O Absolutismo na Espanha e em Portugal
1. A centralização na Espanha após a Reconquista
Se na França e na Inglaterra o absolutismo teve trajetórias distintas, na Península Ibérica ele foi profundamente marcado por dois elementos centrais:
A influência da Igreja Católica e o acúmulo de riqueza vindo das colônias.
Como ainda vamos estudar, mas já vimos um spoiler, Espanha e Portugal viveram processos próprios de centralização política,
sustentados por alianças religiosas e econômicas que reforçaram o poder dos reis.
A formação do Estado espanhol moderno só foi possível após a Reconquista, um longo processo de expulsão dos mouros (muçulmanos) da Península Ibérica.
Com a união dos reinos de Castela e Aragão,
os reis católicos Isabel e Fernando deram início à centralização do poder, promovendo a unificação religiosa e política do território.
Esse processo não se deu de forma pacífica.
A unificação envolveu perseguições religiosas, controle ideológico e repressão às diferenças.
E como já é de se esperar, o poder real foi se afirmando com o apoio da Igreja e com o fortalecimento da autoridade monárquica.
2. A Inquisição e a Igreja como pilares do poder
Um dos instrumentos mais eficazes para consolidar o absolutismo espanhol foi a atuação da Inquisição,
tribunal religioso criado para garantir a ortodoxia católica.
Sob controle direto dos reis, a Inquisição perseguiu judeus, mouros e convertidos,
além de qualquer um que desafiasse os dogmas oficiais.
Essa aliança entre Coroa e Igreja foi essencial para a manutenção do poder.
A religião não era apenas fé: era política de Estado.
Perseguir hereges e garantir a unidade religiosa significava, na prática, fortalecer o controle sobre o território e sobre os súditos.
(Sugestão de recurso visual: mapa da Península Ibérica mostrando as etapas da Reconquista e a atuação da Inquisição nas principais cidades.)
3. O império espanhol e a riqueza vinda da América
No século XVI, com as grandes navegações, a Espanha se tornou um império global.
Durante os reinados de Carlos V e Felipe II, a Coroa espanhola dominava vastas regiões da América, da Ásia e da própria Europa.
As riquezas vindas da exploração colonial,
especialmente o ouro e a prata das minas americanas, foram fundamentais para manter o luxo da corte, financiar guerras e sustentar a burocracia estatal.
Mas também criaram uma economia dependente e marcada por desigualdades profundas.
Mesmo com tanto ouro, o império enfrentava crises frequentes.
A riqueza extraída das colônias não era suficiente para equilibrar os gastos militares e administrativos,
e o poder espanhol foi se enfraquecendo ao longo dos séculos seguintes.
(Sugestão de recurso visual: gráfico mostrando a entrada de metais preciosos na Espanha durante os séculos XVI e XVII.)
4. O absolutismo em Portugal: Igreja, Padroado e D. João V
Em Portugal, o absolutismo teve um caminho semelhante, com forte aliança entre a Coroa e a Igreja Católica.
Um dos instrumentos centrais foi o Padroado, que permitia ao rei interferir diretamente nos assuntos da Igreja, inclusive na nomeação de bispos.
A Inquisição portuguesa, assim como na Espanha, também atuava como mecanismo de controle social e político.
Ela reforçava a autoridade dos reis e ajudava a manter a ordem religiosa, elemento visto como essencial para a estabilidade do reino.
O ponto alto do absolutismo português foi o reinado de D. João V (1707–1750).
Rico graças ao ouro vindo do Brasil (sem comentários…), especialmente da região das Minas, D. João V investiu em grandes obras,
como o Convento de Mafra e o Aqueduto das Águas Livres.
A ostentação de sua corte era comparável às de outros reis absolutistas europeus.
O que podemos concluir?
Apesar das semelhanças com a Espanha, Portugal teve uma administração mais modesta,
marcada por uma elite burocrática que exercia parte do poder em nome do rei.
Ainda assim, o modelo absolutista se consolidou com o apoio da Igreja e a exploração das riquezas coloniais.
(Sugestão de recurso visual: imagem do Convento de Mafra e do Aqueduto das Águas Livres como símbolos do poder absolutista português.)