O governo presidencial de João Goulart

5 min de leituraHistória

1. O que eram as Reformas de Base?

Depois da retomada dos poderes presidenciais com o plebiscito de 1963, João Goulart voltou com tudo.

Mas, junto com ele, voltaram também os grandes dilemas:

Como governar um país dividido, com uma economia cambaleante e com setores da sociedade se organizando em lados opostos?

Foi nesse cenário turbulento que surgiram as Reformas de Base,

uma tentativa de transformar a estrutura social e econômica do Brasil.

As reformas de base defendidas por Jango não eram poucas, e tampouco simples:

  • Reforma agrária: desapropriação de grandes latifúndios improdutivos, com indenização em títulos da dívida pública, para distribuição de terra a camponeses.
  • Reforma urbana: controle do aluguel, planejamento das cidades e combate à especulação imobiliária.
  • Reforma bancária: maior controle do sistema financeiro, com criação de um banco central e regulamentação do crédito.
  • Reforma universitária: modernização do ensino superior e democratização do acesso.
  • Reforma eleitoral: direito ao voto para analfabetos e soldados de baixa patente, além da legalização do Partido Comunista.

Acho que nem preciso falar que a elite não ficou nada satisfeita com essa proposta né?

As elites não tinham como parar as Reformas de Base… Jango tinha o apoio da maioria do Congresso…


Momento Reflexão: A terra

“Tirem a Deus de um camponês, e ele vai se ajoelhar diante da terra.”

Foi Dostoiévski quem disse isso.

E não foi à toa.

Ele sabia que a terra tem um peso simbólico e material enorme.

Ela não é só chão. Ela é comida, é refúgio, é segurança.

É poder.

Ao longo da história, cada vez que os de baixo tentaram colocar as mãos na terra, o mundo tremeu.

Lá na Roma Antiga, os irmãos Graco tentaram dividir terras públicas entre os pobres.

Resultado? Assassinato e repressão.

Na Europa da Reforma, os anabatistas acreditavam que a terra deveria ser comum — um bem coletivo, sem dono fixo.

Sonho bonito, né? Mas que acabou afogado em sangue.

E quando os camponeses franceses da Jacquerie se rebelaram contra os nobres, cansados de impostos e exploração, também foram massacrados.

Parece que mexer na terra é mexer num vespeiro.

E talvez seja por isso que Dostoiévski viu na terra um objeto de devoção.

Afinal, se ela garante a vida, quem controla a terra controla tudo.

Agora, pensa comigo:

Por que, em tantas épocas e lugares diferentes, os mais pobres se arriscaram tanto pra tentar mudar quem detém a terra?

E por que, quase sempre, foram derrotados?

A pergunta que fica é:

Será que a terra sempre vai ser mais sagrada para quem manda do que para quem trabalha nela?

2. O campo se mobiliza

No campo, as Ligas Camponesas, lideradas por Francisco Julião, ganhavam força.

Inicialmente, atuavam dentro da legalidade, levando disputas para os tribunais.

Mas, com o tempo, parte do movimento radicalizou e passou a falar em reforma agrária "na lei ou na marra".

Francisco Julião era deputado estadual quando começou a atuar com os camponeses e usava os tribunais para transformar conflitos sociais em conflitos jurídicos.

Outra força importante foi a Igreja Católica, que, dividida, também atuava no campo.

Um de seus braços mais eficazes foi o Movimento de Educação de Base (MEB), inspirado nos métodos de Paulo Freire,

que usava rádios e cartilhas para alfabetizar e conscientizar a população rural.

O objetivo? Formar cidadãos capazes de lutar por seus direitos.

Infelizmente, a mobilização também trouxe repressão.

Líderes foram perseguidos, presos ou mortos, como o caso de João Pedro Teixeira, da Paraíba.

Momento Reflexão: A práxis educadora

Você já pensou que aprender pode ser um ato de rebeldia?

Pra muita gente, escola é só lugar de decorar regra e passar em prova.

Mas pra Paulo Freire, educar era bem mais que isso.

Educar era libertar.

Pra ele, a educação não devia ser uma via de mão única, onde o professor “derrama” conteúdo e o aluno “absorve” quieto.

Essa era a chamada educação bancária, que ele tanto criticava.

No lugar disso, Freire defendia a praxis educadora: uma união entre ação e reflexão.

Ou seja: o aluno pensa, age sobre sua realidade e volta a pensar — e esse ciclo nunca para.

Mas por que isso é tão revolucionário?

Porque, quando o aluno reflete sobre o mundo que vive, ele começa a entender as injustiças ao redor.

E quando ele entende, ele questiona.

E quando questiona, ele age.

Por isso, a educação de Paulo Freire incomodou tanta gente poderosa.

Ela ensinava o oprimido a deixar de ser oprimido.

Ensinava a enxergar o mundo como algo que pode — e deve — ser transformado.

Então, a pergunta que a gente pode fazer é:

Você está estudando só pra passar de ano?

Ou está estudando pra entender o mundo e mudar ele com suas próprias mãos?

3. A organização das esquerdas

A pressão por mudanças vinha também das cidades.

CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), UNE (União Nacional dos Estudantes), sindicatos e partidos de esquerda formaram uma frente ampla para defender as reformas.

Greves se multiplicavam, e a inflação aumentava o descontentamento popular.

O problema? Esse mesmo movimento que empurrava as reformas também assustava parte da sociedade.

Muitos viam ali o risco de uma revolução comunista.

4. Como o IPES articulou o golpe

Enquanto Jango e seus aliados se organizavam, os setores conservadores faziam o mesmo.

O IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) foram peças-chave na articulação do golpe de 1964.

Essas instituições:

  • Financiavam campanhas eleitorais de candidatos conservadores;
  • Espalhavam propagandas anticomunistas por todo o país;
  • Recebiam apoio e dinheiro da CIA;
  • Mantinham contato direto com militares e intelectuais ligados à Escola Superior de Guerra (ESG), que defendia o conceito de "guerra interna" como forma de combater o comunismo.

A ESG foi inspirada no National War College dos Estados Unidos e ajudou a criar a doutrina militar que justificaria a ditadura.


Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender O governo presidencial de João Goulart. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
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