Princípios da Eletrólise

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Introdução: Forçando a Química a Acontecer

Nos últimos quatro capítulos, nós vimos como usar reações químicas espontâneas para gerar eletricidade.

Em todos esses casos, a reação acontecia "sozinha" ($\Delta E° > 0$).

Agora, vamos fazer o caminho inverso.

E se a gente pegar uma reação que não é espontânea ($\Delta E° < 0$) e, mesmo assim, quisermos que ela aconteça? É possível?

Sim! Mas não de graça. Tudo tem seu preço!

A gente vai precisar fornecer energia para que ela ocorra.

É como empurrar uma pedra morro acima. Não acontece sozinho, você precisa gastar sua energia para fazer o trabalho.

Quando usamos energia elétrica (de uma fonte externa, como uma bateria ou uma tomada) para forçar uma reação química não espontânea a acontecer, chamamos isso de eletrólise.

É exatamente o que acontece quando você recarrega a bateria do seu celular:

Você está usando a eletricidade da tomada para reverter as reações químicas, armazenando energia para usar depois.

1. A Inversão dos Polos: A Grande Pegadinha da Eletrólise

Este é o ponto que mais confunde os alunos, então vamos com muita calma.

Primeiro, vamos lembrar das definições que NUNCA MUDAM, não importa se é pilha ou eletrólise:

Ânodo: É SEMPRE o local onde ocorre a OXIDAÇÃO. (Lembre-se: Ânodo → Oxidação, as duas vogais).

Cátodo: É SEMPRE o local onde ocorre a REDUÇÃO. (Lembre-se: Cátodo → Redução, as duas consoantes).

Isso não muda. O que muda é o sinal elétrico de cada um desses polos.

Na Pilha (Processo Espontâneo)

O ânodo é a fonte de elétrons, ele os "empurra" para o fio. Por isso, ele é o polo negativo (-).

O cátodo é o destino dos elétrons, ele os "puxa" do fio. Por isso, ele é o polo positivo (+).

Na Eletrólise (Processo Não Espontâneo)

Aqui, quem manda é a fonte de energia externa (a bateria que estamos usando para forçar a reação).

O polo positivo (+) da bateria externa vai arrancar elétrons de um dos eletrodos, forçando-o a sofrer oxidação.

Portanto, na eletrólise, o ÂNODO é o POLO POSITIVO (+).

O polo negativo (-) da bateria externa vai empurrar elétrons para o outro eletrodo, forçando-o a sofrer redução.

Portanto, na eletrólise, o CÁTODO é o POLO NEGATIVO (-).

Houve uma inversão dos sinais!

Grave bem essa tabela. Entender essa inversão é a chave para dominar a eletrólise.

2. E onde a eletrólise ocorre?

Diferente da pilha, que geralmente precisa de dois potes e uma ponte salina,

a eletrólise acontece em um sistema mais simples, chamado de cuba eletrolítica.

Os componentes básicos são:

  • Cuba: um recipiente único onde tudo acontece;

  • Eletrodos: duas placas condutoras, geralmente feitas de um material inerte (que não reage), como grafite ou platina, mergulhadas no eletrólito;

  • Fonte de energia elétrica: uma bateria ou gerador que será conectado aos eletrodos. É ela quem vai "bombear" os elétrons e forçar a reação;

  • Eletrólito: A substância que será decomposta pela eletricidade. Para que a eletrólise ocorra, o eletrólito precisa ter íons livres para se movimentar.

E é aí onde está o segredo.

Esses íons livres podem aparecer de duas formas, caracterizando os dois tipos de eletrólise: a eletrólise ígnea e a eletrólise aquosa.

Na eletrólise ígnea, nós temos um composto iônico puro e fundido (derretido) que sofrerá a eletrólise.

Ígnea vem de fogo, indicando que, para você fundir um composto iônico, haja fogo meu amigo! Temperaturas altíssimas, 800 °C, 1500 °C …

Se você pega um NaCl e coloca ele a 800 °C, por exemplo, ele vira líquido e os íons Na+ e Cl- estarão livres para sofrer eletrólise!

Agora a eletrólise aquosa é a eletrólise de um composto dissociado em água.

Usando o mesmo NaCl agora, só que em água, ele também formará os mesmos íons Na+ e Cl-, sem precisar de temperaturas altíssimas.

Então, se usando água eu evito ter que trabalhar com temperaturas altíssimas, porque não fazemos a eletrólise aquosa sempre?

Aí entra a outra diferença das eletrólises: não fazemos isso sempre por conta da competição entre os íons!

Na eletrólise ígnea, não existe competição! No caso do NaCl líquido, só existe Na+ e Cl- dentro da cuba.

Então ele não vai competir com nada. Eu sei que meu Na+ vai reduzir no cátodo (-) e que meu Cl vai oxidar no ânodo (+), não importa o que aconteça!

Já na eletrólise aquosa, existe uma competição entre os íons do composto com os íons da água!

No cátodo (-), eu terei o Cl- e o OH- competindo para ver quem vai reduzir. No ânodo, eu terei o Na+ e o H+ competindo para ver quem vai oxidar.

Portanto, na eletrólise aquosa, eu não tenho garantia de que, toda vez, o íon que eu quero que reduza (ou oxide) vai reduzir.

Entendido isso, vamos para o próximo capítulo, que detalharei como montar uma reação de eletrólise de cada tipo.

Lá, a gente se aprofunda nos detalhes de cada uma. Te espero lá!

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Princípios da Eletrólise. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
Um plano de estudo montado pra onde você quer chegar.
Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.