O fim da guerra e o começo de outra crise
1. A ideia de “guerra total” e suas consequências humanas, sociais e econômicas
A Primeira Guerra Mundial foi algo que ninguém tinha visto antes.
Não foi só uma briga de exércitos, foi o que chamamos de "guerra total".
Mas o que isso significa, afinal?
Significa que a guerra não terminou com um acordo, mas com a destruição do adversário.
Os países mobilizaram todos os seus recursos e a diferença entre soldados e civis simplesmente desapareceu,
ou seja, todos podiam ser alvos.
A conta foi pesadíssima:
foram cerca de 8 milhões de soldados e 9 milhões de civis mortos,
além de uns 20 milhões de feridos.
A Europa ficou devastada, a produção industrial caiu 40%, e a agrícola, 30%.
E além da guerra, a gripe espanhola, que rolou na mesma época,
matou pelo menos 50 milhões de pessoas no mundo todo.
Porém, as coisas mudaram.
Com a ida de muitos homens para a guerra,
as mulheres assumiram o trabalho nas fábricas e começaram a ter mais consciência dos seus direitos,
o que ajudou a fortalecer a luta pelo voto feminino em vários países.
Pelo menos uma coisa boa em meio a tanta tragédia.
2. As Conferências de Paz e os “Três Grandes”
Com a guerra finalmente no fim, era hora de decidir o que fazer com os países derrotados.
As negociações de paz foram feitas em Paris,
e quem dominou as conversas foram os líderes das três maiores potências aliadas:
o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, o
primeiro-ministro da França, Georges Clemenceau,
e o da Grã-Bretanha, David Lloyd George.
O primeiro-ministro da Itália, Vittorio Orlando,
também participou, mas com menos poder de decisão.
Cada um desses caras tinha uma ideia completamente diferente do que fazer.
O Wilson, dos EUA, era o mais idealista.
Ele queria uma "paz sem vitoriosos" e defendia que os países tinham que parar de brigar e trabalhar juntos,
criando a Liga das Nações para resolver os problemas.
Já o Clemenceau, da França, era o oposto.
Ele era conhecido como "O Tigre" e queria vingança.
A França tinha sido invadida duas vezes pela Alemanha em 50 anos,
e ele queria que o país vizinho fosse punido de forma severa para jamais conseguir
começar outra guerra.
E o Lloyd George, da Grã-Bretanha, ficava no meio-termo.
Ele queria punir a Alemanha, é claro, porque a opinião pública pedia isso,
mas não queria esmagá-la por completo,
pois temia que uma Alemanha muito fraca pudesse desestabilizar a Europa e a economia.
A gente pode dizer que a paz no final foi um resultado da briga entre essas três visões:
o idealismo americano, a sede de vingança francesa e o pragmatismo britânico.
Você Sabia? A Itália mudou de lado?
Você deve ter estranhado a Itália aí né?
A Itália, que fazia parte da Tríplice Aliança com a Alemanha e o Império Austro-Húngaro antes da guerra,
acabou lutando ao lado dos seus antigos inimigos,
a Tríplice Entente!
Isso aconteceu porque a Itália tinha umas ambições territoriais
que a Áustria-Hungria não ia ceder de jeito nenhum.
Eles queriam anexar algumas províncias que tinham população italiana,
como Trentino, Tirol Meridional, Trieste e Ístria.
A Itália fez as contas e viu que os Aliados estavam mais dispostos a prometer essas terras se eles entrassem na guerra.
E foi assim, de olho em ganhar mais território,
que eles mudaram de lado e entraram no conflito em 1915!
3. A proposta dos 14 Pontos de Wilson e a criação da Liga das Nações
Antes mesmo do fim da guerra, o presidente Wilson tinha uma ideia para uma paz mais justa e duradoura.
Ele propôs os Catorze Pontos, que incluíam coisas como o fim da diplomacia secreta,
a diminuição dos exércitos e a criação de uma organização internacional
para evitar novas guerras.
Essa organização, a Liga das Nações,
foi a única parte da sua proposta que realmente foi para a frente.
O objetivo dela era ser um tipo de "árbitro" para resolver os problemas entre os países,
mas ela não tinha muito poder e acabou falhando no seu principal objetivo,
porque os EUA, mesmo tendo proposto a ideia,
não se juntaram a ela, preferindo voltar a sua política isolacionista.
4. Tratado de Versalhes: humilhação ou justiça?
A gente precisa ser sincero: a maioria das ideias do Wilson foi ignorada.
Os franceses e ingleses queriam mesmo era punir a Alemanha,
que eles consideravam a única culpada pela guerra.
E foi isso que aconteceu no Tratado de Versalhes.
Ele foi assinado em 28 de junho de 1919,
exatamente na mesma sala onde a Alemanha havia humilhado a França no passado.
O tratado impôs condições super duras para a Alemanha:
1) Perda de territórios e colônias.
A rica região da Alsácia-Lorena voltou para a França.
A Polônia se tornou independente e ganhou um "corredor" que dava acesso ao mar, dividindo o território alemão em dois.
2) O exército alemão foi drasticamente reduzido, com no máximo 100 mil soldados, e foi proibido de ter armas pesadas como tanques e aviões.
3) A Alemanha foi obrigada a assumir toda a culpa pela guerra e a pagar uma indenização gigantesca de 132 bilhões de marcos, um valor impossível de ser pago.
Essas medidas levaram a economia alemã à ruína, causando uma inflação absurda.
Um economista na época, John Maynard Keynes, chegou a criticar o tratado,
dizendo que ele era uma loucura.
A Alemanha não foi invadida militarmente, mas foi massacrada economicamente.
Para os alemães, a guerra não foi perdida no campo de batalha,
mas sim por uma "punhalada nas costas" de seus líderes,
uma teoria da conspiração que depois seria usada
por figuras como Adolf Hitler para ganhar apoio
e criar o nacionalismo agressivo que a gente conhece.
5. Tratados com os demais países derrotados: Áustria, Hungria, Bulgária, Turquia
O Tratado de Versalhes foi só o começo.
Os outros países que perderam a guerra também tiveram que assinar tratados que redesenharam o mapa da Europa.
O Império Austro-Húngaro simplesmente desapareceu,
se fragmentando em novos países como a Áustria, a Hungria, a Iugoslávia e a Tchecoslováquia.
O Império Turco-Otomano também foi desmembrado,
e os seus territórios no Oriente Médio (ricos em petróleo) foram divididos entre a Inglaterra e a França, dando origem a países como a Síria,
o Líbano e o Iraque, que se tornaram suas colônias.



