O Segundo Governo Vargas

4 min de leituraHistória

1. A volta dos que não foram!

Após ser deposto em 1945, Getúlio Vargas voltou ao poder em 1951, desta vez eleito democraticamente pelo voto direto.

Mas o cenário político e social era bem diferente do que ele havia deixado.

Vargas agora enfrentava uma oposição mais organizada,

um contexto internacional de Guerra Fria e uma população urbana mais mobilizada.

Mesmo assim, seu novo governo manteve o compromisso com a valorização do trabalhador e com o fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento.

Além da velha política de conciliação.

2. Campanha "O Petróleo é Nosso" e Criação da Petrobrás

Uma das principais bandeiras de Vargas nesse período foi a defesa do petróleo como patrimônio nacional.

A campanha "O Petróleo é Nosso", iniciada ainda em 1947,

ganhou força e mobilizou amplos setores da sociedade, culminando na criação da Petrobrás, em 1953.

A nova estatal nasceu com a missão de explorar, produzir, refinar e distribuir petróleo em território nacional.

A criação da Petrobrás foi uma vitória do nacionalismo econômico

e representou uma forte resistência à pressão de empresas estrangeiras que queriam atuar no setor petrolífero brasileiro.

3. Política Trabalhista e Nacionalismo Econômico

Getúlio Vargas voltou à Presidência com forte apoio dos trabalhadores e retomou sua política de valorização do trabalho.

A medida mais emblemática desse período foi o aumento de 100% do salário mínimo em 1954, o que gerou forte reação dos empresários e da oposição (claramente).


Além disso, ele também apostou no nacionalismo econômico.

Criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), em 1952,

com o objetivo de financiar grandes projetos de infraestrutura e industrialização do país.

O banco se tornaria, nos anos seguintes, um dos principais motores do desenvolvimento econômico brasileiro.

Outro ponto importante foi a Lei da Remessa de Lucros para o Exterior, que buscava limitar o quanto as empresas multinacionais podiam enviar para fora do Brasil.

Embora a legislação tenha tido origem ainda no governo Dutra, foi no governo Vargas que a discussão sobre essa regulamentação ganhou mais força.

Mas logo depois, essa medida econômica será barrada pela UDN.

4. O Atentado da Rua Tonelero e o Suicídio de Vargas


Sem conseguir conciliar os interesses divergentes, Vargas passou a sofrer uma sistemática oposição.

Em 5 de agosto de 1954, o jornalista e político Carlos Lacerda, um dos principais opositores de Vargas, sofreu um atentado na rua Tonelero, em Copacabana.

Ele sobreviveu, mas o atentado matou o major da Aeronáutica que fazia sua segurança.

As investigações ligaram o crime a membros da guarda pessoal de Vargas, e a crise política se agravou.

A pressão para a renúncia do presidente aumentou, especialmente por parte das Forças Armadas.

Enfraquecido politicamente e cercado por denúncias, Getúlio decidiu não ceder à pressão.

Vargas já havia dito: “Só morto sairei do Catete”.

Pois bem, no dia 24 de agosto de 1954, Vargas cometeu suicídio, no Palácio do Catete,

deixando uma carta-testamento em que acusava seus inimigos de sabotarem seu governo e o povo de ser a verdadeira razão de sua luta.

E isso, vai mudar totalmente o rumo das próximas eleições.

5. Reações Populares e Crise Institucional

Como você já deve imaginar, a morte de Vargas causou comoção nacional.

A carta-testamento de Vargas foi lida em rádio para todo o país e tornou-se um símbolo da luta entre povo e elites econômicas.

Multidões tomaram as ruas em diversas cidades, queimando jornais opositores e exigindo justiça.

O gesto extremo do presidente se transformou em um ato político e fortaleceu ainda mais seu legado junto às classes trabalhadoras.

O suicídio de Vargas evidenciou a crise institucional do país.

O governo perdeu apoio político e a oposição estava dividida entre o desejo de ocupar o poder e o temor de um levante popular.

A comoção popular foi tão forte que impediu qualquer tentativa de golpe naquele momento.

E quem assume o poder é o vice de Vargas, Café Filho, que era alinhado com a UDN.

Com isso, preciso que você entenda como o segundo governo Vargas foi marcado por

fortes tensões políticas, tentativas de fortalecimento da economia nacional e por um final trágico que mexeu com toda a nação.

No próximo capítulo, vamos explorar o conturbado governo de Café Filho e a presidência de Juscelino Kubitschek até a chegada de Jânio Quadros ao poder.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender O Segundo Governo Vargas. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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