O Neoliberalismo e o Consenso de Washington

4 min de leituraHistória

1. O que é o neoliberalismo? Origem e principais ideias

Lembra que eu falei que, com o fim da Guerra Fria, o capitalismo saiu como o grande vencedor?

Pois é, dentro do capitalismo, uma ideia em particular ganhou muita força nesse período: o neoliberalismo.

A palavra pode parecer difícil, mas o conceito é bem simples.

Imagina que o governo é um juiz num jogo de futebol.

O liberalismo clássico dizia que esse juiz mal deveria aparecer, deixando o jogo correr solto.

Já em boa parte do século XX, depois de todo o negócio com a crise de 1929, a ideia foi de que o juiz tinha que apitar muito,

dar cartão, marcar falta, e até entrar no campo para jogar junto, criando empresas estatais.

Esse juiz "super presente" seria o Estado de bem-estar social,

que cuidava da saúde, educação e outras coisas.

Aí, lá pela década de 1970, alguns economistas começaram a dizer que esse juiz estava atrapalhando o jogo.

Para eles, a economia cresceria muito mais se o governo parasse de se meter tanto, diminuísse os impostos e vendesse as empresas estatais para a iniciativa privada.

Essa nova versão do liberalismo, que queria menos "juiz" e mais "jogo" livre, foi chamada de neoliberalismo.

Seus principais defensores foram o economista Milton Friedman e o filósofo Friedrich Hayek.

As principais ideias do neoliberalismo são as seguintes.

Menos Estado:

O governo deve gastar menos e não se envolver tanto na economia.

Privatizações:

Vender empresas que são do governo (tipo as de energia ou telefonia) para empresas privadas.

Livre mercado:

Tirar barreiras para o comércio entre os países (como impostos sobre produtos importados).

(Sugestão de recurso visual: uma imagem simples comparando o "Estado de Bem-Estar Social" (um governo grande e ocupado com muitas tarefas) com o "Neoliberalismo" (um governo pequeno, focado apenas em ser "juiz" do mercado, com um símbolo de dólar ou cifrão ao lado de empresas privadas).

2. Adoção das políticas neoliberais no Terceiro Mundo

Se os anos 80 foram a década do neoliberalismo para países ricos como os Estados Unidos e a Inglaterra,

para os países em desenvolvimento — o que na época a gente chamava de Terceiro Mundo —, foi um desastre.

Foi a chamada "Década Perdida".

A gente já falou da crise da dívida, né?

Naquela época, a maioria dos países da América Latina estava super endividada.

Para conseguir novos empréstimos, eles precisavam da ajuda de organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BIRD).

E o que esses órgãos diziam? "Ok, a gente te ajuda, mas com uma condição:

você tem que seguir as nossas regras".

E adivinha só quais eram as regras? Exatamente as ideias neoliberais!

3. O papel do FMI e do Banco Mundial nas economias dependentes

Para a gente entender a força desses organismos,

vamos pensar neles como os "pais" que emprestam dinheiro para os "filhos" endividados.

Eles não emprestavam dinheiro de graça.

Para ter acesso ao crédito, os países tinham que assinar uma lista de exigências, que incluía:

  • Controlar a inflação.
  • Aumentar os juros.
  • Privatizar empresas estatais.
  • Abrir a economia para produtos estrangeiros.

Essas exigências ficaram conhecidas como o Consenso de Washington, que foi uma reunião, em 1990,

onde os países ricos e esses organismos financeiros definiram as regras do jogo para as nações em desenvolvimento.

A ideia por trás disso é que, se a gente seguisse todas essas regras, nossa economia iria decolar.

Mas, na prática, a história foi um pouco diferente.

(Sugestão de recurso visual: um quadro-resumo com o título "Receita do Consenso de Washington", listando as principais medidas com ícones para cada uma: uma moeda com um "↓" para desvalorização da moeda, uma mão tirando a mão de outra para privatização, um cadeado aberto para abertura comercial, etc.)

4. A década perdida na América Latina

O resultado da aplicação dessas políticas na América Latina foi... decepcionante.

Longe de representar a salvação,

a abertura de mercado e o avanço da tecnologia acabaram aumentando a dependência dos nossos países em relação às potências econômicas, como os Estados Unidos.

A gente viu a desigualdade social crescer e a pobreza aumentar.

A "Década Perdida" na América Latina é um nome triste,

mas que mostra a realidade de muitos países que adotaram o neoliberalismo sem conseguir o crescimento econômico prometido.

No Brasil, por exemplo, o governo de Fernando Henrique Cardoso foi o que mais consolidou essas ideias, com muitas privatizações e a estabilização da moeda.

Mas a insatisfação com esses resultados foi tão grande que, nas décadas seguintes,

um monte de países da América Latina começaram a eleger governos que queriam uma forma de fazer política e economia diferente.

Mas isso é assunto para outro capítulo!


Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

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