda, o cruzado, cortando três zeros do antigo cruzeiro;

Congelar os preços de produtos, tarifas e serviços;

Garantir um gatilho salarial automático;

Introduzir medidas de proteção ao trabalhador, como o seguro-desemprego.

Para a maioria dos brasileiros,

parecia que o país finalmente havia vencido o "dragão da inflação".

A resposta da população foi imediata.

O povo ganhou fôlego, voltou a consumir, reformou casas, viajou e acreditou que a estabilidade tinha chegado.

Surgiram os famosos "fiscais do Sarney":

Cidadãos comuns que, munidos de calculadoras e tabelas de preços, fiscalizavam mercados e denunciavam abusos.

Era como se cada pessoa tivesse virado guardiã da nova moeda.

Mas o que parecia milagre tinha problemas sérios.

O plano ignorava a estrutura real da economia, como os estoques, a produção e os mecanismos de formação de preços.

Em pouco tempo, os produtos começaram a desaparecer das prateleiras,

surgiram mercados paralelos e o famoso "ágio" uma diferença ilegal entre o preço oficial e o que realmente se pagava.

Mesmo com sinais claros de desgaste, o governo segurou as correções necessárias até passar as eleições de 1986, quando o PMDB conquistou uma vitória avassaladora.

Só depois disso veio o Plano Cruzado II, com reajustes impopulares e aumento de tarifas, o que abalou ainda mais a confiança no governo.

(Sugestão de recurso visual:

Ilustração do "dragão da inflação" sendo vigiado por um cidadão com calculadora (representando os fiscais do Sarney;

Linha do tempo com as fases do Plano Cruzado I e II;

Foto de produtos com etiquetas duplas de preço, mostrando o ágio.)

Você sabia? Planos econômicos heterodoxos e ortodoxos

Pra gente entender melhor as estratégias econômicas dessa época, é importante saber a diferença entre planos ortodoxos e heterodoxos.

Um plano ortodoxo tenta resolver os problemas da economia com medidas mais tradicionais,

como cortar gastos do governo, subir os juros e controlar o volume de dinheiro circulando.

A ideia é esfriar a economia aos poucos pra segurar a inflação.

Já um plano heterodoxo aposta numa abordagem mais drástica e imediata.

É o caso do Plano Cruzado, por exemplo, que congelou preços, trocou a moeda e criou gatilhos salariais.

É como se o governo apertasse vários botões ao mesmo tempo pra tentar resolver a crise de uma vez só.

3. Inflação, estelionato eleitoral e crise econômica

O adiamento dos ajustes econômicos teve um preço alto.

A população percebeu que o governo segurou a crise até passar as eleições.

Quando os reajustes vieram com tudo, ficou claro que o plano havia sido manipulado para garantir votos.

Isso ficou conhecido como “estelionato eleitoral”.

A inflação voltou com força total.

Produtos sumiam das prateleiras, aumentavam os preços por fora — o chamado “ágio” — e o governo perdeu credibilidade.

A confiança da população desapareceu junto com o leite e a carne nos supermercados.

(Sugestão de recurso visual: gráfico com a evolução da inflação entre 1985 e 1989, marcando os efeitos do Plano Cruzado.)

4. Formação de uma nova elite política e dificuldades da oposição

Mesmo com tantos problemas, o governo Sarney conseguiu criar uma nova base de sustentação política.

O PMDB, que antes era símbolo de resistência democrática, se aliou a setores conservadores e formou o chamado Centrão.

A lógica era simples:

Garantir governabilidade com quem topasse apoiar, sem muito critério ideológico.

A oposição, por outro lado, teve dificuldade de se reorganizar.

O PT recusava alianças que considerava incoerentes e mantinha uma postura crítica.

Já líderes como Ulysses Guimarães e Leonel Brizola sofriam com o desgaste ou divisões internas.

Foi nesse cenário de crise econômica, desgaste político e fragmentação ideológica que se aproximaram as eleições presidenciais de 1989 — as primeiras por voto direto desde 1960.

O povo queria mudar, mas ainda não sabia exatamente como.

(Sugestão de recurso visual: quadro com os principais partidos do período e os posicionamentos diante do governo Sarney.)

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Sarney e o início da Nova República (1985-1990). O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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