O governo parlamentarista de João Goulart

3 min de leituraHistória

1. A resistência liderada por Brizola

Após a inesperada renúncia de Jânio Quadros, o Brasil mergulhou em uma crise política sem precedentes.

Era esperado que o vice-presidente João Goulart, do PTB, assumisse o cargo.

No entanto, os militares se opuseram fortemente à sua posse, temendo seu alinhamento com os sindicatos,

sua relação com os comunistas e sua inclinação pelas reformas de base.

Do outro lado do país, no Rio Grande do Sul, Leonel Brizola,

então governador do estado e cunhado de Jango, se mobilizou em defesa da legalidade constitucional.

Brizola usou a estrutura do governo gaúcho para criar uma rede de resistência e deu início à famosa Campanha da Legalidade.

Através da Rádio da Legalidade, transmitindo direto dos porões do Palácio Piratini,

Brizola convocava o povo à mobilização e articulava apoio nas Forças Armadas, principalmente no 3º Exército, que apoiava a posse de Jango.

O país ficou à beira de uma guerra civil.

O que pensavam os dois lados?

  • Os militares e a UDN viam Jango como uma ameaça comunista e chegaram a ameaçar prendê-lo caso retornasse ao país.
  • Brizola e os legalistas defendiam o cumprimento da Constituição e o direito do vice assumir.

Mesmo com o ministro da Guerra prendendo o general Lott para impedir reações, Brizola conseguiu mobilizar um amplo apoio popular.

No Rio de Janeiro, o marechal Lott também publicou manifesto defendendo a ordem constitucional.

A UNE, sindicatos e rádios regionais se uniram ao movimento, e até governadores como Mauro Borges, de Goiás, se colocaram ao lado da legalidade.

2. A solução de compromisso: o parlamentarismo

Para evitar um confronto armado, foi costurado um acordo político:

Jango assumiria, mas com poderes limitados, dentro de um regime parlamentarista.

A presidência continuaria existindo, mas quem governaria de fato seria o primeiro-ministro, indicado com aval do Congresso.

A proposta foi levada a Jango em Montevidéu por Tancredo Neves, que desempenhou papel central na negociação.

Jango, mesmo contrariado, aceitou a solução para evitar uma guerra civil.

Brizola discordava, queria que Jango marchasse até Brasília com apoio popular e militar, mas foi vencido.

No dia 7 de setembro de 1961, João Goulart tomou posse em clima tenso, mas com o respaldo da nova estrutura institucional parlamentarista.

3. O Governo Parlamentarista: uma engrenagem emperrada

O primeiro-ministro escolhido foi Tancredo Neves, político do PSD, respeitado e habilidoso.

Seu gabinete, chamado de gabinete de conciliação nacional, incluía membros do PSD, PTB e até da UDN.

Apesar disso, o governo enfrentava enormes dificuldades:

  • A inflação continuava alta.
  • Havia grande instabilidade política.
  • Jango, como presidente, tinha pouco poder de fato.

A relação com o Congresso era frágil e os gabinetes caíam com frequência.

Foram três primeiros-ministros em apenas 16 meses.

O parlamentarismo, imposto às pressas, mostrava-se ineficaz.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender O governo parlamentarista de João Goulart. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
Um plano de estudo montado pra onde você quer chegar.
Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.