O Imperialismo na África

4 min de leituraHistória

1. A Partilha da África e a Conferência de Berlim

A gente viu no último capítulo como a Europa usou o imperialismo para dominar o mundo.

Agora, vamos ver como isso aconteceu na prática, começando pela África.

Foi um período de intensa exploração, violência

e desrespeito à história e às culturas do continente.

Até o século XIX, o contato dos europeus com a África se resumia, principalmente,

à exploração da costa para o comércio de escravos.

Mas com a Conferência de Berlim (1884-1885), as potências europeias aceleraram a dominação.

Eles se sentiram no direito de pegar o que quisessem,

e a África foi dividida como se fosse um bolo.

A França e o Reino Unido foram os países que mais pegaram territórios.

A França ficou com a maior parte do oeste e do norte do continente,

criando a África Ocidental Francesa (atuais Argélia, Tunísia, Senegal, etc.).

Já o Reino Unido se consolidou no leste e no sul, com colônias como o Egito, o Sudão, o Quênia e a África do Sul.

O projeto britânico era ambicioso: criar uma linha contínua de ferrovias que ligaria o Egito ao sul da África, dominando todo o caminho.

Outros países também entraram na briga.

Um dos casos mais chocantes foi o do Congo,

que se tornou posse pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica.

Ele explorou o território para extrair borracha de uma forma tão violenta que se estima que 10 milhões de pessoas morreram nas mãos dos colonizadores.

A Alemanha ficou com o Togo e Camarões,

e a Itália e a Espanha também conseguiram alguns territórios menores.

2. A Triste Realidade da Exploração de Recursos

A exploração não se resumia a recursos como borracha ou algodão.

A busca por minérios valiosos, como o ouro, diamantes e o cobre,

foi o que impulsionou muita da violência na África.

O caso mais extremo, como a gente viu no tópico anterior, foi o do Congo, onde a extração de borracha levou a um genocídio.

A riqueza desses minerais não trazia nenhum benefício para os países africanos,

e sim violência e miséria para o seu povo, que era forçado a trabalhar em condições análogas à escravidão.

A exploração de recursos do continente foi tão intensa que, a longo prazo, se tornou a base de problemas políticos e econômicos que persistem até hoje.

3. Resistências e a Exceção da Etiópia e da Libéria

É claro que o povo africano não aceitou a dominação de mãos beijadas.

Houve muita resistência e revoltas, como as que ocorreram na Argélia, contra os franceses, e no Sudão, contra os britânicos.

A Etiópia é o exemplo mais famoso de resistência vitoriosa.

Em 1896, o imperador etíope Menelik II liderou seu exército e derrotou os italianos na Batalha de Adwa.

Foi uma humilhação para a Itália e um símbolo de esperança para a África,

pois a Etiópia se tornou o único país a defender sua independência com sucesso.

O outro país que escapou da colonização foi a Libéria.

Ela foi fundada em 1822 por escravos libertos que voltaram dos Estados Unidos.

Os americanos, em tese, a protegiam,

o que fez com que os europeus não se atrevessem a invadi-la.

Momento Reflexão: O Legado do Imperialismo Hoje e as fronteiras artificiais

A partilha da África foi um dos eventos mais violentos e desumanos da história.

Ela criou um legado de desigualdade e de conflitos que, infelizmente,

ainda podemos ver hoje em dia.

A gente viu que as potências europeias desenharam as fronteiras como quiseram,

sem dar a mínima para a história,

a cultura e as divisões étnicas que já existiam por lá.

Eles juntaram povos inimigos em um mesmo país e separaram povos que viviam juntos há séculos.

O resultado?

Depois que os países africanos conseguiram a independência no século XX,

essas fronteiras artificiais se tornaram uma das principais causas de guerras civis,

genocídios e conflitos internos.

A exploração intensa de recursos e a destruição das economias locais deixaram muitos

países africanos em uma situação de pobreza e instabilidade política que perdura até hoje.


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