O fim do Estado Novo e os caminhos da redemocratização
1. Implicações e contradições do Brasil na Segunda Guerra Mundial
O Brasil de Vargas se via em uma posição, AO MÍNIMO, curiosa:
Internamente vivia sob uma ditadura, mas no cenário internacional, se aliava às democracias contra o fascismo.
Isso não era pouca coisa.
Em 1942, após ataques de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros,
o governo rompeu relações com o Eixo e entrou na guerra ao lado dos Aliados.
(ou seja, apoiando os Estados Unidos, França, Rússia,etc)
Foi montada a Força Expedicionária Brasileira (FEB),
com cerca de 25 mil soldados enviados à Europa para combater o facismo na Itália.
E você quer saber de uma curiosidade ABSURDA?
O “lema” deles era “A cobra vai fumar”, porque os outros países diziam que era mais fácil ver uma cobra fumando do que o Brasil entrar na guerra.
Sei que trago muitas coisas extras aqui, mas pelo menos pra mim, é isso que torna o assunto interessante.
Essa decisão veio junto de importantes acordos com os Estados Unidos,
que financiaram a construção da Companhia Siderúrgica Nacional e da Vale do Rio Doce — projetos centrais para a industrialização brasileira.
Aí meu caro aluno, tá faltando uma pergunta que se você não se fez até agora… melhore!
“Mas porque os Estados Unidos queriam tanto o apoio do Brasil? Nem poder bélico a gente tinha!”
Pode até ser, mas a posição geográfica do Brasil era estratégica para reabastecer os navios de guerra americanos.
Eles precisavam de uma base aérea e naval para transportar tropas, equipamentos e mantimentos para o front africano e europeu.
Resumindo, a guerra serviu para consolidar economicamente o projeto varguista.
Mas também escancarou uma contradição insustentável:
como justificar a luta contra ditaduras lá fora enquanto se mantinha uma no Brasil?
(Sugestão de recurso visual: foto da FEB em ação na Itália + propaganda oficial de apoio aos Aliados+ A COBRA VAI FUMAR)
Momento Reflexão: A contradição de lutar pela democracia na guerra e manter uma ditadura
Não demorou muito para que essa incoerência fosse percebida por amplos setores da sociedade.
A ideia de que os brasileiros estavam morrendo em nome da liberdade no exterior enquanto,
em casa, viviam sob censura, perseguições e falta de eleições, virou combustível para a oposição.
A guerra, que inicialmente fortaleceu Vargas, acabou por desgastar seu regime.
O próprio envio da FEB à Europa acabou servindo de argumento para que as Forças Armadas pressionassem por uma transição democrática.
Afinal, como voltar para casa, depois de combater o fascismo, e continuar sustentando uma ditadura?
2. A pressão pela reabertura política
Foi nesse contexto que, em 1943, surgiu o Manifesto dos Mineiros, uma carta pública assinada por 92 figuras importantes de Minas Gerais.
Dentre esas 92 figuras, temos empresários, juristas e intelectuais, que exigiam o retorno da democracia.
O documento teve ampla repercussão e abriu caminho para que outras vozes se somassem ao clamor por eleições e liberdade política.
Esse movimento demonstrava que até a elite, antes sua aliada, já estava questionando seu poder.
Mas o Manifesto não surgiu isolado.
Ele fazia parte de um ambiente político mais amplo de mobilização social e intelectual contra o autoritarismo.
Ainda em 1943, realizou-se o Primeiro Congresso Nacional de Escritores,
que reuniu nomes importantes da cultura brasileira em São Paulo.
Ali, as críticas ao Estado Novo foram duras, e a defesa da democracia ganhou palco.
No mesmo espírito, a União Nacional dos Estudantes (UNE), que havia nascido em 1937 e funcionado sob controle do regime,
começou a se tornar um importante espaço de contestação política, ecoando as demandas por liberdade e participação popular.
(Sugestão de recurso visual: reprodução de trecho do Manifesto dos Mineiros + imagem do Congresso Nacional de Escritores)
3. A volta dos partidos, a convocação de eleições e o fim do Estado Novo
Com a pressão crescendo, Vargas foi obrigado a ceder.
Em 1945, os partidos políticos voltaram à legalidade.
Foram criadas novas legendas, como a UDN (União Democrática Nacional), o PSD (Partido Social Democrático) e o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro),
esse último com o apoio do próprio Vargas.
Também foi marcada a eleição presidencial para dezembro daquele ano.
Parecia que o Estado Novo caminhava para uma transição pacífica.
Claramente, Vargas preferiu sair antes que sua figura de “salvador do país” fosse manchada.
Mas a desconfiança em torno de Vargas era grande.
Mesmo legalizando os partidos e prometendo eleições,
muitos temiam que ele estivesse apenas ganhando tempo para tentar um novo golpe.
Esse receio se tornaria ainda mais evidente com o surgimento do movimento queremista.
(Sugestão de recurso visual: linha do tempo de 1942 a 1945, marcando a guerra, o Manifesto dos Mineiros, retorno dos partidos e convocação das eleições.)
4. O queremismo e a tentativa de continuidade de Vargas
Com a redemocratização a caminho, um novo movimento surgiu nas ruas: o Queremismo.
Ele reunia setores populares, sindicatos atrelados ao governo e parte do PTB e do PCB, que defendiam que Vargas deveria continuar no poder — sem eleição.
Seu lema era direto: “Queremos Getúlio!”.
O queremismo mobilizou multidões e usou estratégias modernas de comunicação, como comícios e rádios, para fortalecer sua causa.
Não era apenas um movimento popular espontâneo — tinha todo o apoio da máquina do Estado.
O problema é que sua existência contradizia a promessa de retorno à democracia.
A comparação com o fascismo europeu se tornava inevitável: assim como Hitler havia usado o incêndio do Reichstag para justificar o poder absoluto,
Vargas tentava usar a popularidade e a ameaça comunista para se manter no cargo.
Mas dessa vez, não colou.
As Forças Armadas intervieram e, em outubro de 1945, depuseram Vargas.
Para garantir uma transição institucional controlada e evitar qualquer ruptura institucional grave,
o comando do país foi entregue provisoriamente ao presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares.
Ele assumiu o governo com a missão de organizar as eleições presidenciais e assegurar o retorno à normalidade democrática.
E o resto…bem… o resto é história!
(Sugestão de recurso visual: foto de comício queremista + faixa com o lema “Queremos Getúlio” + cartaz eleitoral de 1945.)