O Brasil das cidades e o Brasil dos sertões

6 min de leituraHistória

1.Introdução

Primeiramente, como já havia dito antes, aquele primeiro capítulo basicamente abarcou todo o assunto de forma geral.

A Partir daqui, vamos aprofundar em alguns tópicos que considero mais importantes e relevantes,

não só para a História mas para as futuras provas e vestibulares da vida.

Com a chegada do século XX, o Brasil começou a mudar de cara.

As cidades cresciam, os trilhos de bonde cortavam avenidas largas, e os casarões antigos davam lugar a construções mais modernas.

Mas essas transformações vinham com um preço: por trás do "progresso", muita gente foi deixada de fora.

Neste capítulo, vamos entender como as reformas urbanas reorganizaram os espaços urbanos,

como isso impactou os mais pobres

e como surgiram os primeiros sinais de resistência popular às imposições do novo século.

Vamos lá meus brasileiros! Não foi agora que sua luta começou e ainda está muito longe de acabar!

2. As reformas urbanas: o “embelezamento” que expulsava os pobres

Durante o governo de Rodrigues Alves (1902–1906), o Rio de Janeiro — então capital do Brasil — passou por um processo intenso de reforma urbana.

Inspirado em modelos europeus, especialmente Paris, o governo decidiu "modernizar" a cidade.

Para isso, foram demolidos cortiços, alargadas avenidas e criadas áreas "nobres" para o trânsito e moradia da elite.

Mas o que era vendido como "progresso" escondia um objetivo bem claro: expulsar os pobres do centro urbano.

O discurso higienista dizia que os cortiços eram focos de doenças e criminalidade, e por isso precisavam ser eliminados.

Mas em vez de criar alternativas dignas de moradia, o governo simplesmente desalojou milhares de pessoas, que acabaram subindo os morros — literalmente.

Foi nesse contexto que surgiu a primeira favela do Brasil, o Morro da Providência,

ocupada por ex-combatentes da Guerra de Canudos que vieram ao Rio em busca de reconhecimento e moradia.

A ironia? Eles foram usados pelo Exército e depois abandonados pelo Estado.

Eu sei que não foi uma ironia engraçada, mas não deixa de ser mais uma das hipocrisias do Estado.

(Sugestão de recurso visual: mapa do Rio de Janeiro com setas indicando o deslocamento da população do centro para os morros; imagem antiga do Morro da Providência)

3. Higienismo e medicina urbana: a cidade como corpo doente

Nesse cenário, entra em cena o médico Oswaldo Cruz, nome central das campanhas sanitárias.

Ele acreditava que a cidade precisava ser tratada como um corpo — e, como tal, precisava ser "curada" das doenças que a afligiam.

Foram lançadas campanhas contra a febre amarela, varíola e peste bubônica, com medidas que iam desde a vacinação obrigatória até a fiscalização das casas.

Aí você deve se perguntar:

Mas eles explicaram para a população o que iria acontecer? Tipo, para propor uma mudança tão radical como essa a população deve ser conscientizada.

Não é?

NÃO É?

É, MAS CLARAMENTE NÃO FOI ISSO QUE ACONTECEU.

Para facilitar o entendimento, digamos que esses higienistas basicamente invadiam a casa das pessoas, obrigavam elas a tirarem as roupas e enfiavam as agulhas.

Não é atoa que a população vai se revoltar contra esse absurdo…

Além do mais, essa lógica de "cura urbana" tinha um lado altamente perverso: ela reforçava a ideia de que os pobres eram os "agentes da doença".

As ações de combate à varíola, por exemplo, muitas vezes envolviam invasões policiais às casas, sem consentimento, com vacinação forçada e até prisões.

(a tradução formal do exemplo que dei)

Isso tudo culminou na famosa Revolta da Vacina de 1904 — tema que será aprofundado em capítulo posterior.

