O governo de Jânio Quadros

3 min de leituraHistória

1. Um candidato diferente de tudo

Jânio foi eleito presidente em 1960,

com o apoio da União Democrática Nacional (UDN) e de partidos pequenos, como o Partido Social Progressista (PSP).

Sua campanha era marcada por um discurso moralista,

de combate à corrupção e aos excessos da política tradicional.

Ele usava uma vassoura como símbolo, prometendo "varrer a corrupção do Brasil".

Com uma oratória empolada e gestos teatrais,

Jânio conquistou o eleitorado, principalmente a classe média urbana, revoltada com a inflação e o custo de vida.

Tinha fama de honesto e prometia austeridade.

O cara era tão estranho que usava ternos desalinhados propositalmente e até simulava desmaios em comícios.

Tudo fazia parte do show para se conectar com o povo.

2. Um governo curto, confuso e moralista

Jânio ficou apenas sete meses na presidência, mas nesse curto tempo, promoveu medidas inusitadas:

  • Proibiu o uso de biquíni nas praias e lança-perfume no carnaval;
  • Criou um uniforme tipo safari para os funcionários públicos, publicado no Diário Oficial;
  • Vetou rinhas de galo e corridas de cavalo em dias úteis.

Enquanto se preocupava com essas questões, Jânio isolava-se politicamente.

Não formou uma base de apoio no Congresso,

brigava com a imprensa e desagradava até seus aliados da UDN.

3. Política externa independente: o estopim da crise

Mesmo com um discurso conservador, Jânio surpreendeu ao adotar uma política externa independente,

se aproximando de países socialistas e rompendo com a submissão aos EUA.

Aí você pode se perguntar: Mas ele não era da UDN?

Pois é a UDN também se fez a mesma pergunta.

Quando eu falo que o cara é estranho não tirei isso do nada!

O ponto alto dessa política foi a condecoração de Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, a maior honraria brasileira.

A elite, os militares e a UDN reagiram com fúria.

4. A inesperada renúncia

Em 25 de agosto de 1961, Dia do Soldado, Jânio surpreendeu o país com um gesto polêmico: renunciou ao cargo.

Alegou não ter apoio para governar.

Mas muitos acreditam que ele esperava um clamor popular para forçar seu retorno com mais poderes.

Esse apoio nunca veio.

Jânio saiu levando a faixa presidencial e foi para São Paulo.

Mais tarde, devolveu a faixa, mas nunca explicou claramente sua estratégia.

Ele claramente não batia muito bem das ideias.

5. Consequências da renúncia

Com a saída de Jânio, o vice-presidente João Goulart, do PTB, deveria assumir.

Isso mesmo, DEVERIA.

Mas os militares se recusaram a aceitar sua posse, temendo suas ideias reformistas e ligação com os sindicatos e com o comunismo.

Começava uma grave crise política, que só seria resolvida com a Campanha da Legalidade,

liderada por Leonel Brizola, e a adoção de um regime parlamentarista, para limitar os poderes de Jango.

Mas isso é assunto para o próximo capítulo!

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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