O governo parlamentarista de João Goulart
1. A resistência liderada por Brizola
Após a inesperada renúncia de Jânio Quadros, o Brasil mergulhou em uma crise política sem precedentes.
Era esperado que o vice-presidente João Goulart, do PTB, assumisse o cargo.
No entanto, os militares se opuseram fortemente à sua posse, temendo seu alinhamento com os sindicatos,
sua relação com os comunistas e sua inclinação pelas reformas de base.
Do outro lado do país, no Rio Grande do Sul, Leonel Brizola,
então governador do estado e cunhado de Jango, se mobilizou em defesa da legalidade constitucional.
Brizola usou a estrutura do governo gaúcho para criar uma rede de resistência e deu início à famosa Campanha da Legalidade.
Através da Rádio da Legalidade, transmitindo direto dos porões do Palácio Piratini,
Brizola convocava o povo à mobilização e articulava apoio nas Forças Armadas, principalmente no 3º Exército, que apoiava a posse de Jango.
O país ficou à beira de uma guerra civil.
O que pensavam os dois lados?
- Os militares e a UDN viam Jango como uma ameaça comunista e chegaram a ameaçar prendê-lo caso retornasse ao país.
- Brizola e os legalistas defendiam o cumprimento da Constituição e o direito do vice assumir.
Mesmo com o ministro da Guerra prendendo o general Lott para impedir reações, Brizola conseguiu mobilizar um amplo apoio popular.
No Rio de Janeiro, o marechal Lott também publicou manifesto defendendo a ordem constitucional.
A UNE, sindicatos e rádios regionais se uniram ao movimento, e até governadores como Mauro Borges, de Goiás, se colocaram ao lado da legalidade.
2. A solução de compromisso: o parlamentarismo
Para evitar um confronto armado, foi costurado um acordo político:
Jango assumiria, mas com poderes limitados, dentro de um regime parlamentarista.
A presidência continuaria existindo, mas quem governaria de fato seria o primeiro-ministro, indicado com aval do Congresso.
A proposta foi levada a Jango em Montevidéu por Tancredo Neves, que desempenhou papel central na negociação.
Jango, mesmo contrariado, aceitou a solução para evitar uma guerra civil.
Brizola discordava, queria que Jango marchasse até Brasília com apoio popular e militar, mas foi vencido.
No dia 7 de setembro de 1961, João Goulart tomou posse em clima tenso, mas com o respaldo da nova estrutura institucional parlamentarista.
3. O Governo Parlamentarista: uma engrenagem emperrada
O primeiro-ministro escolhido foi Tancredo Neves, político do PSD, respeitado e habilidoso.
Seu gabinete, chamado de gabinete de conciliação nacional, incluía membros do PSD, PTB e até da UDN.
Apesar disso, o governo enfrentava enormes dificuldades:
- A inflação continuava alta.
- Havia grande instabilidade política.
- Jango, como presidente, tinha pouco poder de fato.
A relação com o Congresso era frágil e os gabinetes caíam com frequência.
Foram três primeiros-ministros em apenas 16 meses.
O parlamentarismo, imposto às pressas, mostrava-se ineficaz.
