Répteis: Classificação

6 min de leituraBiologia

1. Introdução

Já vimos o "kit de sobrevivência" que fez dos répteis os conquistadores da terra firme.

Agora, vamos conhecer as "gangues" que formam essa classe.

Dizer "réptil" é como dizer "mamífero" – é um termo guarda-chuva para uma galera muito diferente entre si.

Uma tartaruga, um crocodilo e uma lagartixa são todos répteis, mas cada um seguiu um caminho evolutivo completamente diferente.

Neste capítulo, a gente vai abrir a caixa de ferramentas da evolução e ver os três grandes "designs" de répteis que existem hoje: os blindados com casco, os predadores semi-aquáticos e a turma mega diversa das escamas.

Vamos entender o que faz de cada grupo uma máquina de sobrevivência única.

2. Explorando os Conceitos

Os répteis que vemos hoje se dividem em três ordens principais.

Cada uma é um projeto de sucesso com suas próprias especialidades.

Quelônios – As Fortalezas Ambulantes

Aqui estão as tartarugas, os jabutis e os cágados.

A característica mais óbvia, claro, é a concha, ou casco.

É uma das estruturas de defesa mais geniais da natureza.

A concha é formada por duas partes: a carapaça (a parte de cima, arredondada) e o plastrão (a parte de baixo, reta).

Essa estrutura é, na verdade, uma fusão das costelas e da coluna vertebral do bicho.

É literalmente uma casa feita dos próprios ossos.

Essa armadura os torna presas difíceis para a maioria dos predadores.

Crocodilianos – Os Tanques de Guerra

Este grupo inclui os crocodilos, jacarés e gaviais.

São os maiores répteis da atualidade e predadores de topo, mestres da vida entre a terra e a água.

O corpo deles é uma máquina de emboscada: olhos e narinas no topo da cabeça para observar fora d'água enquanto o corpo fica submerso, uma mordida com uma força esmagadora e uma pele reforçada com placas ósseas.

A cauda musculosa funciona como um motor de propulsão na água.

Escamados – A Turma Mais Diversa

Este é, de longe, o maior e mais variado grupo de répteis.

Inclui todos os lagartos e cobras.

Os Lagartos:

É a "versão padrão" dos escamados, geralmente com quatro patas e uma cauda longa.

A diversidade é absurda: vai de pequenas lagartixas que escalam paredes até o gigantesco dragão-de-komodo.

Muitos lagartos têm a habilidade da autotomia, que é soltar a cauda de propósito quando agarrados por um predador.

O rabo fica se contorcendo, distrai o inimigo, e o lagarto foge para depois regenerar a cauda.

As Cobras:

São basicamente lagartos que, ao longo da evolução, perderam as patas e se especializaram em um corpo cilíndrico e ultra flexível.

Uma de suas características mais impressionantes é a capacidade de engolir presas muito maiores que sua cabeça, graças a um crânio com ossos móveis e uma mandíbula que se "desconecta".

3. Exemplos do Mundo Real: Os Quatro Tipos de Dentição das Cobras

Já que falamos de cobras, vamos mergulhar no arsenal delas.

A dentição define se uma cobra é perigosa para nós ou não.

Existem quatro tipos e existem professores que costumam cobrar isso.

Caso seu professor não tenha dado tanta importância para esse tema, considere uma bela de uma curiosidade.

Vamos para os grupos:

Áglifas:

Sem presas especializadas para injetar veneno.

Elas podem morder, mas não são peçonhentas.

Usam a força bruta para caçar.

Exemplos: Jiboias e sucuris, que matam por constrição.

Opistóglifas:

Têm presas de veneno no fundão da boca.

Para injetar a peçonha, precisam "mastigar" a presa.

O veneno geralmente é fraco e não representa grande perigo para humanos.

Exemplo: Falsa-coral.

Proteróglifas:

Têm presas fixas e pequenas na frente da boca.

A mordida é rápida e eficiente.

O veneno costuma ser neurotóxico (ataca o sistema nervoso) e muito perigoso.

Exemplos: Coral-verdadeira e Naja.

Solenóglifas:

As especialistas.

Têm presas grandes e retráteis na frente da boca, que funcionam como agulhas de injeção.

Quando a boca está fechada, as presas ficam dobradas.

No ataque, elas se projetam e injetam o veneno profundamente.

Exemplos: Jararaca, cascavel e surucucu.

4. Erros Comuns

1. Querer ser herói e diferenciar cobra venenosa na hora.

Existe uma "dica de campo" que diz que cobras peçonhentas têm cabeça triangular e pupilas em fenda.

Isso funciona para muitas víboras no Brasil, mas não é uma regra universal.

A coral-verdadeira, por exemplo, é mortal e tem cabeça arredondada.

Na dúvida, a regra é uma só: mantenha distância.

2. Fazer torniquete em caso de picada.

NUNCA FAÇA ISSO.

Pensa no desastre duplo que isso causa:

Primeiro, o veneno de muitas cobras é hemotóxico e citotóxico, ou seja, feito para destruir tecidos.

O veneno tem um coquetel de enzimas que:

  • Destroem as paredes dos vasos sanguíneos:
  • Digere as células:

Agora, o que um gênio faz?

Ele amarra um pano bem apertado ali.

O que o torniquete faz?

Ele corta a circulação do sangue.

E o que o sangue faz?

Leva oxigênio para as células.

Sem sangue chegando, não chega oxigênio.

E sem oxigênio, o tecido morre.

Simples assim.

O nome disso é isquemia, e o resultado dela é a necrose.

O resultado?

Você concentra o veneno no local, acelerando a destruição, e ainda mata o membro por asfixia celular.

A chance de precisar de uma amputação vai lá pra cima.

E pra piorar, o veneno também se espalha pelo sistema linfático, então o torniquete nem funciona direito.

O correto é manter a calma, lavar o local com água e sabão e procurar o hospital mais próximo o mais rápido possível para tomar o soro antiofídico.

3. Confundir tartaruga, jabuti e cágado.

É simples: tartaruga é marinha (patas em formato de remo).

Jabuti é terrestre (patas robustas, como as de um elefante).

Cágado é de água doce (tem membranas entre os dedos para ajudar a nadar).

5. Conclusão

A classe dos répteis é um show de diversidade.

Quelônios apostaram na defesa com seus cascos. Crocodilianos se tornaram os predadores blindados dos rios e lagos.

E os Escamados explodiram em formas e tamanhos, dominando quase todos os nichos terrestres.

Entender esses três grandes grupos é entender as principais estratégias que a vida encontrou para dominar a terra firme.

Curiosidade bizarra:

Existe um quarto grupo de répteis vivo hoje, com uma única espécie: o tuatara (Sphenodon punctatus), que só existe na Nova Zelândia.

Ele é o último sobrevivente de uma ordem que floresceu na época dos dinossauros.

É um verdadeiro fóssil vivo, tão diferente dos outros répteis que possui um "terceiro olho" vestigial no topo da cabeça, sensível à luz.


Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Répteis: Classificação. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
Um plano de estudo montado pra onde você quer chegar.
Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.