Os Presidentes da Primeira República
Introdução
Sabe uma coisa que me dá muita raiva?
Quando os livros não trazem uma ordem cronológica dos presidentes.
Pode ser um problema muito individual.
Mas…você já sabe disso para ignorar a existência desse capítulo?
Se sim, você está mentindo.
E se não, vamos lá! Prometo que vai valer a pena.
Principalmente em História, ter uma noção geral das ordens dos acontecimentos ajuda muito a fixar o assunto!
Falo isso por experiência própria.
Inúmeras são as questões que respondi sabendo apenas o contexto da época.
Chega de enrolações!
1. A República da Espada (1889–1894)
1.1 Deodoro da Fonseca (1889–1891)
O primeiro presidente da República.
Militar de carreira e responsável por liderar o golpe que derrubou a Monarquia.
Mas, calma aí: Deodoro não era exatamente um republicano convicto.
Na verdade, ele era monarquista até bem pouco antes do golpe
— só decidiu apoiar a República porque estava insatisfeito com o governo imperial.
Mas sim, ele era amigo próximo de Dom Pedro Segundo.
Ele nem sabia direito o que estava fazendo quando declarou a independência do Brasil.
Só queria se livrar da pressão que estavam botando sobre ele.
Seu governo começou provisório, mas logo virou constitucional.
O problema?
Deodoro achava que governar o Brasil era como comandar um batalhão.
Tinha dificuldade de lidar com o Congresso,
fechou o Parlamento e instaurou o estado de sítio.
E, assim, enfrentou a Primeira Revolta da Armada.
Resultado? Perdeu apoio até dos militares... e renunciou em 1891.
Curiosidade?
Ele tinha ataques de asma fortíssimos.
Dizem que renunciou no meio de uma crise respiratória, num momento de puro cansaço e pressão.
Mas por favor, não vá escrever isso em uma prova dissertativa.
Atenção!
Você vai perceber que agora e nos próximos capítulos vão surgir uns termos meio diferentes, como estado de sítio.
E sempre que eles aparecerem vou explicar logo ao final do tópico, como nesse exato momento.
Estado de Sítio é uma medida extrema que suspende temporariamente alguns direitos e garantias individuais, como a liberdade de ir e vir,
a inviolabilidade do domicílio, o direito ao sigilo de correspondências, entre outros.
É tipo um “modo emergência” previsto na Constituição.
E porque Teodoro declarou Estado de Sítio?
Em poucas palavras: porque o governo dele estava por um fio, e ele queria manter o controle à força.
(Sugestão de recurso visual: retrato de Deodoro + linha do tempo da transição do Império para a República.)
1.2 Floriano Peixoto (1891–1894)
Conhecido como o “Marechal de Ferro”, Floriano era vice de Deodoro e assumiu contrariando a Constituição,
que dizia que, sem metade do mandato, teria que haver novas eleições.
Floriano não quis saber: ficou no poder e governou com mão de ferro.
Reprimiu a Revolta da Armada e a Revolução Federalista no Sul com bastante violência.
Curiosidade:
Apesar da rigidez, virou herói popular entre setores urbanos pobres. Era chamado de "salvador da República".
Tanto que o nome da cidade de Florianópolis foi dado em sua homenagem.
(Sugestão de recurso visual: mapa das revoltas durante o governo Floriano.)
2. República Oligárquica (1894–1930) – a do “Café com Leite”
2.1 Prudente de Morais (1894–1898)
O primeiro presidente civil do Brasil.
E por isso não foi muito bem recebido pelos militares após sua posse.
Ele era prudente até demais.
Era paulista, advogado, e representava o interesse das oligarquias do café.
Tentou pacificar o país, mas acabou enfrentando a Revolta de Canudos durante o seu mandato.
Era formal, correto, muito preocupado com a imagem institucional da República.
2.2 Campos Sales (1898–1902)
Campos Sales é o pai da "política dos governadores".
Aquela que virá a se tornar a política do café com leite.
Lembra?
O poder sempre alternando entre São Paulo e Minas Gerais.
Em resumo?
Um acordo entre o governo federal e as elites estaduais para manter tudo sob controle: quem estivesse aliado, ganhava prestígio.
Quem não estivesse... era limado.
Seu governo também marcou o início da política de austeridade fiscal.
Fechou um acordo com banqueiros ingleses (o "funding loan") e cortou gastos públicos.
Curiosidade:
Era tão focado em números que quase ninguém lembra de algo mais "humano" sobre ele.
(Sugestão de recurso visual: diagrama simples explicando a política dos governadores.)
