Origem da História enquanto uma ciência
1. A visão positivista da História
Lá pelo século XIX, a História se firmou como uma ciência, muito influenciada pelo Positivismo,
aquela corrente filosófica que buscava objetividade e comprovação em tudo.
O sociólogo Émile Durkheim foi uma das figuras centrais nesse pensamento.
A ideia era olhar para o passado com olhos "científicos" e pragmáticos, focando em fatos, documentos e provas concretas.
Parece bom, né?
Mas aí tem um porém:
Essa forma de estudar o passado acabou dando atenção quase exclusiva aos grandes feitos e aos personagens considerados “importantes”
(reis, generais, presidentes…)
E o povo? E o cotidiano das pessoas comuns?
Simplesmente ficou de fora.
Essa "História Tradicional" acabou sendo uma narrativa vista de cima para baixo, onde só os grandes acontecimentos políticos e diplomáticos tinham valor.
Historiadores como Leopold von Ranke, considerado o pai da História científica,
e Theodor Mommsen, conhecido por suas obras sobre Roma Antiga,
foram representantes desse modelo, acreditando que a missão do historiador era narrar o passado tal como ele realmente aconteceu.
Mas algo muito importante foi deixado de lado: Nós só vemos ideologia, nós vemos e interpretamos os acontecimentos segundo o nosso ponto de vista…
E justamente por isso que não existe somente “ uma História”,tal como defendido pelos positivistas.
2. A virada da Escola dos Annales
Foi só no século XX que isso começou a mudar, com uma galera nova chegando com outras ideias.
A principal delas? A Escola dos Annales, criada na França por Marc Bloch e Lucien Febvre.
Eles revolucionaram a forma de fazer História.
A proposta dos Annales era simples, mas poderosa: para entender o passado, não basta olhar só para os reis e guerras.
É preciso também entender o que comia o povo, como se organizavam as famílias, como as ideias e as culturas circulavam.
E, para isso, a História precisaria conversar com outras ciências, como a Sociologia, a Geografia, a Antropologia…
A Escola dos Annales, por sua vez, passou por três fases marcantes.
Na primeira geração, com Bloch e Febvre, a proposta era romper com a história factual e focar nos aspectos sociais e culturais.
Na segunda fase, o destaque vai para Fernand Braudel, que introduziu a ideia de "longa duração",
um jeito de estudar processos históricos lentos, como o clima, a economia e a geografia.
Já na terceira fase, nomes como Jacques Le Goff e Roger Chartier ampliaram ainda mais os temas da História,
trazendo à tona assuntos como mentalidades, cultura popular e práticas de leitura.
A partir daí nasceu o que a gente chama de “História Nova”: uma forma mais ampla e mais humana de olhar para o passado.
Uma História formada por inúmeras histórias.
3. Comparando: História Tradicional x História Nova
Vamos pensar em duas pinturas para visualizar essa diferença?
A História Tradicional seria como o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo — cheio de heróis, pompa, grandes eventos.
Já a História Nova se parece mais com “Os Quebradores de Pedras”, de Gustave Courbet — onde o foco está nas pessoas comuns e no cotidiano.
Pra facilitar ainda mais, olha essa comparação direta:
(Sugestão de recurso visual: indep. ou morte x os quebradores de nozes)
Guarda essa comparação com carinho, porque é o tipo de coisa que costuma aparecer direto nas provas!
