Os primeiros projetos de Unificação

6 min de leituraHistória

1. A proposta republicano-popular de Giuseppe Mazzini

O primeiro projeto que a gente vai ver era o mais "raiz" de todos, liderado por um cara chamado Giuseppe Mazzini.

Ele era o chefe de um movimento chamado "Jovem Itália"

e defendia uma ideia super radical para a época:

a criação de uma república democrática.

A grande sacada de Mazzini era que a unificação devia vir do povo, de baixo para cima.

Ele acreditava que o povo italiano, com sua força e patriotismo,

deveria ser o protagonista dessa mudança.

O lema dele era "Deus e povo".

Ele não queria um rei ou um imperador mandando em tudo,

mas sim um país livre, onde todos tivessem voz.

Pra tentar colocar essa ideia em prática, grupos secretos como a Carbonária

e os próprios membros da Jovem Itália organizaram uma série de levantes.

Teve revolta em 1820, 1830 e, a mais famosa, em 1848,

que ficou conhecida como a "Primavera dos Povos".

Eles tentaram tomar o poder e proclamar repúblicas em várias cidades, incluindo Roma.

Eles até conseguiram alguns feitos, mas o final não foi feliz.

As revoltas foram brutalmente reprimidas pelas tropas austríacas e francesas.

A galera de Mazzini até tinha coragem,

mas não tinha força militar para lutar contra os grandes exércitos da Europa.

E o fato de o Papa ter pedido ajuda aos franceses e austríacos

para acabar com a bagunça nas suas terras fez com que

a ideia de uma unificação popular perdesse muita força.

2. A proposta confederativa e católica

A segunda proposta era bem diferente da primeira.

Ela não queria uma república e nem a participação popular.

Em vez disso, essa ideia defendia que a melhor forma de unificar a Itália seria

criar uma confederação de estados liderada pelo Papa.

Sim, o mesmo Papa que reprimiu as revoltas populares!

A ideia era simples: como a maioria dos italianos era católica

e o Papa era uma figura de enorme respeito,

por que não usar o poder e a influência da Igreja para juntar os reinos?

Assim, o Papa seria o chefe de uma "liga" de estados italianos.

Acontece que essa ideia foi caindo por terra com o tempo.

O Papa Pio IX, que no início parecia ser a favor de algumas reformas,

mudou de lado rapidinho

e se tornou um inimigo ferrenho da unificação depois das revoltas de 1848.

Ele viu que a unificação poderia colocar em risco o seu poder e as suas terras,

então ele se opôs a tudo.

E com o próprio líder se recusando a participar,

essa proposta simplesmente não tinha como dar certo.

3. O projeto federal monárquico do Piemonte

Com as duas primeiras ideias fracassando,

o caminho ficou aberto para a terceira proposta, que era a mais "pé no chão" e a mais forte.

Ela vinha do Reino de Piemonte-Sardenha,

que a gente viu no capítulo anterior, que era o mais desenvolvido e o único comandado por uma família italiana.

Essa proposta, liderada pelo rei Vítor Emanuel II

e seu primeiro-ministro Conde de Cavour,

defendia uma unificação monárquica, sob o comando do Piemonte.

A ideia deles não era fazer uma revolução popular,

mas sim uma unificação pela diplomacia e pela guerra.

O objetivo principal era econômico: juntar o país para que o comércio e a indústria prosperassem,

beneficiando a burguesia e a aristocracia do norte.

Por isso, a proposta era liberal, mas não democrática.

E foi essa proposta que acabou ganhando força.

Os fracassos das revoltas populares provaram que a unificação precisava ser liderada por um estado forte, com exército e recursos.

No próximo capítulo, a gente vai ver como Cavour e o Piemonte

usaram a diplomacia e a guerra para começar, de fato, a unificar a Itália.

4. As revoltas que tentaram e não conseguiram

Sabe aquela história de "tentar, tentar e tentar de novo"?

Foi bem isso que aconteceu com as primeiras tentativas de unificação da Itália.

A galera com a ideia mais popular de unificar o país,

como o pessoal da Carbonária e da Jovem Itália,

tinha muita paixão e coragem,

mas acabou esbarrando em um muro que era praticamente impossível de derrubar:

a força militar das potências estrangeiras.

A primeira onda de revoltas aconteceu em 1820.

A Carbonária, que era tipo uma sociedade secreta de revolucionários,

inspirada na Revolução Espanhola, conseguiu até fazer alguns movimentos no sul da Itália.

Eles chegaram a transformar o Reino das Duas Sicílias

em uma monarquia constitucional por um tempo.

Mas a alegria durou pouco.

As tropas da Áustria vieram com tudo e esmagaram a revolta,

provando que a Áustria não ia deixar a Itália fazer o que bem entendesse.

Depois, em 1830, a gente viu mais revoltas liberais,

dessa vez com a galera tentando proclamar repúblicas em lugares como os Estados Pontifícios.

Mas, de novo, a Áustria e agora a França,

que não queriam perder sua influência na região e a segurança do Papa,

entraram em ação.

O próprio Papa pediu ajuda para reprimir os movimentos.

O resultado? Mais um fracasso e mais gente morta.

Mas a maior e mais famosa tentativa foi em 1848.

Esse ano foi o da "Primavera dos Povos" na Europa, e o movimento de Mazzini,

a Jovem Itália, aproveitou o momento para tentar a sorte de novo.

Eles e Giuseppe Garibaldi (que a gente vai conhecer melhor depois) foram para cima e chegaram a proclamar a República Romana.

Por um momento, parecia que a unificação popular ia rolar de verdade.

Infelizmente, a história se repetiu.

A repressão foi violenta e brutal.

A Áustria e a França não deram trégua.

Centenas de parisienses foram mortos, e a onda de revoluções foi controlada.

O fracasso de 1848 foi um golpe final na ideia de que a unificação poderia vir do povo.

Ficou claro para todo mundo que, sem um exército forte e um plano bem organizado,

a galera patriota não ia conseguir vencer as grandes potências.

Essa série de fracassos, um atrás do outro,

serviu para mostrar que a unificação precisava de uma nova estratégia.

E é exatamente por isso que o projeto do Piemonte,

que era mais organizado e diplomático, acabou ganhando tanto destaque.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Os primeiros projetos de Unificação. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
Um plano de estudo montado pra onde você quer chegar.
Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.