Reações à Globalização e Ascensão da Esquerda na América Latina

6 min de leituraHistória

1. Críticas ao neoliberalismo e o surgimento do Fórum Social Mundial

A gente já viu que as políticas neoliberais da "Década Perdida" não foram bem uma salvação para a América Latina, né?

Elas aumentaram a desigualdade social e a dependência dos países em relação às potências econômicas.

E, como a gente pode imaginar, isso gerou muita insatisfação.

Enquanto os líderes mais poderosos do mundo se reuniam no Fórum Econômico Mundial,

em Davos, na Suíça, para discutir as políticas capitalistas e a globalização,

um grupo de movimentos sociais, sindicatos e ONGs se reuniu no Brasil para dar uma resposta.

Em 2001, eles criaram o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

O lema deles era "Um outro mundo é possível".

O objetivo? Discutir as falhas da globalização e do neoliberalismo e lutar por um mundo mais justo, com menos desigualdade.

Essa divisão mostra bem os dois lados da moeda na Nova Ordem Mundial:

De um lado, os que defendem o mercado livre e a globalização;

Do outro, os que criticam esse modelo e defendem a justiça social.

2. A vitória de governos progressistas na América Latina

A insatisfação com os resultados do neoliberalismo foi tão grande que começou a se traduzir em votos.

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, a América Latina viu uma onda de líderes de esquerda e centro-esquerda serem eleitos.

Foi o que alguns chamam de a "onda rosa" na política latino-americana.

Esses líderes, como o Lula no Brasil,

o Hugo Chávez na Venezuela,

o Evo Morales na Bolívia

e a Cristina Kirchner na Argentina souberam canalizar a revolta da população.

Eles prometiam que iriam usar o Estado para combater a pobreza e a desigualdade, e não para servir aos interesses do mercado.

Eles representavam a esperança de um novo caminho.

A principal missão destes governos era a busca pela soberania nacional.

Eles queriam que seus países tivessem mais controle sobre suas próprias economias, em vez de dependerem de empréstimos e regras de organismos financeiros internacionais.

Eles investiram em programas sociais, distribuíram renda e tentaram fortalecer a indústria local.

(Sugestão de recurso visual: uma colagem de fotos dos principais líderes de esquerda da América Latina eleitos nesse período, como Lula, Chávez, Evo Morales e Néstor e Cristina Kirchner.)

3. Reformas sociais e a busca por soberania nacional

A gente viu que a onda de líderes progressistas que subiu ao poder na América Latina tinha um objetivo principal:

fazer com que os países da região tivessem mais controle sobre si mesmos.

Era uma reação direta ao que tinha acontecido nas décadas anteriores,

quando as políticas neoliberais faziam com que os governos tivessem que seguir as regras do Fundo Monetário Internacional (FMI)

e de outros organismos financeiros internacionais.

Para esses novos governos, o caminho para a independência e para acabar com a desigualdade era o Estado.

Eles investiram em reformas sociais para combater a pobreza e dar dignidade para a população.

E também em políticas que buscavam a soberania nacional, ou seja, que o país tivesse autonomia para decidir seu próprio destino, sem depender de pressões externas.

Pensa na vida das pessoas mais pobres.

Elas foram as mais afetadas pelas crises econômicas.

Então, esses governos investiram em programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família no Brasil, que ajudou milhões de pessoas a terem acesso a uma renda mínima.

Além disso, investiram na educação e na saúde pública,

garantindo que a população tivesse mais acesso a serviços de qualidade.

A ideia era criar uma rede de segurança para a população e, assim, diminuir a desigualdade que a globalização e o neoliberalismo tinham intensificado.

No campo econômico, a busca pela soberania nacional se traduziu em algumas ações bem importantes:

Nacionalização de indústrias:

Em países como a Venezuela e a Bolívia, os governos nacionalizaram indústrias estratégicas, principalmente as de petróleo e gás.

A ideia era que os lucros dessas indústrias ficassem para o país, e não para as empresas estrangeiras.

Redução da dívida externa:

Muitos países, como o Brasil e a Argentina, conseguiram pagar suas dívidas com o FMI e outros credores.

Isso fez com que eles não tivessem mais que seguir as regras do fundo, ganhando mais liberdade para decidir suas políticas econômicas.

Criação de blocos econômicos:

Eles também fortaleceram blocos regionais, como o Mercosul, e criaram outros,

como a UNASUL (União de Nações Sul-Americanas), para fortalecer a cooperação entre os países da região e diminuir a dependência dos Estados Unidos.

A gente pode dizer que a ascensão da esquerda na América Latina foi uma reação a um modelo de globalização que não deu certo para a maioria da população.

Esses governos tentaram mostrar que era possível ter um capitalismo com mais justiça social e mais controle sobre o próprio destino.

(Sugestão de recurso visual: Um gráfico mostrando a redução da pobreza e da desigualdade na América Latina durante esse período. Outra ideia é um mapa-múndi mostrando os países que tiveram governos de esquerda e centro-esquerda, com a legenda "A onda rosa".)

4. O caso cubano: abertura econômica e manutenção do socialismo

A gente não pode falar de reação à globalização sem falar de Cuba.

Com o fim da União Soviética, que era seu maior parceiro econômico, a ilha de Fidel Castro perdeu uma ajuda gigantesca.

O país entrou em uma crise econômica profunda, e o governo cubano teve que se adaptar para sobreviver.

Apesar de manter o regime socialista, a partir dos anos 90,

Cuba começou a fazer uma abertura econômica lenta e gradual.

Eles deram mais espaço para a iniciativa privada e para o turismo, que se tornou a principal fonte de renda do país.

Essa abertura continuou com o irmão de Fidel, Raúl Castro e mais recentemente com Miguel Díaz-Canel,

que permitiram mais liberdade para o mercado e até para a propriedade privada, mas sempre sob o controle do Estado.

O caso de Cuba é um exemplo único de como um país que sempre foi fechado se viu obrigado a se abrir para a economia de mercado,

mas sem desistir da defesa do seu sistema político.

(Sugestão de recurso visual: um gráfico mostrando o declínio da economia cubana no início dos anos 90 e a lenta recuperação com a abertura para o turismo.)

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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