Outros Combustíveis Fósseis
Introdução: Os Parentes do Petróleo
Tivemos um capítulo só para o petróleo, agora vamos falar dos outros combustíveis fósseis.
É como se o petróleo tivesse “parentes”: combustíveis formados em condições semelhantes, não renováveis, também necessários para movimentar a energia do nosso mundo.
Vou falar aqui de três deles: o gás natural, o carvão mineral e o xisto betuminoso.
Sem enrolação, vamos começar com o gás natural.
1. Gás Natural
O gás natural é o "irmão mais novo" do petróleo.
Ele é formado no mesmo processo geológico e, muitas vezes, encontrado no mesmo reservatório, ocupando a camada superior por ser menos denso.
A gente viu isso no capítulo passado já!
O gás natural é uma mistura de gases (lógico, se não o nome não seria gás)
E seu principal componente é o metano ($CH_4$), geralmente com mais de 90% de pureza.
Por ser um combustível que queima de forma mais limpa que a gasolina e o diesel (gera menos poluentes), ele é amplamente utilizado:
GNV (Gás Natural Veicular): Como combustível para carros.
Indústria: Em fornos e caldeiras.
Residências: No fogão e em aquecedores de água.
Curiosidade: O "Gelo que Queima" (Hidrato de Metano)
Imagine gelo pegando fogo… Parece loucura, mas existe!
No fundo dos oceanos, sob altíssima pressão e baixas temperaturas, moléculas de metano podem ficar aprisionadas dentro de uma estrutura cristalina de moléculas de água congelada, formando o hidrato de metano.
As reservas mundiais são gigantescas, potencialmente maiores que todas as outras reservas de combustíveis fósseis somadas!
O grande desafio é como extrair esse gás sem causar um desastre ambiental, já que o metano é um potente gás de efeito estufa.
2. Carvão Mineral
Se o petróleo veio de organismos marinhos, o carvão mineral é o legado das florestas pré-históricas.
Ele é uma rocha sedimentar preta, formada a partir de restos de vegetação que foram soterrados em pântanos há milhões de anos.
Da mesma forma, a pressão e o calor expulsaram a água e outros elementos, concentrando só o carbono.
Classificação por "Idade" e Pureza
Quanto mais tempo e pressão o material sofre, maior o seu teor de carbono e, consequentemente, seu poder calorífico.
O carvão é classificado em estágios:
Turfa: O estágio inicial, com baixo teor de carbono (~60%). Pouco poder energético.
Linhito: Um estágio intermediário, com mais carbono (~70%).
Hulha (Carvão Betuminoso): O tipo mais comum, com alto teor de carbono (~80%). É a principal matéria-prima para a indústria.
Antracito: O estágio final, quase carbono puro (~90%). É o carvão de melhor qualidade e que queima de forma mais limpa.
Destilação Seca da Hulha
A hulha não serve apenas para ser queimada.
Quando aquecida a altas temperaturas na ausência de oxigênio (um processo chamado de pirólise ou destilação seca), ela se decompõe em produtos extremamente valiosos:
Gás de Rua: Uma mistura de gases combustíveis ($H_2, CH_4$) que antigamente era usada para iluminar as cidades.
Alcatrão de Hulha: Um líquido preto e viscoso, riquíssimo em compostos aromáticos (benzeno, tolueno, naftaleno), que são a base para a produção de tintas, plásticos, medicamentos e explosivos.
Carvão Coque: Um resíduo sólido, quase carbono puro, usado nas siderúrgicas para reduzir o minério de ferro e produzir aço.
Essa seria uma informação que eu decoraria.
O carvão mineral se separa em turfa, hulha e antracito e a hulha é muito utilizada para produção de gás de rua, alcatrão e carvão coque.
3. Xisto Betuminoso
O xisto betuminoso (ou folhelho) é uma rocha sedimentar que contém matéria orgânica sólida chamada querogênio.
Pense nele como um "petróleo que não se formou completamente".
Como se extrai o óleo e o gás?
Para extrair a energia do xisto, a rocha precisa ser minerada e aquecida a altas temperaturas para que o querogênio se converta em um óleo semelhante ao petróleo (óleo de xisto).
Outra técnica, mais moderna e controversa, é o fraturamento hidráulico (fracking).
Nessa técnica a gente injeta uma mistura de água, areia e produtos químicos em altíssima pressão no subsolo para fraturar a rocha e liberar o gás de xisto que está preso nela.
Mas confesso que nunca vi questão sobre isso! É mais curiosidade.
O que é importante de fato saber sobre o xisto betuminoso é sua utilização e seus principais riscos ambientais.
O óleo de xisto serve para produção de combustíveis (gasolina, óleo diesel, gás combustível).
O gás de xisto serve para as mesmas coisas que o gás natural (GNV, combustíveis industriais).
Portanto, ele não é muito diferente dos que já vimos aqui.
Agora a sua exploração, principalmente pelo fracking, gera grandes preocupações ambientais.
Os principais riscos são a contaminação de lençóis freáticos com os produtos químicos utilizados no processo e o potencial de causar pequenos tremores de terra.
No próximo capítulo, vamos mudar completamente de cenário.
Deixaremos para trás os combustíveis fósseis, não renováveis, e vamos explorar as alternativas verdes e renováveis: os biocombustíveis.


