O Imperialismo na China

6 min de leituraHistória

1. O Sistema de Cantão e o Isolamento Chinês

A gente já viu que o Imperialismo europeu foi brutal na África.

Mas a dominação também chegou na Ásia,

um continente com impérios e culturas que existiam há milhares de anos.

A gente vai ver que a forma de dominação lá foi um pouco diferente, mas não menos violenta.

A China, até o século XIX, era um império poderoso,

mas com um contato muito restrito com os europeus.

Para manter esse controle e evitar a influência estrangeira,

o governo chinês criou o Sistema de Cantão em 1757.

Por esse sistema, o comércio com os europeus só podia acontecer em um único porto,

o de Cantão (hoje conhecido como Guangzhou).

Isso era ótimo para a China, porque ela era a grande vendedora de produtos como o chá,

a seda e a porcelana, mas comprava quase nada dos europeus.

O resultado? As potências europeias, principalmente a Inglaterra,

estavam perdendo muito dinheiro e queriam, de qualquer jeito,

quebrar essa barreira e abrir o mercado chinês.

2. A Primeira Guerra do Ópio (1840-1842)

A solução encontrada pelos ingleses para equilibrar a balança comercial foi terrível:

eles começaram a vender ópio, uma droga viciante, para os chineses.

A venda de ópio foi crescendo tanto que o governo chinês,

preocupado com a saúde e a moral da população,

proibiu o comércio e destruiu toneladas da droga no porto de Cantão.

Foi a gota d'água.

Em 1839, a Inglaterra declarou guerra à China, dando início à Primeira Guerra do Ópio.

A China não teve a menor chance contra a poderosa marinha britânica.

Foi derrotada e obrigada a assinar o humilhante Tratado de Nanquim (1842), que a obrigou a:

  • Abrir cinco portos ao comércio inglês.
  • Entregar a ilha de Hong Kong para o Reino Unido para sempre.
  • Pagar uma indenização enorme.

Você Sabia? Hong Kong

Hong Kong é uma região no sul da China que ficou famosa porque,

por muito tempo, não estava sob o controle chinês.

Isso começou em 1842, quando a China perdeu uma guerra para a Inglaterra e foi obrigada a ceder a ilha de Hong Kong.

Alguns anos depois, em 1860, a Inglaterra ganhou também a península de Kowloon.

Mais tarde, em 1898, os britânicos conseguiram um arrendamento de 99 anos dos chamados “Novos Territórios”, ou seja,

poderiam administrar essa área até 1997.

Quando esse prazo foi chegando ao fim,

a China exigiu a devolução de todo o território.

Para resolver a questão, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher

e o líder chinês Deng Xiaoping firmaram um acordo em 1984 chamado

“Um País, Dois Sistemas”.

Esse acordo dizia que, a partir de 1º de julho de 1997,

Hong Kong voltaria a fazer parte da China,

mas continuaria com várias características próprias:

manteria sua moeda, suas leis, seu sistema capitalista e suas liberdades civis, c

omo liberdade de imprensa e de expressão, por 50 anos — até 2047.

Na prática, parecia um bom equilíbrio: soberania chinesa, mas com autonomia local.

Porém, nos últimos anos, muita gente em Hong Kong passou a sentir que Pequim não estava respeitando esse combinado.

Em 2019, o governo local tentou aprovar uma lei que permitiria enviar pessoas suspeitas de crimes para serem julgadas na China continental.

O medo de que isso fosse usado contra opositores políticos gerou enormes protestos.

Em 2020, o governo chinês foi além e aprovou uma Lei de Segurança Nacional que criminalizou qualquer ato considerado subversivo.

Para muitos, esse foi o fim da autonomia prometida em 1997.

3. A Segunda Guerra do Ópio (1856-1860) e o Tratado de Tientsin

Mesmo com o Tratado de Nanquim, a Inglaterra continuava insatisfeita.

Eles queriam mais portos, mais acesso e, principalmente,

a legalização do comércio de ópio.

O pretexto para a guerra veio em 1856, com o chamado Incidente do Arrow.

O navio Arrow, que navegava com bandeira britânica, foi abordado por oficiais chineses que o acusavam de contrabando e pirataria.

Os marinheiros foram presos, e a bandeira britânica foi baixada.

Mesmo o navio sendo chinês,

a Inglaterra usou o incidente como um pretexto para declarar guerra à China.

A França se uniu aos britânicos, usando como desculpa a execução de um missionário francês.

Juntos, eles derrotaram a China novamente.

A guerra terminou com o Tratado de Tientsin (1858) e a Convenção de Pequim (1860),

que, dessa vez, legalizou oficialmente o comércio de ópio.

A partir de então, a China não podia mais proibir a venda da droga em seu território.

Os europeus também ganharam o direito de circular e pregar a religião cristã por todo o país,

o que abriu de vez as portas para o domínio estrangeiro.

4. As Rebeliões Internas e o Declínio do Império

Enquanto o Império Chinês era humilhado pelas potências ocidentais,

a situação interna estava caótica.

A pobreza, a fome e o ressentimento contra os estrangeiros levaram a revoltas gigantescas.

A Rebelião Taiping (1850-1864), por exemplo,

foi um levante enorme de camponeses que queriam o fim da monarquia e uma reforma agrária radical.

Ela foi tão grande que foi preciso a ajuda de exércitos europeus para ser reprimida.

A Rebelião dos Boxers (1898-1901) foi a última tentativa de salvar o império.

O movimento era formado por sociedades secretas que praticavam artes marciais

e se autodenominavam "Punhos Harmoniosos e Justiceiros" (Yihequan em chinês).

A imprensa estrangeira, ao ver os membros praticando artes marciais,

deu a eles o apelido de "Boxers".

Eles acreditavam que, com seus poderes místicos,

eram imunes às balas estrangeiras

e tinham como objetivo expulsar todos os estrangeiros da China

(óbvio que falo isso de uma forma meio idealizada, mas você entendeu o ponto)

e restaurar a honra do império.

Eles se uniram para atacar e massacrar europeus e chineses

que tinham se convertido ao cristianismo.

A revolta ganhou o apoio da Imperatriz da China,

e os "boxers" chegaram a sitiar as embaixadas estrangeiras em Pequim.

A resposta foi brutal.

Um exército internacional, formado por tropas da Alemanha, Áustria, França, Inglaterra, Itália, Japão, Rússia e Estados Unidos,

invadiu Pequim, esmagou a revolta e saqueou a cidade.

A Imperatriz fugiu, e a China foi obrigada a assinar um novo tratado que a condenou a pagar uma indenização gigantesca.

A derrota definitiva dos "boxers" foi a prova final do colapso do Império Chinês,

que acabou se tornando uma "colônia de todas as metrópoles".

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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