O Imperialismo na África
1. A Partilha da África e a Conferência de Berlim
A gente viu no último capítulo como a Europa usou o imperialismo para dominar o mundo.
Agora, vamos ver como isso aconteceu na prática, começando pela África.
Foi um período de intensa exploração, violência
e desrespeito à história e às culturas do continente.
Até o século XIX, o contato dos europeus com a África se resumia, principalmente,
à exploração da costa para o comércio de escravos.
Mas com a Conferência de Berlim (1884-1885), as potências europeias aceleraram a dominação.
Eles se sentiram no direito de pegar o que quisessem,
e a África foi dividida como se fosse um bolo.
A França e o Reino Unido foram os países que mais pegaram territórios.
A França ficou com a maior parte do oeste e do norte do continente,
criando a África Ocidental Francesa (atuais Argélia, Tunísia, Senegal, etc.).
Já o Reino Unido se consolidou no leste e no sul, com colônias como o Egito, o Sudão, o Quênia e a África do Sul.
O projeto britânico era ambicioso: criar uma linha contínua de ferrovias que ligaria o Egito ao sul da África, dominando todo o caminho.
Outros países também entraram na briga.
Um dos casos mais chocantes foi o do Congo,
que se tornou posse pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica.
Ele explorou o território para extrair borracha de uma forma tão violenta que se estima que 10 milhões de pessoas morreram nas mãos dos colonizadores.
A Alemanha ficou com o Togo e Camarões,
e a Itália e a Espanha também conseguiram alguns territórios menores.
2. A Triste Realidade da Exploração de Recursos
A exploração não se resumia a recursos como borracha ou algodão.
A busca por minérios valiosos, como o ouro, diamantes e o cobre,
foi o que impulsionou muita da violência na África.
O caso mais extremo, como a gente viu no tópico anterior, foi o do Congo, onde a extração de borracha levou a um genocídio.
A riqueza desses minerais não trazia nenhum benefício para os países africanos,
e sim violência e miséria para o seu povo, que era forçado a trabalhar em condições análogas à escravidão.
A exploração de recursos do continente foi tão intensa que, a longo prazo, se tornou a base de problemas políticos e econômicos que persistem até hoje.
3. Resistências e a Exceção da Etiópia e da Libéria
É claro que o povo africano não aceitou a dominação de mãos beijadas.
Houve muita resistência e revoltas, como as que ocorreram na Argélia, contra os franceses, e no Sudão, contra os britânicos.
A Etiópia é o exemplo mais famoso de resistência vitoriosa.
Em 1896, o imperador etíope Menelik II liderou seu exército e derrotou os italianos na Batalha de Adwa.
Foi uma humilhação para a Itália e um símbolo de esperança para a África,
pois a Etiópia se tornou o único país a defender sua independência com sucesso.
O outro país que escapou da colonização foi a Libéria.
Ela foi fundada em 1822 por escravos libertos que voltaram dos Estados Unidos.
Os americanos, em tese, a protegiam,
o que fez com que os europeus não se atrevessem a invadi-la.
Momento Reflexão: O Legado do Imperialismo Hoje e as fronteiras artificiais
A partilha da África foi um dos eventos mais violentos e desumanos da história.
Ela criou um legado de desigualdade e de conflitos que, infelizmente,
ainda podemos ver hoje em dia.
A gente viu que as potências europeias desenharam as fronteiras como quiseram,
sem dar a mínima para a história,
a cultura e as divisões étnicas que já existiam por lá.
Eles juntaram povos inimigos em um mesmo país e separaram povos que viviam juntos há séculos.
O resultado?
Depois que os países africanos conseguiram a independência no século XX,
essas fronteiras artificiais se tornaram uma das principais causas de guerras civis,
genocídios e conflitos internos.
A exploração intensa de recursos e a destruição das economias locais deixaram muitos
países africanos em uma situação de pobreza e instabilidade política que perdura até hoje.