(Sugestão de recurso visual: caricatura da época representando Oswaldo Cruz como exterminador de doenças; cartaz da campanha de vacinação)

4. Gentrificação e especulação imobiliária: quem lucra com o progresso?

Hoje usamos o termo gentrificação para falar do processo em que áreas populares passam por reformas e se tornam caras demais para quem morava ali antes.

Pois bem, isso já acontecia no início do século XX.

A abertura da Avenida Central (atual Rio Branco), por exemplo,

valorizou os imóveis da região e expulsou famílias inteiras para as periferias.

A cidade virou palco de uma verdadeira prospecção imobiliária:

Empresários, políticos e elites compravam terrenos valorizados pelas reformas,

lucrando com o "embelezamento" que, na prática, empobrecia ainda mais quem já vivia em condições precárias.

(Sugestão de recurso visual: charges da época sobre o aumento dos aluguéis e sobre a expulsão de moradores dos cortiços)

5. As novas capitais: São Paulo, Belo Horizonte e além

O movimento de modernização urbana não ficou restrito ao Rio (aprende Rodrigues Alves).

São Paulo crescia a passos largos, impulsionada pelo café e pela imigração.

Belo Horizonte foi projetada para ser a primeira cidade planejada do Brasil, substituindo Ouro Preto como capital de Minas Gerais.

A ideia era mostrar uma imagem de modernidade e ruptura com o passado colonial.

Mas esse modelo de cidade moderna, limpa e planejada quase sempre ignorava as reais necessidades da maioria da população.

A habitação popular não era prioridade.

Ou seja: não era uma cidade para todos.

(Sugestão de recurso visual: planta de Belo Horizonte em seu projeto original; foto comparativa de São Paulo antiga e São Paulo moderna)

6. Efeitos sociais e novas dinâmicas urbanas

Com as reformas urbanas, não foi só a paisagem das cidades que mudou.

As dinâmicas sociais também se transformaram.

Surgiram novos hábitos, como o footing (passeios nas avenidas novas),

os cafés elegantes, os clubes sociais da elite, e o teatro como espaço de sociabilidade burguesa.

Enquanto isso, os pobres criavam suas próprias formas de lazer nas periferias,

em rodas de samba, bailes e festas populares.

Além disso, com a expulsão das camadas populares do centro, surgiram novos espaços de marginalização,

os quais o próprio Estado começou a enxergar como ameaça à ordem.

O termo “classes perigosas” passou a ser usado para rotular essas populações urbanas empobrecidas e racializadas.

(Sugestão de recurso visual: fotografias dos primeiros bondes, cafés e clubes sociais do início do século XX; comparativo com as moradias populares)

Momento Reflexão: O flâneur!

Inicialmente, eu tenho uma certa fixação nesse termo.

Acho ele tão elegante, tão refinado…tão…tão francês!

Talvez isso faça parte da crise de vira lata do brasileiro (brincadeira).

Mas que nossos antepassados também achavam esse termo “chique” é verdade.

No espelho embaçado da Primeira República, o Brasil quis ver Paris.

Nas ruas alargadas à força, entre escombros de cortiços e corpos expulsos, surgia a figura do flâneur tropical.

Não como aquele que contempla a cidade para compreendê-la, mas como quem a percorre para esquecer de onde veio.

Enquanto o flâneur francês era um filho inquieto da modernidade, o nosso era um espectro colonial vestido de fraque.

Um observador blindado pelo privilégio, que via a cidade sem jamais tocá-la.

A reforma urbana do Rio não criou cidadãos: criou vitrines.

A burguesia flanava entre palmeiras imperiais e praças ajardinadas, enquanto o povo era empurrado para longe do olhar — e da história.

Será que flanar aqui foi, desde o início, um exercício de negação?

Uma tentativa de caminhar rumo ao futuro sem carregar o peso do passado?

Ou pior: será que flanamos sobre ruínas que nós mesmos fingimos não ver?

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender O Brasil das cidades e o Brasil dos sertões. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
Um plano de estudo montado pra onde você quer chegar.
Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.