O Governo Ernesto Geisel - A Abertura Lenta, Gradual e Segura
1. Um novo caminho a ser seguido
Bem, aqui você verá que a história do Brasil começa a tomar outros rumos, com um toque de democracia no final.
Quando Ernesto Geisel assumiu a Presidência da República em 1974, o Brasil vivia o auge da repressão política.
Mas por trás de seu perfil autoritário e do seu jeito frio e calculista,
Geisel tinha um plano ambicioso: iniciar uma transição para longe do autoritarismo, sem perder o controle do processo.
Ele chamava isso de "abertura lenta, gradual e segura".
Essa abertura não significava o fim imediato da ditadura.
Na verdade, Geisel e seu principal estrategista, Golbery do Couto e Silva,
queriam comandar essa transição com rédea curta.
A ideia era evitar rupturas bruscas, impedir qualquer tentativa de revanche contra os militares
e garantir que o novo regime ainda preservasse certos interesses das Forças Armadas.
2. Um governo ainda autoritário
Apesar de sinalizar com o discurso de abertura,
Geisel manteve muitos dos mecanismos autoritários do regime.
Um exemplo claro disso foi a Lei Falcão, de 1976, sobre a qual já falei sobre.
Mas de forma resumida, em vez de propostas,
os eleitores viam apenas a foto, o número e um breve currículo dos candidatos.
Era uma forma de esvaziar o conteúdo político das campanhas e evitar o crescimento da oposição.
E não foi só isso.
Em 1977, Geisel lançou o Pacote de Abril, uma resposta direta ao avanço da oposição nas eleições.
Com ele, o presidente fechou temporariamente o Congresso e mudou as regras do jogo político.
Criou, por exemplo, a figura do "senador biônico", escolhido de forma indireta, o que garantia maioria governista no Senado.
Também alterou a composição da Câmara dos Deputados,
fortalecendo os estados menos populosos (onde o regime era mais forte) e diminuindo a influência dos estados com maior oposição.
3. Choques internos e repressão militar
Mesmo tentando controlar a abertura, Geisel enfrentou resistência dentro das próprias Forças Armadas, especialmente dos setores mais radicais ligados à repressão.
Casos como o assassinato de Vladimir Herzog e de Manoel Fiel Filho, ambos sob custódia do DOI-CODI, abalaram o governo e provocaram crises internas.
Geisel chegou a tomar atitudes enérgicas, como exonerar o general Sylvio Frota, então ministro do Exército, que representava a ala linha-dura contrária à abertura.
Mas mesmo com essas medidas, a repressão continuava ativa e violenta nos bastidores.
4. O grito por liberdade: o nascimento dos CBAs
Em 1975, nasceu em São Paulo o Movimento Feminino pela Anistia, liderado por Therezinha Zerbini.
A proposta era clara: lutar pelo retorno dos exilados, pela liberdade dos presos políticos e pela justiça para aqueles que foram perseguidos.
O movimento logo se espalhou pelo país, dando origem aos Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs).
Os CBAs uniram artistas, intelectuais, estudantes, ex-presos e exilados.
Com comícios, faixas, adesivos e atos públicos, tomaram conta das ruas, dos estádios e das praças.
A anistia deixou de ser um tema restrito aos bastidores da política para se tornar um clamor nacional.
Mas não vai ser agora que a anistia será decretada… espere mais um pouco.
(Sugestão de recurso visual: cartaz da campanha pela anistia e foto da faixa "Anistia ampla, geral e irrestrita" exibida por torcedores no Estádio do Morumbi)
5. O legado da abertura
A presidência de Geisel é cheia de contradições, como você bem viu.
Por um lado, ele foi o primeiro a sinalizar o fim do regime militar e a abrir espaço para a redemocratização.
Por outro, manteve e reforçou mecanismos autoritários para garantir que essa abertura ocorresse do jeito que os militares queriam.
O processo que ele iniciou seria continuado por seu sucessor, João Figueiredo, e culminaria, anos depois, com o fim da ditadura.
Mas foi sob Geisel que a "abertura lenta, gradual e segura" começou a virar realidade — não sem dor, conflito e resistência.
(Sugestão de recurso visual: linha do tempo destacando a Lei Falcão, o Pacote de Abril e os principais conflitos do governo Geisel, como o caso Herzog e a demissão de Frota)