O Governo João Figueiredo - O Fim da Ditadura e a Caminhada para a Democracia

5 min de leituraHistória

1. O caminho para a democracia

Quando o general João Figueiredo assumiu a presidência em 1979, ele herdou um país em ebulição.

A economia estava fragilizada, a oposição ganhava força nas ruas e dentro do Congresso,

e as vozes silenciadas pela ditadura começavam a se reorganizar.

Seu governo marcou o último suspiro do regime militar e o início concreto da transição para a democracia.

2. A Lei da Anistia: reconciliação ou impunidade?

Um dos atos mais simbólicos de seu governo foi a promulgação da Lei da Anistia, em 1979.

Ela permitia o retorno dos exilados políticos, libertava presos e possibilitava que muitos voltassem à vida pública.

Parecia um gesto de reconciliação nacional.

Mas havia um detalhe polêmico:

A lei também anistiava os agentes do Estado envolvidos com a repressão, tortura e assassinatos.

E não anistiava os guerrilheiros ou pessoas acusadas de “terrorismo”.

Isso gerou críticas e questionamentos que persistem até hoje.

Para os familiares dos desaparecidos e para os militantes perseguidos, a anistia representava também o esquecimento forçado.

O Brasil não julgou seus torturadores, ao contrário de vizinhos como a Argentina e o Chile.

(Sugestão de recurso visual: Trecho da Lei da Anistia e charge de Ziraldo ironizando os 50% de Anistia e inflação)

Com a anistia, nomes históricos da política brasileira puderam retornar.

Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes voltaram do exílio e se reinseriram na vida política.

Além deles, centenas de militantes, artistas, professores e intelectuais voltaram ao país, ajudando a revitalizar o debate político e a reorganização das esquerdas.

Momento Reflexão: Memória, Verdade e Justiça

A partir de 2012, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff — ela mesma vítima da repressão —, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) passou a ouvir depoimentos,

colher provas e promover audiências públicas em diversas partes do país.

Entre esses eventos, ficou marcado o chamado Comício da Verdade,

realizado em lugares simbólicos como a Praça da Sé, mas também em universidades, auditórios e assembleias pelo país afora.

Era uma tentativa de reconstruir a história com base no que foi silenciado.

Era como se o povo dissesse em alto e bom som: “nós não esquecemos”.

Como os culpados já haviam sido anistiados anos antes,

essas audiências não tinham como objetivo a aplicação de uma justiça punitiva,

mas apenas a construção de uma política de memória.

O Brasil queria — e ainda quer — entender o que aconteceu para garantir que nunca mais aconteça.

Afinal, como já se disse tantas vezes: sem memória, não há justiça; sem justiça, não há democracia.

3. O fim do bipartidarismo

Outro passo importante da abertura política foi a extinção do sistema bipartidário.

Em 1979, o governo extinguiu a Arena e o MDB, permitindo a criação de novos partidos.

Surgiram o PMDB, herdeiro direto do MDB, o PDS (ex-Arena), e novas forças como o PT, PDT e o novo PTB.

Cada um desses partidos surgia com objetivos distintos:

o PMDB buscava consolidar a oposição moderada e institucional ao regime,

o PDS tentava manter a herança dos militares e da Arena,

o PT nasceu com uma base sindical e trabalhista voltada para transformações sociais profundas,

o PDT retomava os ideais do trabalhismo de Vargas e Brizola,

e o novo PTB tentava recuperar a memória do antigo partido de Getúlio.

Essa pluralidade partidária deu nova cara ao Congresso e refletia a efervescência da sociedade civil,

que voltava a se organizar em sindicatos, associações de bairro, movimentos estudantis e grupos de base religiosa.

4. O atentado do Riocentro: quando o terror mostrou a cara do regime

Se por um lado a abertura parecia avançar, por outro, havia setores dentro das Forças Armadas que não aceitavam perder o controle.

E foi nesse contexto que ocorreu, em 30 de abril de 1981, o atentado do Riocentro.

A ideia era causar uma tragédia durante um show comemorativo ao Dia do Trabalhador, com 20 mil pessoas no local.

Os militares pretendiam explodir bombas e atribuir o atentado à esquerda,

justificando assim uma nova onda de repressão.

Mas o plano falhou.

Uma das bombas explodiu antes da hora, dentro do carro dos próprios agentes do DOI-CODI:

o sargento Guilherme Pereira do Rosário morreu, e o capitão Wilson Dias Machado ficou ferido.

Era o governo se implodindo, por assim dizer.

O escândalo escancarou as divisões internas do regime e abalou sua credibilidade.

Apesar das tentativas de acobertamento, a verdade veio à tona:

a bomba era de dentro do sistema.

(Sugestão de recurso visual: infográfico explicando a operação do Riocentro e a localização das bombas)

5. As eleições diretas para governadores em 1982

O ponto alto dessa abertura controlada foi a eleição direta para governadores em 1982, a primeira desde o golpe de 1964.

Foi um marco importante no processo de redemocratização.

O PMDB venceu em estados-chave como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Leonel Brizola, pelo PDT, foi eleito no Rio de Janeiro, em uma vitória histórica e contra tentativas de fraude

— episódio que ficou conhecido como o "escândalo da Proconsult".

Essas vitórias deram força à oposição e mostraram que a população estava pronta para retomar as rédeas do país.

6. Um final conturbado

Apesar de todos os avanços, o governo Figueiredo não foi tranquilo.

O atentado do Riocentro, em 1981, revelou que setores da linha-dura dentro das Forças Armadas resistiam à abertura.

A economia continuava mergulhada na crise, e a inflação galopante.

Ao sair do poder, em 1985,

Figueiredo se recusou a passar a faixa presidencial para seu sucessor civil, Tancredo Neves.

Preferiu sair pela porta dos fundos.

Era o fim simbólico de um regime que, apesar de seu controle feroz,

não conseguiu impedir a vontade popular de florescer.

Mas calma aí, ainda tem um ponto muito importante para falar antes do fim desta Era!

As Diretas Já!

(Sugestão de recurso visual: linha do tempo do governo Figueiredo, destacando a Lei da Anistia, o retorno dos exilados, a criação dos novos partidos e as eleições de 1982)
Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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