O fim do Estado Novo e os caminhos da redemocratização

5 min de leituraHistória

1. Implicações e contradições do Brasil na Segunda Guerra Mundial

O Brasil de Vargas se via em uma posição, AO MÍNIMO, curiosa:

Internamente vivia sob uma ditadura, mas no cenário internacional, se aliava às democracias contra o fascismo.

Isso não era pouca coisa.

Em 1942, após ataques de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros,

o governo rompeu relações com o Eixo e entrou na guerra ao lado dos Aliados.

(ou seja, apoiando os Estados Unidos, França, Rússia,etc)

Foi montada a Força Expedicionária Brasileira (FEB),

com cerca de 25 mil soldados enviados à Europa para combater o facismo na Itália.

E você quer saber de uma curiosidade ABSURDA?

O “lema” deles era “A cobra vai fumar”, porque os outros países diziam que era mais fácil ver uma cobra fumando do que o Brasil entrar na guerra.

Sei que trago muitas coisas extras aqui, mas pelo menos pra mim, é isso que torna o assunto interessante.

Essa decisão veio junto de importantes acordos com os Estados Unidos,

que financiaram a construção da Companhia Siderúrgica Nacional e da Vale do Rio Doce — projetos centrais para a industrialização brasileira.

Aí meu caro aluno, tá faltando uma pergunta que se você não se fez até agora… melhore!

“Mas porque os Estados Unidos queriam tanto o apoio do Brasil? Nem poder bélico a gente tinha!”

Pode até ser, mas a posição geográfica do Brasil era estratégica para reabastecer os navios de guerra americanos.

Eles precisavam de uma base aérea e naval para transportar tropas, equipamentos e mantimentos para o front africano e europeu.

Resumindo, a guerra serviu para consolidar economicamente o projeto varguista.

Mas também escancarou uma contradição insustentável:

como justificar a luta contra ditaduras lá fora enquanto se mantinha uma no Brasil?

(Sugestão de recurso visual: foto da FEB em ação na Itália + propaganda oficial de apoio aos Aliados+ A COBRA VAI FUMAR)

Momento Reflexão: A contradição de lutar pela democracia na guerra e manter uma ditadura

Não demorou muito para que essa incoerência fosse percebida por amplos setores da sociedade.

A ideia de que os brasileiros estavam morrendo em nome da liberdade no exterior enquanto,

em casa, viviam sob censura, perseguições e falta de eleições, virou combustível para a oposição.

A guerra, que inicialmente fortaleceu Vargas, acabou por desgastar seu regime.

O próprio envio da FEB à Europa acabou servindo de argumento para que as Forças Armadas pressionassem por uma transição democrática.

Afinal, como voltar para casa, depois de combater o fascismo, e continuar sustentando uma ditadura?

2. A pressão pela reabertura política

Foi nesse contexto que, em 1943, surgiu o Manifesto dos Mineiros, uma carta pública assinada por 92 figuras importantes de Minas Gerais.

Dentre esas 92 figuras, temos empresários, juristas e intelectuais, que exigiam o retorno da democracia.

O documento teve ampla repercussão e abriu caminho para que outras vozes se somassem ao clamor por eleições e liberdade política.

Esse movimento demonstrava que até a elite, antes sua aliada, já estava questionando seu poder.

Mas o Manifesto não surgiu isolado.

Ele fazia parte de um ambiente político mais amplo de mobilização social e intelectual contra o autoritarismo.

Ainda em 1943, realizou-se o Primeiro Congresso Nacional de Escritores,

que reuniu nomes importantes da cultura brasileira em São Paulo.

Ali, as críticas ao Estado Novo foram duras, e a defesa da democracia ganhou palco.

No mesmo espírito, a União Nacional dos Estudantes (UNE), que havia nascido em 1937 e funcionado sob controle do regime,

começou a se tornar um importante espaço de contestação política, ecoando as demandas por liberdade e participação popular.

(Sugestão de recurso visual: reprodução de trecho do Manifesto dos Mineiros + imagem do Congresso Nacional de Escritores)

3. A volta dos partidos, a convocação de eleições e o fim do Estado Novo

Com a pressão crescendo, Vargas foi obrigado a ceder.

Em 1945, os partidos políticos voltaram à legalidade.

Foram criadas novas legendas, como a UDN (União Democrática Nacional), o PSD (Partido Social Democrático) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro),

esse último com o apoio do próprio Vargas.

Também foi marcada a eleição presidencial para dezembro daquele ano.

Parecia que o Estado Novo caminhava para uma transição pacífica.

Claramente, Vargas preferiu sair antes que sua figura de “salvador do país” fosse manchada.

Mas a desconfiança em torno de Vargas era grande.

Mesmo legalizando os partidos e prometendo eleições,

muitos temiam que ele estivesse apenas ganhando tempo para tentar um novo golpe.

Esse receio se tornaria ainda mais evidente com o surgimento do movimento queremista.

(Sugestão de recurso visual: linha do tempo de 1942 a 1945, marcando a guerra, o Manifesto dos Mineiros, retorno dos partidos e convocação das eleições.)

4. O queremismo e a tentativa de continuidade de Vargas

Com a redemocratização a caminho, um novo movimento surgiu nas ruas: o Queremismo.

Ele reunia setores populares, sindicatos atrelados ao governo e parte do PTB e do PCB, que defendiam que Vargas deveria continuar no poder — sem eleição.

Seu lema era direto: “Queremos Getúlio!”.

O queremismo mobilizou multidões e usou estratégias modernas de comunicação, como comícios e rádios, para fortalecer sua causa.

Não era apenas um movimento popular espontâneo — tinha todo o apoio da máquina do Estado.

O problema é que sua existência contradizia a promessa de retorno à democracia.

A comparação com o fascismo europeu se tornava inevitável: assim como Hitler havia usado o incêndio do Reichstag para justificar o poder absoluto,

Vargas tentava usar a popularidade e a ameaça comunista para se manter no cargo.

Mas dessa vez, não colou.

As Forças Armadas intervieram e, em outubro de 1945, depuseram Vargas.

Para garantir uma transição institucional controlada e evitar qualquer ruptura institucional grave,

o comando do país foi entregue provisoriamente ao presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares.

Ele assumiu o governo com a missão de organizar as eleições presidenciais e assegurar o retorno à normalidade democrática.

E o resto…bem… o resto é história!

(Sugestão de recurso visual: foto de comício queremista + faixa com o lema “Queremos Getúlio” + cartaz eleitoral de 1945.)

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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