O Absolutismo na Inglaterra
1. A tradição inglesa: a Magna Carta e o Parlamento
Quando falamos de absolutismo, é comum lembrar logo da França e do poder quase total dos reis como Luís XIV.
Mas na Inglaterra, a história seguiu um caminho diferente.
Lá, o absolutismo enfrentou resistências muito mais estruturadas,
que deixaram marcas profundas na forma como o poder político se organizou no país.
Desde 1215, quando o rei João Sem Terra foi obrigado a assinar a Magna Carta, os reis ingleses já não detinham poder absoluto.
Esse documento limitava o poder do monarca ao afirmar que ele também estava sujeito às leis e que certos direitos dos nobres não poderiam ser violados.
Como você deve imaginar, a Magna Carta foi só o começo.
Com o tempo, consolidou-se uma tradição de consulta ao Parlamento,
uma instituição que, embora inicialmente representasse apenas a nobreza e o clero, passou a ter papel importante na aprovação de leis e impostos.
Esse equilíbrio entre rei e Parlamento não era perfeito, mas mostrava que, na Inglaterra, a centralização do poder real sempre teve que negociar com outras forças.
(Sugestão de recurso visual: reprodução de um trecho da Magna Carta com destaque para os princípios de limitação do poder real.)
2. A dinastia Tudor e o fortalecimento do poder real
Após um longo período de guerras internas, como a Guerra das Duas Rosas, a dinastia Tudor chegou ao poder com Henrique VII e, depois, com Henrique VIII.
Foi com ele que o absolutismo ganhou força no país — mas de um jeito bem característico.
Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica e fundou a Igreja Anglicana em 1534, tornando-se seu chefe supremo.
Essa ruptura não foi apenas religiosa: ela deu ao rei o controle sobre vastas terras e riquezas da Igreja, além de afastar uma importante fonte de oposição política.
Era, acima de tudo, uma jogada de poder, como você já sabe (ou pelo menos espero que saiba, porque eu não aguento mais falar desse assunto).
Ele também consolidou o poder real reprimindo duramente rebeliões e centralizando a administração do Estado.
Ainda assim, não eliminou o Parlamento, com quem continuou negociando em diversas ocasiões.
(Sugestão de recurso visual: ilustração de Henrique VIII ao lado de uma representação da separação com a Igreja Católica e da fundação da Igreja Anglicana.)
3. O reinado de Elizabeth I: expansão e pragmatismo
A rainha Elizabeth I, filha de Henrique VIII, deu continuidade ao processo de centralização, mas soube equilibrar poder e diplomacia.
Seu governo foi marcado por um intenso processo de expansão marítima, fortalecimento da marinha e do comércio, e pelo apoio à burguesia emergente.
Ela incentivou a criação de companhias de comércio,
protegeu corsários ingleses que atacavam navios espanhóis
e derrotou a famosa Invencível Armada em 1588, consolidando o poder naval inglês.
Elizabeth também foi firme no controle político, mas manteve a imagem de uma monarca aberta ao diálogo com o Parlamento.
(Sugestão de recurso visual: quadro com os principais eventos do reinado de Elizabeth I, incluindo a criação das companhias de comércio e a derrota da Armada Espanhola.)
4. Revoluções contra o absolutismo: a Puritana e a Gloriosa
Apesar dos esforços dos reis ingleses em fortalecer o poder central, a sociedade inglesa não ficou passiva diante das tentativas absolutistas.
Duas revoluções marcaram o confronto direto entre os interesses do Parlamento e as pretensões absolutistas da monarquia:
A Revolução Puritana e a Revolução Gloriosa.
A Revolução Puritana aconteceu em meados do século XVII e teve como figura central Oliver Cromwell.
Foi um movimento complexo, com raízes religiosas e políticas, que resultou na execução do rei Carlos I e na criação de uma república.
Durante esse período, a Inglaterra viveu sob um regime liderado por Cromwell,
que não foi exatamente democrático, mas rompeu com a lógica do direito divino dos reis e com o absolutismo tradicional.
Algumas décadas depois, a Revolução Gloriosa de 1688 selou o destino do absolutismo na Inglaterra.
Sem grandes confrontos armados, o Parlamento depôs o rei Jaime II e convidou Guilherme de Orange e Maria II para assumirem o trono.
Mas com uma condição: aceitar a Declaração de Direitos (Bill of Rights), que limitava severamente o poder do rei e fortalecia o Parlamento.
Esse evento marcou o início da monarquia constitucional inglesa,
em que o rei governava, mas sob as regras definidas por uma constituição não escrita e com a supervisão constante do Parlamento.
Era o fim definitivo das tentativas absolutistas no país e o nascimento de um modelo que influenciaria profundamente as democracias liberais modernas.
No próximo capítulo, vamos analisar o absolutismo na Península Ibérica — mais especificamente, os casos da Espanha e de Portugal.
(Sugestão de recurso visual: linha do tempo comparando a Revolução Puritana e a Gloriosa com seus principais marcos e consequências.)
5. Um absolutismo com limites
O que você pode concluir com tudo isso?
Diferente do modelo francês, o absolutismo inglês nunca se tornou total.
Os reis tinham muito poder, mas precisavam lidar com a força do Parlamento e com tradições jurídicas que limitavam seus atos.
A própria existência da Igreja Anglicana, comandada pelo rei, era uma forma de concentrar poder,
mas também exigia negociações com setores religiosos e sociais diversos.
Por isso, muitos historiadores preferem falar em um absolutismo negociado na Inglaterra.
Os monarcas ingleses buscavam estabilidade e controle, mas sem romper totalmente com as instituições representativas.
Esse modelo inglês, mais flexível, acabaria influenciando futuras transformações políticas, como a Revolução Gloriosa e o fortalecimento do liberalismo político.
Mas isso é assunto para outro momento.
E claro, não se preocupe, quando falarmos sobre a Inglaterra vamos aprofundar em todo esse assunto.
Já disse e repito novamente, por enquanto, o que eu preciso de você, é que entenda o panorama geral da situação.