Os Portugueses
Mas e os portugueses?
Agora que você já sabe como os povos indígenas viviam antes da chegada dos portugueses. Mas enquanto isso... onde estavam os portugueses?
1. As Revoluções dos Séculos XIV e XV e o Caminho para as Grandes Navegações
Antes das Grandes Navegações, a Europa passou por mudanças profundas entre os séculos XIV e XV.
A crise do feudalismo, agravada pela Peste Negra, as revoltas camponesas e a Guerra dos Cem Anos, enfraqueceu a nobreza feudal.
O que abriu espaço para a consolidação dos Estados nacionais.
Com isso, Portugal e Espanha emergiram como reinos centralizados e ávidos por expansão territorial e comercial.
Aí você pode se perguntar: Mas isso aconteceu do nada?
Óbvio que não.
Ou melhor, porque essas duas nações?
Aí eu te pergunto:
Quem era a maior Instituição deste período?
Reflita e já já lhe digo a resposta .
Outro fator essencial foi o Renascimento, que trouxe inovações científicas e técnicas, como a bússola e o astrolábio, permitindo viagens mais longas e precisas.
Além disso, a busca por novas rotas comerciais, principalmente para contornar o monopólio muçulmano sobre o comércio oriental,
impulsionou as explorações marítimas.
A soma desses eventos criou o cenário ideal para as Grandes Navegações e a consequente chegada dos portugueses ao Brasil.
Mas calma aí, tá faltando alguma coisa…
Já falei sobre economia, tecnologia e evoluções de tudo quanto é jeito.
Mas cadê aquele instinto humano que só uma força maior consegue explicar…
Porque uns conseguiram e outros não…
Aquela vontade inexplicável de alcançar a verdade absoluta...
Ou melhor, bem melhor, a salvação divina?
Pois é, se você não percebeu até agora melhore.
Tá faltando a Igreja nesse quebra-cabeça.
2. A Formação dos Estados Ibéricos e a Influência da Igreja
Para entender o contexto da chegada dos portugueses ao Brasil,
precisamos olhar para a formação dos Estados ibéricos e a forte influência da Igreja Católica nesse processo.
Durante a Idade Média, a Península Ibérica passou séculos em guerra contra os muçulmanos, na chamada Reconquista Cristã.
E o resultado não poderia ser outro:
Portugal e Espanha nasceram como reinos fortemente ligados à fé católica.
Transformando a expansão territorial não apenas em uma busca por riquezas, mas também em uma missão religiosa.
Esse cenário se intensificou com a Contrarreforma.
Lembra das 95 Teses de Lutero?
Muito além de uma expansão territorial,a expansão marítima portuguesa foi movida pela fé.
Um instrumento da Igreja Cristã Católica para espalhar o catolicismo e combater a influência protestante.
Assim, a ocupação do Brasil, ainda que impulsionada por interesses econômicos, tinha raízes profundas na ideologia de salvação e evangelização.
Digamos assim: por isso que os indígenas não foram somente explorados, mas também catequizados.
3.O Espírito Cruzadístico e a Expansão Portuguesa
Além de tudo que já falei, os portugueses carregavam consigo um espírito cruzadístico.
Uma mentalidade cuja origem remete às Cruzadas de séculos antes.
A colonização do Brasil não era vista apenas como uma empresa comercial, mas como uma continuação da luta cristã contra os infieis, como já falei antes.
Essa visão justificava não só a catequização forçada dos povos indígenas, mas também a ideia de que a expansão portuguesa era parte de uma missão divina.
Sei que eu posso estar sendo um pouco repetitiva em certos pontos.
Mas esse termo“espírito cruzadístico” é muito importante para a compreensão de muitas questões.
Lembro perfeitamente de uma questão que fiz desse assunto cuja resposta era apenas “espírito cruzadístico”.
4. Transformações Sociais e Econômicas em Portugal
As Grandes Navegações não foram apenas resultado de avanços tecnológicos ou da busca por riquezas.
E nem só pela influência da Igreja.
Elas também foram impulsionadas por grandes mudanças dentro do próprio reino de Portugal.
Durante os séculos XIV e XV, o comércio cresceu significativamente, enriquecendo a burguesia mercantil, que passou a influenciar as decisões da Coroa.
Lembra da Revolução de Avis?
Não? Pois volte na parte de História Geral e dê uma revisada.
A centralização do poder real fortaleceu o absolutismo, e o Estado português passou a atuar diretamente na expansão marítima.
