Os Centros Urbanos e a Mobilidade Social

6 min de leituraHistória

1. O Desenvolvimento das Vilas e das Cidades Mineiras

Se tem uma coisa que a corrida do ouro fez foi transformar pequenos acampamentos improvisados em vilas e cidades movimentadas.

No início, os arraiais eram apenas pontos de apoio para os mineradores,

mas conforme o ouro começou a fluir (e os impostos também),

a Coroa portuguesa precisou organizar melhor a região.

Foi assim que nasceram centros urbanos como Vila Rica (atual Ouro Preto), Mariana, Sabára e Serro.

As ruas, no começo, eram tortuosas e lamacentas, mas logo surgiram igrejas, sobrados e prédios administrativos.

A cidade de Vila Rica se destacou como o centro político e econômico mais importante da capitania.

Nela ficava a Casa dos Contos, um edifício que funcionava como a Receita Federal da época:

ali se faziam os registros fiscais, era onde o ouro passava para ser fundido e onde os tributos eram cobrados.

Mas não se engane!

A vida nessas cidades não era fácil.

O crescimento desordenado e a falta de infraestrutura eram enormes problemas.

As casas eram construídas de madeira, adobe ou pau a pique, e as ruas mal tinham calçamento.

Enquanto a elite ostentava sobrados imponentes e roupas finas importadas, a população pobre se virava como podia, ou seja, a maioria.

A burocracia, claramente, também cresceu com o tempo.

O governo colonial encheu as cidades de funcionários públicos para fiscalizar o ouro, cobrar impostos e manter a ordem.

Para a Coroa, as Minas Gerais eram um cofre ambulante,

e garantir que cada grama de ouro fosse taxada era uma prioridade.

Outro fator essencial foi o desenvolvimento do comércio interno, sobre o qual já havia falado antes.

A necessidade de abastecimento das regiões mineradoras impulsionou o crescimento de vilas em áreas próximas,

como São Paulo, que se tornou um centro fornecedor de gado e alimentos.

O deslocamento de mercadorias era feito por tropas de burros e mulas,

e a pecuária cresceu para atender à demanda.

Essa dinâmica foi tão intensa que, em 1763,

a capital da colônia foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro,

que se consolidou como o principal porto de escoamento do ouro para Portugal.

Nesse sentido, as cidades mineiras foram muito mais do que simples pontos de exploração do ouro:

elas foram centros dinâmicos de cultura, economia e transformação social.

Você sabia? Pode é querer, mas não vai entrar!

A restrição da migração imposta pela Coroa em 1720

foi uma tentativa de conter o crescimento descontrolado da população nas regiões mineradoras.

O medo da Coroa era que o grande fluxo de pessoas resultasse em aumento do contrabando de ouro,

dificuldade na arrecadação de impostos e instabilidade social.

Para evitar isso, foram criadas barreiras nos principais caminhos que levavam às Minas Gerais, com registros e controle de entrada.

Essa política, no entanto, foi amplamente burlada,

já que muitos migrantes optaram por caminhos alternativos

(as chamadas "picadas") para fugir da fiscalização.

2. Mobilidade Social: A Sociedade Estratificada das Minas

Bem, sei que não deve tá fácil acompanhar todas essas mudanças de uma vez.

Mas todas elas são muito importantes para a compreensão do que eu vou chamar de mobilidade social!

É comum pensar que a sociedade mineradora era completamente travada, mas não é bem assim.

As Minas Gerais ofereceram oportunidades de mobilidade social que não existiam em outras partes da colônia.

Claro, ainda havia uma hierarquia bem definida:

no topo estavam os grandes proprietários de lavras, os contratadores de impostos e os altos funcionários da Coroa;

na base estavam os escravizados, que faziam o trabalho pesado da mineração.

Entre esses dois extremos, havia uma grande massa de trabalhadores livres, libertos e pequenos mineradores.

A alforria e a coartacão foram mecanismos essenciais para a mobilidade social.

Muitos escravizados conseguiam comprar sua liberdade parcelando o pagamento aos senhores.

Essa possibilidade gerou um grande número de negros forros,

que passaram a atuar em diversos setores: como artesãos,

pequenos comerciantes, tropeiros e até proprietários de lavras menores.

Os artesãos, por sinal, tiveram papel essencial na economia urbana.

Mestres entalhadores, carpinteiros, ferreiros, ourives, pintores e músicos eram profissões muito valorizadas.

O próprio Aleijadinho, que se tornou um dos maiores artistas do período,

era filho de um mestre de obras e de uma escravizada!

A arte e a arquitetura eram dominadas por esses profissionais, e muitos conseguiram ascender socialmente através de seu talento.

Enquanto isso, os grandes fazendeiros da região também lucravam,

fornecendo alimentos e gado para abastecer as cidades mineradoras.

O próprio governo incentivava o desenvolvimento da agropecuária para evitar crises de fome como a de 1713.


Mas como sempre, você já deve imaginar que nem tudo é flores.

Apesar das possibilidades de ascensão social, a desigualdade era brutal.

Enquanto os contratadores de impostos viviam em mansões luxuosas,

a maioria da população urbana enfrentava condições precárias.

3. O Barroco Mineiro e a Cultura Urbana

Se tem um estilo artístico que define esse período, é o Barroco.

A ostentação das igrejas mineiras e suas talhas douradas são um reflexo direto de uma sociedade em que o ouro estava por toda parte.

Mas o Barroco não era só luxo:

Ele também expressava religiosidade, emoção e, muitas vezes, o desejo de afirmação das irmandades.

Lembre que ele foi um estilo filho da Contra Reforma!

Em tal realidade, as ordens terceiras e irmandades tiveram um papel essencial na vida cultural e social.

Elas financiavam a construção das igrejas e promoviam festas religiosas espetaculares.

Algumas irmandades eram exclusivas para brancos ricos, como a Ordem Terceira de São Francisco,

enquanto outras, como a Irmandade do Rosário dos Pretos, eram formadas por negros escravizados e libertos.

E, claro, não podemos deixar de falar de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e de Manuel da Costa Ataíde.

Aleijadinho, com suas esculturas impressionantes, criou um estilo próprio, cheio de expressividade e dinamismo.

Já o mestre Ataíde trouxe cores vibrantes e influências africanas para suas pinturas, tornando-se um dos grandes nomes do barroco mineiro.

As procissões eram outro grande evento da vida urbana.

Durante essas celebrações, a cidade inteira se mobilizava:

as elites mostravam seu status carregando andores luxuosos, enquanto a população assistia e participava, cada um dentro do seu papel social.

Essas festas reforçavam as hierarquias,

mas também serviam para unir a comunidade em torno da fé e da tradição.

Você sabia? Primeiro uma ideologia e depois sua materialização

O estilo Barroco já era amplamente popular na Europa no século XVII, influenciando a arquitetura, a pintura e a literatura.

No Brasil, as primeiras manifestações barrocas surgiram na poesia e na produção literária,

mas foi só com o enriquecimento da colônia, impulsionado pelo ouro, que esse estilo começou a ganhar forma também nas construções e esculturas.

Igrejas luxuosas, talhas douradas e imagens sacras de grande expressividade passaram a marcar o cenário urbano das Minas Gerais,

tornando-se símbolos da ostentação e da religiosidade da época.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Os Centros Urbanos e a Mobilidade Social. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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