Quando tudo desanda: a virada da guerra
1. A saída da Rússia com a Revolução de 1917 e o Tratado de Brest-Litovski
Enquanto a guerra de trincheiras estava rolando no oeste,
a gente não pode esquecer que no leste a situação do Império Russo estava super complicada.
A Rússia tinha um exército enorme, sim, mas era tecnologicamente atrasado e o país vivia uma crise política e social gigantesca.
Imagina só: o povo estava exausto da guerra, a economia estava no chão,
e a fome e a pobreza só aumentavam.
Foi nesse cenário que, em 1917, a insatisfação explodiu na Revolução Russa,
que a gente vai ver em detalhes mais para frente.
Os bolcheviques, liderados por Vladimir Lênin, tomaram o poder com uma promessa que todos queriam ouvir: “paz, pão e terra”.
Para cumprir a promessa de paz, eles assinaram o Tratado de Brest-Litovski
com a Alemanha, em março de 1918.
Esse tratado tirou a Rússia da guerra, mas eles tiveram que abrir mão de um monte de territórios,
como a Polônia, a Ucrânia, a Estônia, a Letônia e a Finlândia.
A saída da Rússia foi um alívio enorme para a Alemanha,
que pôde finalmente mover suas tropas do leste para o oeste.
Mas ao mesmo tempo, foi um susto para as outras elites europeias,
que ficaram com medo de que a revolução se espalhasse por seus países.
2. A entrada dos Estados Unidos e o peso econômico-militar
Apesar de a Alemanha ter ganhado um respiro com a saída da Rússia,
a sorte dela não durou muito.
Em 1917, os alemães decidiram começar uma guerra submarina indiscriminada,
atacando qualquer navio, de qualquer país,
que estivesse levando suprimentos para a Entente.
E é aí que os Estados Unidos entram na história.
Embora eles não estivessem oficialmente na guerra, eles vendiam muitas armas e produtos para a Inglaterra e a França.
Foi por isso que, depois que um submarino alemão afundou um navio americano,
os Estados Unidos entraram de vez no conflito, em abril de 1917.
A entrada deles foi um divisor de águas!
O exército americano, com mais de 1,5 milhão de soldados,
era bem equipado e estava descansado, ao contrário dos exércitos europeus,
que já estavam exaustos.
E a grana que os EUA tinham era gigantesca,
garantindo que os Aliados tivessem todos os recursos que precisavam.
3. A crise interna nos países: greves, inflação, racionamento, desânimo
A essa altura, o otimismo do começo da guerra já tinha desaparecido por completo.
As pessoas estavam sofrendo com a falta de comida,
com os preços subindo sem parar e com o racionamento.
Como muitos homens estavam no front,
as mulheres tiveram que assumir os trabalhos nas fábricas,
o que mais tarde ajudou a fortalecer o movimento feminista e a luta pelo direito ao voto.
Por toda a Europa, o desânimo era geral.
Soldados voltavam feridos ou morriam aos milhares,
e as greves de operários, como a que rolou na Alemanha em 1918 com 300 mil grevistas,
se tornaram cada vez mais comuns.
Era claro que os países não aguentavam mais o conflito.
4. A queda dos aliados da Alemanha e o armistício de 1918
Com a entrada dos EUA e a crise interna,
os aliados da Alemanha começaram a cair um por um.
O Império Turco-Otomano e a Bulgária foram derrotados
e se renderam em outubro e setembro de 1918, respectivamente.
O Império Austro-Húngaro, que já estava em crise,
se desintegrou completamente com as lutas internas de nacionalidades
que queriam sua independência, e se rendeu em novembro de 1918.
A Alemanha ficou sozinha, e o imperador Guilherme II percebeu que a derrota era inevitável.
Para evitar uma revolução dentro do país, ele abdicou do trono
e a Alemanha assinou o Armistício de Compiègne em 11 de novembro de 1918,
dando fim à guerra.



