O Fim da Guerra Fria e o Novo Mapa Mundial

4 min de leituraHistória

1. A Queda do Muro de Berlim: O Símbolo do Fim

A gente já falou da crise interna da União Soviética e das reformas de Mikhail Gorbachev, lembra?

Pois bem, essas mudanças tiveram um efeito dominó que ele talvez não tenha previsto.

A Glasnost e a Perestroika deram esperança aos povos do Leste Europeu que viviam sob o regime socialista e a opressão de Moscou.

Eles viram uma chance de se libertar.

E o lugar onde essa liberdade explodiu de forma mais visível foi na Alemanha Oriental.

As manifestações populares contra o governo socialista se tornaram enormes e imparáveis.

O povo queria viajar, se reunir com as famílias do lado ocidental

e, principalmente, queria o fim do regime.

A pressão popular foi tão grande que, na noite de 9 de novembro de 1989,

o governo da Alemanha Oriental, em um anúncio confuso,

permitiu que as pessoas cruzassem o muro.

A multidão, sem acreditar, foi em direção aos portões.

Quando os guardas viram a quantidade de gente, abriram os portões.

O povo, eufórico, começou a derrubar o Muro de Berlim com as próprias mãos.

Foi um ato histórico que marcou, de forma simbólica, o fim da Guerra Fria.

Em menos de um ano, após eleições livres, o povo alemão votou pela reunificação,

e a Alemanha, que esteve dividida por mais de 40 anos,

se tornou uma só novamente em 1990.

(Sugestão de recurso visual: A famosa foto histórica de pessoas comemorando e quebrando pedaços do Muro de Berlim. Outra imagem seria uma foto que mostre os dois lados da Alemanha, um colorido e com luzes, e o outro em preto e branco e com poucas luzes, simbolizando a divisão e a diferença de regime.)

2. A Fragmentação da URSS: O Adeus de Gorbachev

Enquanto o Muro de Berlim caía, a União Soviética estava se desmantelando por dentro.

A Glasnost e a Perestroika, que deveriam salvar a URSS,

na verdade aceleraram o seu fim.

As repúblicas que formavam a União Soviética, reprimidas por anos pela "russificação",

sentiram que era a hora de se libertarem.

As três repúblicas bálticas – Estônia, Letônia e Lituânia

foram as primeiras a declarar sua independência, em setembro de 1991.

A partir daí, o movimento de secessão se espalhou como um rastilho de pólvora.

As outras repúblicas também queriam sua liberdade.

Para tentar manter algum tipo de laço econômico entre os países que se separavam,

líderes como o russo Boris Yeltsin

criaram a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) em dezembro de 1991.

Apesar de Gorbachev ter tentado segurar o bloco,

a União Soviética já não existia mais na prática.

E foi em uma data inusitada, no Natal de 1991,

que ele fez um anúncio histórico na televisão:

Mikhail Gorbachev renunciou ao cargo de presidente e declarou o desmantelamento da União Soviética.

O país que por décadas foi uma das duas superpotências mundiais,

simplesmente deixou de existir.

(Sugestão de recurso visual: Um mapa da União Soviética que se fragmenta, mostrando as novas nações independentes que surgiram depois de 1991. Podem-se usar cores diferentes para cada novo país, simbolizando a reconfiguração do mapa europeu.)

3. A Redemocratização no Leste Europeu e as Consequências

O fim da União Soviética abriu as portas para que os países do Leste Europeu,

que viviam sob o controle de Moscou, pudessem se redemocratizar.

Na Polônia, o movimento sindical Solidariedade, liderado por Lech Walesa, já vinha fazendo greves e protestos desde os anos 80,

e sua luta resultou na queda do regime em 1990.

Na Hungria, a transição para a economia de mercado foi acelerada, e o Partido Comunista foi dissolvido em 1989.

A Tchecoslováquia teve uma transição pacífica com a Revolução de Veludo, também em 1989,

e se dividiu em dois países independentes: a República Tcheca e a Eslováquia, em 1993.

A Romênia foi a exceção.

A transição foi violenta, com a resistência do ditador Nicolae Ceausescu, que foi preso e executado em 1991, com o apoio de uma revolta popular.

Por fim, a Chechênia declarou sua independência, mas a Rússia se recusou a reconhecer e o conflito se arrastou por anos.

Isso mostra que o fim da URSS não trouxe paz e estabilidade para todas as nações.

(Sugestão de recurso visual: um gráfico-resumo que mostre os diferentes caminhos da transição no Leste Europeu, com um ícone de um cravo (para Portugal), uma bandeira da Tchecoslováquia se dividindo em duas, uma foto da execução de Ceausescu, e a bandeira da Polônia com o logo do Solidariedade.)

E assim, a Guerra Fria, que começou nas cinzas da Segunda Guerra Mundial, terminou em uma onda de manifestações, revoluções e mudanças políticas

que transformaram o mundo que a gente conhece hoje.

A disputa entre o Capitalismo e o Socialismo deu lugar a um novo cenário, com novos desafios e novas disputas.


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