Reações de Eliminação: o caminho reverso da adição

5 min de leituraQuímica

Se a adição serve para “juntar” duas partes e formar uma molécula maior, as reações de eliminação fazem exatamente o oposto.

As reações de eliminação retiram átomos ou grupos de uma molécula, formando produtos mais simples – muitas vezes, com ligações duplas.

É como se você tirasse peças de um brinquedo para revelar uma parte escondida.

Até agora, nós já estudamos ADIÇÃO, REDUÇÃO e OXIDAÇÃO.

💡 Repare como essas reações são quase um “espelho reverso” das reações de adição.

E, de fato, aprender reações orgânicas pensando dessa forma se torna mais fácil.

Reações de redução são o contrário das reações de oxidação.

Reações de eliminação são o contrário das reações de adição.

Só substituição que é diferentona, mas vamos chegar lá.

Nosso objetivo aqui vai ser aprender quem sofre eliminação e em que meio a reação acontece.

1. Quem Sofre Reação de Eliminação?

Existem duas funções orgânicas importantes que sofrem reações de eliminação, que são haletos orgânicos e álcoois.

  • Para um haleto sofrer eliminação, o meio da reação precisa, em geral, de uma base forte (NaOH ou KOH), de um meio alcoólico e de aquecimento.

  • Para um álcool sofrer eliminação, o meio da reação precisa, em geral, de um ácido forte (geralmente H₂SO₄) e de aquecimento.

Daqui a pouco isso fará mais sentido para você.

Essas condições fazem com que as moléculas liberem um H+ e algum outro grupo, geralmente um haleto (X-) ou um OH-.

Se você libera, por exemplo, um H+ e um OH-, você elimina uma água da molécula original.

Por outro lado, se você libera um H+ e um Cl-, você elimina um ácido clorídrico (HCl).

E o que acontece com o reagente? Se temos dois carbonos vizinhos perdendo um ligante cada, eles precisam compensar isso de alguma forma.

A solução deles? Formar uma ligação dupla no lugar. Ou seja, no geral, em reações de eliminação, nós temos:

Reagente (saturado) → Produto (insaturado) + Eliminado (água, HX, coisa do tipo)

2. As Duas Principais Reações de Eliminação

As duas principais reações de eliminação são a eliminação de um HX, chamada de desidro-halogenação, ou a eliminação de H₂O, que é a desidratação de álcoois.

Em geral, quando um haleto elimina um HX e quando um álcool elimina H₂O, nós formamos alcenos.

Veja como que é a desidro-halogenação do 2-cloropropano e a desidratação do propan-2-ol:


Agora, assim como nas reações de adição, nem sempre as reações de eliminação formam apenas um produto possível.

O exemplo que eu fiz acima foi muito bom, porque só existia um alceno possível para ser formado.

Mas em exemplos como esse, que temos dois produtos possíveis, como decidir o majoritário?

No produto A, eu retirei o -OH do carbono 2 e o -H do carbono 1, formando o but-1-eno. Já no produto B, eu retirei o -H do carbono 3, formando o but-2-eno.

E aí, qual é prioritário? Qual alceno é formado em maior quantidade?

E novamente, assim como existe a Regra de Markovnikov para as reações de adição, existe a Regra de Zaitsev para as reações de eliminação.

3. Regra de Zaitsev

A regra foi proposta pelo químico russo Alexander Zaitsev e diz:

➡️ "O alceno mais substituído é o principal produto da eliminação."

Pareceu confuso, mas vou facilitar: o carbono que libera o hidrogênio (H) é o carbono menos hidrogenado!

Sim, exatamente o contrário da Regra de Markovnikov, o que é até algo lógico:

se o carbono que quer mais receber um H é o que já tem mais hidrogênios, ele não vai ser o que mais vai querer perder.

O carbono que quer mais perder um H vai ser o que já tem menos.

Isso acontece porque quanto mais grupos alquila estão ligados aos carbonos da dupla, mais estável essa dupla ligação fica.

Os grupos alquila ajudam a estabilizar o alceno por meio de efeitos indutivos e de hiperconjugação.

Portanto, vamos voltar no exemplo do but-1-eno e do but-2-eno e vamos decidir qual é o majoritário, seguindo a Regra de Zaitsev.

Para formar o produto A (but-1-eno), nós precisamos retirar um hidrogênio do carbono 1, que tem 3 hidrogênios.

Para formar o produto B (but-2-eno), nós precisamos retirar um hidrogênio do carbono 3, que tem apenas 2 hidrogênios.

Sendo assim, o produto B será o majoritário, pois é melhor retirar um H de quem só tem 2 do que de um carbono que ainda tem 3H.

A justificativa mais formal é que o carbono 3 é mais substituído, ele possui um grupamento alquila a mais, então ele formará uma dupla ligação mais estável.

Se você pegar um haleto orgânico e realizar uma eliminação com NaOH em meio alcoólico (com etanol), o raciocínio será o mesmo.

Dentre os produtos 3-metilbut-1-eno e o 3-metilbut-2-eno, o majoritário será o 3-metilbut-2-eno,

já que o carbono 1 possui 3 H e o carbono 3 possui apenas 1 H, logo o H sai do carbono 3 e a dupla é formada entre os carbonos 2 e 3.

Conclusão

  • Eliminação é praticamente o inverso da adição;

  • As duas reações importantes de eliminação são desidratação e desidro-halogenação;

  • Álcool precisa de um ácido forte e de aquecimento para liberar água; haleto precisa de uma base forte e de aquecimento para liberar HX;

  • Carbonos vizinhos perdem ligantes e, para compensar a perda de ligantes, uma dupla entre carbonos é formada;

  • O carbono que perde o H é o carbono que já tem menos H (Regra de Zaitsev, que é o oposto da Regra de Markovnikov);

No próximo capítulo, a gente começa a explorar o terceiro grande grupo de reações orgânicas: as reações de substituição!

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Reações de Eliminação: o caminho reverso da adição. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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