A nova economia global baseada no comércio ultramarino também reconfigurou a sociedade portuguesa.
A promessa de terras e riqueza nas colônias se tornou uma forma de aliviar tensões sociais e justificar a ocupação de novos territórios.
5. As Grandes Navegações e a Chegada de Cabral
Para entender como os portugueses chegaram ao Brasil, precisamos voltar um pouco no tempo e falar sobre as Grandes Navegações.
No século XV, Portugal e Espanha estavam disputando a exploração do Atlântico em busca de novas rotas comerciais.
Enquanto os espanhóis navegavam rumo ao oeste, chegando à América com Colombo.
Os portugueses exploravam a costa africana e tentavam contornar o continente rumo às Índias.
Foi nesse contexto que, em 1500, Pedro Álvares Cabral liderou uma expedição para as Índias, mas acabou "descobrindo" o Brasil.
Oficialmente, o desvio de sua rota foi atribuído a condições naturais, como ventos e correntes marítimas.
Mas há quem acredite que os portugueses já tinham informações sobre essas terras.
Cabral seguia a estratégia conhecida como Périplo Africano.
Uma tática de navegação que consistia em se afastar da costa africana e adentrar o Atlântico para pegar ventos mais favoráveis, facilitando a travessia.
Cabral, seguindo essa lógica, tentou otimizar a rota até as Índias, mas ao se afastar demais da costa africana, acabou avistando terras desconhecidas no dia 22 de abril de 1500.
Isso levanta a questão: teria sido um acaso ou Portugal já suspeitava da existência dessa nova terra?
Esse desvio intencional pode ter sido um fator determinante para o "descobrimento" do Brasil.
A ideia era seguir um trajeto mais eficiente para chegar às Índias, mas o contato com novas terras acabou mudando os rumos da história.
Você sabia? As Embarcações Portuguesas
As embarcações portuguesas utilizadas durante as Grandes Navegações eram verdadeiras obras de engenharia naval para a época.
Os principais tipos de navios incluíam as caravelas, leves e ágeis, ideais para exploração,
e as naus, embarcações maiores e mais robustas, usadas para transporte de mercadorias e tropas.
Esses navios não eram apenas meios de transporte, mas verdadeiras cidades flutuantes.
A bordo, além dos marinheiros e soldados, havia também mercadores, religiosos e até prostitutas, que faziam parte da tripulação de forma não oficial.
Outro detalhe curioso era o uso de animais vivos a bordo, como galinhas e porcos, para garantir alimento fresco durante as longas travessias.
Além disso, havia uma rígida hierarquia dentro das embarcações, com o capitão possuindo autoridade absoluta,
e as punições para insubordinação podendo ser brutais, incluindo açoites e até mesmo o enforcamento.
As condições de higiene eram precárias e o alimento era pouco.
Por isso, muitos morriam antes mesmo de chegar ao destino final.
Havia, inclusive, os navios chamados de Tumbeiros.
Nome dado às embarcações utilizadas no tráfico negreiro, devido às péssimas condições que levavam à morte de muitos cativos durante a viagem.
Os relatos sobre esses navios descrevem cenas de horror:
pessoas acorrentadas, falta de espaço, calor insuportável e epidemias que dizimaram centenas.
Momento Reflexão: A vontade para Schopenhauer e as Grandes Navegações
Me desculpe se viajei muito neste raciocínio, mas me sinto na obrigação de demonstrar ele...
As Grandes Navegações dos séculos XV e XVI foram movidas, em grande parte, pelo desejo — ou seja, pela vontade.
Os europeus queriam encontrar novas rotas comerciais, riquezas e territórios, movidos por uma ambição sem fim.
Essa busca por novas terras e recursos reflete bem o que Schopenhauer descreve:
A humanidade está sempre querendo mais, expandindo fronteiras e nunca satisfeita com o que já tem.
Temos também o aspecto religioso.
Os europeus justificavam a expansão marítima pela vontade de expandir a fé cristã, convertendo povos indígenas ao cristianismo.
Mas, se olharmos com o olhar de Schopenhauer,
isso poderia ser visto como mais um reflexo da vontade humana — o desejo de impor sua visão de mundo aos outros, movidos por um impulso que nunca se esgota.
Ou seja, tanto na religião quanto nas Grandes Navegações, podemos ver essa "vontade cega" em ação:
Um impulso incessante que move as pessoas, mas que nunca traz uma satisfação completa.




