Os primeiros projetos de Unificação
1. A proposta republicano-popular de Giuseppe Mazzini
O primeiro projeto que a gente vai ver era o mais "raiz" de todos, liderado por um cara chamado Giuseppe Mazzini.
Ele era o chefe de um movimento chamado "Jovem Itália"
e defendia uma ideia super radical para a época:
a criação de uma república democrática.
A grande sacada de Mazzini era que a unificação devia vir do povo, de baixo para cima.
Ele acreditava que o povo italiano, com sua força e patriotismo,
deveria ser o protagonista dessa mudança.
O lema dele era "Deus e povo".
Ele não queria um rei ou um imperador mandando em tudo,
mas sim um país livre, onde todos tivessem voz.
Pra tentar colocar essa ideia em prática, grupos secretos como a Carbonária
e os próprios membros da Jovem Itália organizaram uma série de levantes.
Teve revolta em 1820, 1830 e, a mais famosa, em 1848,
que ficou conhecida como a "Primavera dos Povos".
Eles tentaram tomar o poder e proclamar repúblicas em várias cidades, incluindo Roma.
Eles até conseguiram alguns feitos, mas o final não foi feliz.
As revoltas foram brutalmente reprimidas pelas tropas austríacas e francesas.
A galera de Mazzini até tinha coragem,
mas não tinha força militar para lutar contra os grandes exércitos da Europa.
E o fato de o Papa ter pedido ajuda aos franceses e austríacos
para acabar com a bagunça nas suas terras fez com que
a ideia de uma unificação popular perdesse muita força.
2. A proposta confederativa e católica
A segunda proposta era bem diferente da primeira.
Ela não queria uma república e nem a participação popular.
Em vez disso, essa ideia defendia que a melhor forma de unificar a Itália seria
criar uma confederação de estados liderada pelo Papa.
Sim, o mesmo Papa que reprimiu as revoltas populares!
A ideia era simples: como a maioria dos italianos era católica
e o Papa era uma figura de enorme respeito,
por que não usar o poder e a influência da Igreja para juntar os reinos?
Assim, o Papa seria o chefe de uma "liga" de estados italianos.
Acontece que essa ideia foi caindo por terra com o tempo.
O Papa Pio IX, que no início parecia ser a favor de algumas reformas,
mudou de lado rapidinho
e se tornou um inimigo ferrenho da unificação depois das revoltas de 1848.
Ele viu que a unificação poderia colocar em risco o seu poder e as suas terras,
então ele se opôs a tudo.
E com o próprio líder se recusando a participar,
essa proposta simplesmente não tinha como dar certo.
3. O projeto federal monárquico do Piemonte
Com as duas primeiras ideias fracassando,
o caminho ficou aberto para a terceira proposta, que era a mais "pé no chão" e a mais forte.
Ela vinha do Reino de Piemonte-Sardenha,
que a gente viu no capítulo anterior, que era o mais desenvolvido e o único comandado por uma família italiana.
Essa proposta, liderada pelo rei Vítor Emanuel II
e seu primeiro-ministro Conde de Cavour,
defendia uma unificação monárquica, sob o comando do Piemonte.
A ideia deles não era fazer uma revolução popular,
mas sim uma unificação pela diplomacia e pela guerra.
O objetivo principal era econômico: juntar o país para que o comércio e a indústria prosperassem,
beneficiando a burguesia e a aristocracia do norte.
Por isso, a proposta era liberal, mas não democrática.
E foi essa proposta que acabou ganhando força.
Os fracassos das revoltas populares provaram que a unificação precisava ser liderada por um estado forte, com exército e recursos.
No próximo capítulo, a gente vai ver como Cavour e o Piemonte
usaram a diplomacia e a guerra para começar, de fato, a unificar a Itália.
4. As revoltas que tentaram e não conseguiram
Sabe aquela história de "tentar, tentar e tentar de novo"?
Foi bem isso que aconteceu com as primeiras tentativas de unificação da Itália.
A galera com a ideia mais popular de unificar o país,
como o pessoal da Carbonária e da Jovem Itália,
tinha muita paixão e coragem,
mas acabou esbarrando em um muro que era praticamente impossível de derrubar:
a força militar das potências estrangeiras.
A primeira onda de revoltas aconteceu em 1820.
A Carbonária, que era tipo uma sociedade secreta de revolucionários,
inspirada na Revolução Espanhola, conseguiu até fazer alguns movimentos no sul da Itália.
Eles chegaram a transformar o Reino das Duas Sicílias
em uma monarquia constitucional por um tempo.
Mas a alegria durou pouco.
As tropas da Áustria vieram com tudo e esmagaram a revolta,
provando que a Áustria não ia deixar a Itália fazer o que bem entendesse.
Depois, em 1830, a gente viu mais revoltas liberais,
dessa vez com a galera tentando proclamar repúblicas em lugares como os Estados Pontifícios.
Mas, de novo, a Áustria e agora a França,
que não queriam perder sua influência na região e a segurança do Papa,
entraram em ação.
O próprio Papa pediu ajuda para reprimir os movimentos.
O resultado? Mais um fracasso e mais gente morta.
Mas a maior e mais famosa tentativa foi em 1848.
Esse ano foi o da "Primavera dos Povos" na Europa, e o movimento de Mazzini,
a Jovem Itália, aproveitou o momento para tentar a sorte de novo.
Eles e Giuseppe Garibaldi (que a gente vai conhecer melhor depois) foram para cima e chegaram a proclamar a República Romana.
Por um momento, parecia que a unificação popular ia rolar de verdade.
Infelizmente, a história se repetiu.
A repressão foi violenta e brutal.
A Áustria e a França não deram trégua.
Centenas de parisienses foram mortos, e a onda de revoluções foi controlada.
O fracasso de 1848 foi um golpe final na ideia de que a unificação poderia vir do povo.
Ficou claro para todo mundo que, sem um exército forte e um plano bem organizado,
a galera patriota não ia conseguir vencer as grandes potências.
Essa série de fracassos, um atrás do outro,
serviu para mostrar que a unificação precisava de uma nova estratégia.
E é exatamente por isso que o projeto do Piemonte,
que era mais organizado e diplomático, acabou ganhando tanto destaque.