2.3 Rodrigues Alves (1902–1906)
Se você acha que o Rio de Janeiro sempre foi essa cidade "bonita e cheia de cartões-postais", precisa saber que foi no governo dele que tudo mudou.
Rodrigues Alves reformou o centro do Rio, derrubou cortiços, abriu avenidas e começou a modernização da capital.
A época da Belle Époque brasileira.
Mas não sem causar sofrimento: milhares de pessoas pobres foram removidas à força de onde moravam.
E, com a campanha de vacinação do Oswaldo Cruz, enfrentou a Revolta da Vacina.
Curiosidade:
Por pouco não teve o apelido de “prefeito do Brasil” — tanta foi sua obsessão por reformas urbanas focadas apenas no Rio de Janeiro
(Sugestão visual: “antes e depois” do Rio com fotos de época.)
2.4 Afonso Pena (1906–1909)
Minas entra no jogo.
Afonso Pena era mineiro e foi o primeiro presidente negro do Brasil — embora nunca tenha se reconhecido como tal.
Queria progresso e desenvolvimento.
Estimulou a imigração europeia e a construção de ferrovias.
Seu governo foi interrompido pela sua morte.
2.5 Nilo Peçanha (1909–1910)
Vice de Afonso Pena, assumiu após sua morte.
Criou o Serviço de Proteção ao Índio, precursor da Funai.
Mulato e de origem humilde,
sua ascensão à presidência causou desconforto nas elites.
Curiosidade:
É o primeiro a realmente se engajar na questão indígena.
2.6 Hermes da Fonseca (1910–1914)
Militar novamente no poder.
Foi o presidente da "política das salvações", com diversas intervenções federais nos estados.
Reprimiu greves e descontentamentos sociais.
Seu governo foi marcado por instabilidade política.
Curiosidade:
Era sobrinho de Deodoro da Fonseca. O sobrenome não nega né.
2.7 Venceslau Brás (1914–1918)
Governou durante a Primeira Guerra Mundial.
Manteve o Brasil neutro até o fim do conflito, quando declarou guerra à Alemanha.
Foi também o presidente durante a epidemia de gripe espanhola, que matou milhares de brasileiros.
2.8 Delfim Moreira (1918–1919)
Assumiu interinamente após a morte de Rodrigues Alves
(que foi eleito, mas morreu antes de tomar posse).
Sofria de problemas mentais, e seu ministro do Interior governava por ele.
E por isso ficou conhecido como “presidente sombra”.
2.9 Epitácio Pessoa (1919–1922)
Primeiro presidente eleito fora do eixo SP-MG.
Paraibano, foi eleito enquanto ainda estava na Europa.
Durante seu governo, houve greves e forte repressão aos movimentos sociais.
Foi quando aconteceu a famosa Revolta do Forte de Copacabana.
2.10 Artur Bernardes (1922–1926)
Ele foi eleito em meio a fraudes eleitorais e uma crise política que já vinha se desenhando há algum tempo.
Tanto que no dia da posse, ele teve que discursar com o Congresso cercado pelo Exército!
Governou sob estado de sítio quase o mandato inteiro.
Enfrentou as revoltas tenentistas e mantinha o clima de guerra dentro do Brasil.
2.11 Washington Luís (1926–1930)
Frase célebre: "Governar é abrir estradas".
Foi deposto antes de terminar o mandato por romper o acordo da política do café com leite ao indicar Júlio Prestes como sucessor,
contrariando os mineiros.
Curiosidade:
Foi deposto a menos de um mês da posse do sucessor, e saiu dizendo: “Só saio aos pedaços!
(Sugestão de recurso visual: linha do tempo com todos os presidentes, destacando suas origens e feitos.)
3. República da Espada x República Oligárquica – o que muda?
Para você não esquecer nunca mais, olha só:
4. Pra fechar com chave de ouro…
Não é soneto camoniano, mas aqui vai:
Esse passeio pela presidência da Primeira República mostra como o Brasil estava tentando, ainda, se entender enquanto República.
E mostra também como as disputas de poder, a exclusão das maiorias e o jogo de interesses entre elites ajudaram a moldar o país do jeito que ele é até hoje.
Aaaa meu velho café com leite.
Agora que você conhece quem comandava o Brasil nesse período,
dá pra entender melhor as lutas e as revoltas que estavam acontecendo fora dos palácios, né?
No próximo capítulo, a gente continua esse papo.
Porque vem aí um Brasil onde o povo vai começar a gritar cada vez mais alto — e ninguém mais vai conseguir ignorar.
Obs: Quem entendeu a do soneto camoniano, meus parabéns! Você é um gênio!
Ou talvez nem tanto, mas me senti muito inteligente quando pensei nessa analogia.
