O Iluminismo na Prática: Reis "Esclarecidos" e os Limites das Ideias
1. Os Reis Que Tentaram se "Iluminar": O Despotismo Esclarecido
A gente já explorou o que foi o Iluminismo, suas ideias poderosas sobre razão, liberdade e direitos, e até as diferenças entre os pensadores.
Mas agora, a pergunta que não quer calar é: como essas ideias foram parar na prática? Será que os reis e governantes realmente abraçaram essa "luz da razão"?
Sabe, a maioria dos iluministas não queria uma revolução violenta para derrubar os reis.
Eles preferiam a reforma, ou seja, que as mudanças acontecessem "de cima para baixo",
com os próprios governantes adotando as ideias de razão e progresso.
Foi aí que surgiu um movimento chamado Despotismo Esclarecido
(ou, como alguns preferem, Reformismo Ilustrado).
Parece um nome estranho, né? "Déspota" é um tirano, alguém que manda em tudo.
E "esclarecido" vem de Iluminismo, de luz.
É uma mistura meio esquisita, mas faz sentido!
A ideia era que alguns reis e rainhas da Europa, inspirados pelas ideias iluministas, começassem a governar de um jeito mais "racional".
Eles se viam como o "primeiro servidor do Estado",
ou seja, não estavam ali só para seus próprios luxos, mas para trabalhar pelo bem do reino, aumentar a riqueza e a eficiência do país.
Eles queriam modernizar tudo!
(Sugestão de recurso visual: Um mapa da Europa com alguns dos países que tiveram déspotas esclarecidos destacados, como Prússia, Rússia, Áustria, Portugal e Espanha. Pode-se usar ícones de coroa com uma lâmpada para simbolizar o "rei iluminado" em cada país.)
2. Exemplos de Reformas (e Contradições!)
Vários monarcas tentaram aplicar essas ideias. Olha alguns exemplos...
Frederico II da Prússia:
Ele era superamigo de Voltaire (um dos iluministas mais famosos!) e se considerava um rei "filósofo".
Ele aboliu algumas barreiras comerciais internas, estimulou a indústria e até construiu canais.
Mas, ao mesmo tempo, ele não abriu mão do seu poder absoluto e até favoreceu a nobreza, mantendo a exploração da mão de obra servil (que não era nada iluminista, né?).
Catarina, a Grande da Rússia:
Ela também trocava cartas com Diderot e Voltaire.
Prometeu um monte de reformas, como a abolição da servidão, mas na prática, a situação dos camponeses até piorou em seu reinado.
Ela modernizou algumas coisas, mas manteve seu poder absoluto.
Marquês de Pombal em Portugal:
Ele foi o secretário de Estado do rei D. José I e promoveu reformas importantes em Portugal e suas colônias (inclusive no Brasil!).
Modernizou a educação (expulsando os jesuítas e reformando a Universidade de Coimbra), a burocracia e o comércio.
Carlos III da Espanha:
Também fez reformas para modernizar a administração e aumentar o controle sobre as colônias na América, o que, ironicamente, acabou gerando mais insatisfação por lá.
Percebe que, apesar de tentarem ser "esclarecidos",
esses reis não abriam mão do seu poder absoluto.
Eles queriam as reformas que aumentassem a riqueza e a eficiência do reino,
mas sem perder o controle.
Era uma mistura de ideias novas com a velha forma de governar.
Por isso, a gente diz que tinha muitas contradições nesse tal de despotismo esclarecido!
3. A Terra é a Riqueza? Os Fisiocratas e a Liberdade Econômica
Dentro desse contexto de buscar a riqueza dos reinos, surgiu um grupo de economistas franceses chamados fisiocratas.
Eles tinham uma ideia bem clara: a verdadeira fonte de riqueza de uma sociedade era a terra e a exploração dos seus recursos (agricultura, pesca, mineração).
Para eles, o comércio e a indústria só transformavam e faziam a riqueza circular,
mas a origem de tudo estava na natureza.
A máxima mais famosa deles era: "Laissez faire, laissez passer, le monde va lui même",
que significa "Deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si mesmo".
O que eles queriam dizer com isso?
Que o Estado (o governo) não deveria se meter tanto na economia,
com um monte de regras, monopólios e impostos.
Eles defendiam a liberdade econômica, acreditando que, se o mercado fosse livre, a riqueza fluiria naturalmente e a sociedade prosperaria.
Essa ideia de liberdade econômica influenciou muito outros pensadores importantes, como o Adam Smith, que a gente vai ver em outros capítulos.
(Sugestão de recurso visual: Um ícone de um campo verde com uma planta crescendo e um cifrão, ou uma balança com "terra" de um lado e "ouro" do outro, para representar a ideia fisiocrata da riqueza vinda da terra.)
4. As Ideias Que Inspiraram Revoluções (e Seus Limites)
As ideias do Iluminismo,
mesmo com suas contradições e os limites dos "déspotas esclarecidos", foram um combustível poderoso para as grandes transformações que viriam.
As ideias dos iluministas radicais, por exemplo, de liberdade, igualdade e direito de resistir à tirania, inspiraram diretamente revoluções como a Independência do Haiti,
onde escravizados lutaram por sua liberdade!
E a Revolução Francesa, que explodiria no final do século XVIII.
(Sugestão de recurso visual: Um ícone de uma tocha ou uma bandeira revolucionária, ou uma imagem simbólica de uma revolução, para representar a influência do Iluminismo.)
Mas é super importante a gente lembrar dos limites do Iluminismo.
Apesar de falarem em "direitos universais", muitas vezes essa universalidade não incluía todo mundo.
Como a gente viu, nem todos defendiam o voto para mulheres, para os mais pobres ou para os negros escravizados.
John Locke, por exemplo, um dos pais dos direitos naturais, lucrava com a escravidão!
Isso nos mostra que, mesmo em movimentos que buscam a luz e o progresso,
existem contradições e que a luta por direitos e por uma sociedade mais justa é um processo contínuo,
que vai muito além das ideias de uma única época.
E aí, deu pra entender como as ideias iluministas foram colocadas em prática (e quais foram os desafios e limites disso)?
Percebe como a história é cheia de nuances e que nem tudo é preto no branco?