O Iluminismo na Prática: Reis "Esclarecidos" e os Limites das Ideias

5 min de leituraHistória

1. Os Reis Que Tentaram se "Iluminar": O Despotismo Esclarecido

A gente já explorou o que foi o Iluminismo, suas ideias poderosas sobre razão, liberdade e direitos, e até as diferenças entre os pensadores.

Mas agora, a pergunta que não quer calar é: como essas ideias foram parar na prática? Será que os reis e governantes realmente abraçaram essa "luz da razão"?

Sabe, a maioria dos iluministas não queria uma revolução violenta para derrubar os reis.

Eles preferiam a reforma, ou seja, que as mudanças acontecessem "de cima para baixo",

com os próprios governantes adotando as ideias de razão e progresso.

Foi aí que surgiu um movimento chamado Despotismo Esclarecido

(ou, como alguns preferem, Reformismo Ilustrado).

Parece um nome estranho, né? "Déspota" é um tirano, alguém que manda em tudo.

E "esclarecido" vem de Iluminismo, de luz.

É uma mistura meio esquisita, mas faz sentido!

A ideia era que alguns reis e rainhas da Europa, inspirados pelas ideias iluministas, começassem a governar de um jeito mais "racional".

Eles se viam como o "primeiro servidor do Estado",

ou seja, não estavam ali só para seus próprios luxos, mas para trabalhar pelo bem do reino, aumentar a riqueza e a eficiência do país.

Eles queriam modernizar tudo!

(Sugestão de recurso visual: Um mapa da Europa com alguns dos países que tiveram déspotas esclarecidos destacados, como Prússia, Rússia, Áustria, Portugal e Espanha. Pode-se usar ícones de coroa com uma lâmpada para simbolizar o "rei iluminado" em cada país.)

2. Exemplos de Reformas (e Contradições!)

Vários monarcas tentaram aplicar essas ideias. Olha alguns exemplos...

Frederico II da Prússia:

Ele era superamigo de Voltaire (um dos iluministas mais famosos!) e se considerava um rei "filósofo".

Ele aboliu algumas barreiras comerciais internas, estimulou a indústria e até construiu canais.

Mas, ao mesmo tempo, ele não abriu mão do seu poder absoluto e até favoreceu a nobreza, mantendo a exploração da mão de obra servil (que não era nada iluminista, né?).

Catarina, a Grande da Rússia:

Ela também trocava cartas com Diderot e Voltaire.

Prometeu um monte de reformas, como a abolição da servidão, mas na prática, a situação dos camponeses até piorou em seu reinado.

Ela modernizou algumas coisas, mas manteve seu poder absoluto.

Marquês de Pombal em Portugal:

Ele foi o secretário de Estado do rei D. José I e promoveu reformas importantes em Portugal e suas colônias (inclusive no Brasil!).

Modernizou a educação (expulsando os jesuítas e reformando a Universidade de Coimbra), a burocracia e o comércio.

Carlos III da Espanha:

Também fez reformas para modernizar a administração e aumentar o controle sobre as colônias na América, o que, ironicamente, acabou gerando mais insatisfação por lá.

Percebe que, apesar de tentarem ser "esclarecidos",

esses reis não abriam mão do seu poder absoluto.

Eles queriam as reformas que aumentassem a riqueza e a eficiência do reino,

mas sem perder o controle.

Era uma mistura de ideias novas com a velha forma de governar.

Por isso, a gente diz que tinha muitas contradições nesse tal de despotismo esclarecido!

3. A Terra é a Riqueza? Os Fisiocratas e a Liberdade Econômica

Dentro desse contexto de buscar a riqueza dos reinos, surgiu um grupo de economistas franceses chamados fisiocratas.

Eles tinham uma ideia bem clara: a verdadeira fonte de riqueza de uma sociedade era a terra e a exploração dos seus recursos (agricultura, pesca, mineração).

Para eles, o comércio e a indústria só transformavam e faziam a riqueza circular,

mas a origem de tudo estava na natureza.

A máxima mais famosa deles era: "Laissez faire, laissez passer, le monde va lui même",

que significa "Deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si mesmo".

O que eles queriam dizer com isso?

Que o Estado (o governo) não deveria se meter tanto na economia,

com um monte de regras, monopólios e impostos.

Eles defendiam a liberdade econômica, acreditando que, se o mercado fosse livre, a riqueza fluiria naturalmente e a sociedade prosperaria.

Essa ideia de liberdade econômica influenciou muito outros pensadores importantes, como o Adam Smith, que a gente vai ver em outros capítulos.

(Sugestão de recurso visual: Um ícone de um campo verde com uma planta crescendo e um cifrão, ou uma balança com "terra" de um lado e "ouro" do outro, para representar a ideia fisiocrata da riqueza vinda da terra.)

4. As Ideias Que Inspiraram Revoluções (e Seus Limites)

As ideias do Iluminismo,

mesmo com suas contradições e os limites dos "déspotas esclarecidos", foram um combustível poderoso para as grandes transformações que viriam.

As ideias dos iluministas radicais, por exemplo, de liberdade, igualdade e direito de resistir à tirania, inspiraram diretamente revoluções como a Independência do Haiti,

onde escravizados lutaram por sua liberdade!

E a Revolução Francesa, que explodiria no final do século XVIII.

(Sugestão de recurso visual: Um ícone de uma tocha ou uma bandeira revolucionária, ou uma imagem simbólica de uma revolução, para representar a influência do Iluminismo.)

Mas é super importante a gente lembrar dos limites do Iluminismo.

Apesar de falarem em "direitos universais", muitas vezes essa universalidade não incluía todo mundo.

Como a gente viu, nem todos defendiam o voto para mulheres, para os mais pobres ou para os negros escravizados.

John Locke, por exemplo, um dos pais dos direitos naturais, lucrava com a escravidão!

Isso nos mostra que, mesmo em movimentos que buscam a luz e o progresso,

existem contradições e que a luta por direitos e por uma sociedade mais justa é um processo contínuo,

que vai muito além das ideias de uma única época.

E aí, deu pra entender como as ideias iluministas foram colocadas em prática (e quais foram os desafios e limites disso)?

Percebe como a história é cheia de nuances e que nem tudo é preto no branco?


Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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