Revoltas na Bahia: Malês (1835) e Sabinada (1837-38)

4 min de leituraHistória

1. A tradição de revoltas populares na Bahia

Se tem um lugar do Brasil que teve um histórico intenso de revoltas populares, esse lugar é a Bahia.

Desde o final do século XVIII, a província foi palco de levantes que uniam escravizados, libertos, trabalhadores pobres e até profissionais liberais.

E esse histórico não parou com a Independência.

A Regência também viu a Bahia “pegar fogo”, dessa vez com duas revoltas marcantes e bem diferentes entre si:

Aa Revolta dos Malês, em 1835, e a Sabinada, entre 1837 e 1838.

2. Levante dos Malês: religiosidade, etnicidade e luta contra a escravidão

A Revolta dos Malês foi protagonizada por africanos muçulmanos que viviam em Salvador — muitos deles escravizados, outros libertos.

O nome “malê” vem justamente do termo usado para designar os muçulmanos africanos.

Esse grupo mantinha uma forte identidade cultural e religiosa, e organizava-se secretamente para resistir à opressão.

Na madrugada de 25 de janeiro de 1835, eles se rebelaram.

A revolta foi rápida, mas intensa.

O plano era libertar os companheiros escravizados, dominar a cidade e impor o respeito à sua fé e aos seus direitos.

Mas o movimento foi descoberto e reprimido com violência.

Muitos malês foram mortos ou presos, e os sobreviventes foram duramente punidos — alguns até deportados de volta para a África.

Essa foi uma das poucas revoltas da história do Brasil liderada por africanos organizados em torno da religião islâmica.

E que, como você já sabe, apoiava o fim da escravidão.

Mostrou que a luta contra a escravidão também passava por valores culturais, espirituais e pela reafirmação de identidades negras.


Momento Reflexão

Você já se perguntou por que o Levante dos Malês foi tão rapidamente derrotado?

Diferente de outras revoltas regenciais, ele não contou com o apoio das elites locais.

Pelo contrário, era um movimento liderado por africanos muçulmanos, muitos ainda escravizados, que defendiam o fim da escravidão e valores religiosos próprios.

Ou seja, desafiavam diretamente a ordem social e econômica.

Talvez por isso, sua repressão tenha sido tão brutal e imediata.

É meu amigo, quando você vê algum sinal de democracia, você percebe que não passou disso.

Um sinal.

Você sabia?

Durante a Sabinada, os revoltosos chegaram a planejar a criação de uma nova moeda própria para a Bahia independente!

Isso mostra o nível de organização e a seriedade do movimento,

que não queria apenas protestar, mas construir um governo com todas as funções — inclusive econômicas — funcionando sem depender do poder central.

3. Sabinada: proposta separatista e lealdade ao imperador

Pouco tempo depois, outra revolta sacudiu a Bahia, mas com uma cara bem diferente.

A Sabinada começou em novembro de 1837,

liderada por militares e civis — entre eles o médico Francisco Sabino.

Os revoltosos queriam que a Bahia se tornasse independente até que Pedro II atingisse a maioridade.

Ou seja, era um movimento separatista... mas nem tanto.

Eles ainda demonstravam lealdade ao imperador criança.

Durante alguns meses, os sabinistas controlaram Salvador, instauraram um governo provisório e até planejaram convocar uma assembleia constituinte.

Mas o apoio popular foi limitado, e o governo imperial reagiu com força.

Em março de 1838, após um cerco por terra e mar, Salvador foi retomada.

O saldo foi pesado: milhares de mortos, prisioneiros e deportados.

Sabino, capturado, foi deportado e morreu anos depois.

4. Repressão, punições e memórias da resistência baiana

Tanto os malês quanto os sabinistas enfrentaram repressões duríssimas.

A Bahia, com seu histórico rebelde, foi tratada como uma ameaça constante pela elite imperial.

Mas essas revoltas não foram em vão.

A dos Malês é lembrada como símbolo da resistência negra e da luta contra a escravidão.

Já a Sabinada revelou as tensões políticas da Regência e o desejo de autonomia provincial.

Em comum, as duas revoltas mostraram que o povo baiano não aceitava calado as imposições vindas do centro do poder.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Revoltas na Bahia: Malês (1835) e Sabinada (1837-38). O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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