O 11 de Setembro e a Doutrina Bush
1. O surgimento da Al-Qaeda e as raízes do 11 de setembro
Para entender o 11 de setembro, a gente precisa voltar um pouco no tempo.
Lá nos anos 80, a União Soviética invadiu o Afeganistão para apoiar um governo comunista no país.
Em resposta a isso, os Estados Unidos, junto com a Arábia Saudita,
decidiram ajudar os grupos de resistência afegãos, os chamados mujahedins.
Por que os EUA fizeram isso?
Para desgastar e enfraquecer a União Soviética, que era sua grande rival na Guerra Fria.
O problema é que, entre esses grupos que os Estados Unidos financiaram e armaram, estava um cara chamado Osama bin Laden,
que liderava uma organização chamada Al-Qaeda.
A missão de Bin Laden e seus seguidores era lutar contra a presença soviética,
e eles contaram com a ajuda dos americanos para isso.
A guerra foi longa, os soviéticos se retiraram e a Al-Qaeda se sentiu vitoriosa.
Mas depois de vencer a guerra, o alvo deles mudou.
Eles viram os Estados Unidos, que antes eram seus aliados, como o novo inimigo a ser combatido.
Para eles, a presença de tropas americanas no Oriente Médio (principalmente na Arábia Saudita) era uma ameaça à cultura e religião islâmicas
e faziam intervenções totalmente desnecessárias ( e violentas) no país.
Foi essa revolta que plantou a semente para o que viria a acontecer anos depois.
2. Os atentados de 11 de setembro de 2001
O mundo inteiro parou para assistir, chocado, ao maior ataque terrorista da história.
No dia 11 de setembro de 2001, quatro aviões de passageiros foram sequestrados.
Dois deles foram jogados contra o World Trade Center, em Nova York,
símbolo do poder econômico dos Estados Unidos.
O terceiro avião atingiu o Pentágono, que é a sede do poder militar do país.
E o quarto caiu em um campo na Pensilvânia,
depois que os passageiros lutaram contra os sequestradores.
Os atentados, que mataram quase 3 mil pessoas, foram assumidos pela Al-Qaeda.
A gente pode ver esses ataques como um recado direto:
Mesmo sendo a maior potência do mundo, os Estados Unidos não eram invencíveis e agora tinham um novo tipo de inimigo,
que não usava exércitos ou tanques, mas a surpresa e o medo para atacar.
(Sugestão de recurso visual: Um mapa-múndi mostrando a origem dos terroristas e as rotas dos voos sequestrados, com a legenda "O ataque planejado de uma rede global" para ilustrar o alcance da Al-Qaeda.)
3. A Guerra ao Terror: invasões do Afeganistão e do Iraque
A resposta dos Estados Unidos foi imediata e super dura.
O presidente da época, George W. Bush, declarou que os atentados eram um ato de guerra e que o país faria de tudo para acabar com o terrorismo.
Ela mudou totalmente a forma como os Estados Unidos se relacionavam com o mundo.
O presidente George W. Bush criou a Doutrina Bush,
uma nova política de segurança que defendia a "guerra preventiva".
O que isso quer dizer?
Que, a partir de agora, os EUA não iriam mais esperar que uma ameaça fizesse algo para se defender.
Eles iriam atacar primeiro, antes que o perigo se tornasse real.
Em 2001, o governo americano invadiu o Afeganistão para derrubar o Talibã,
o grupo que governava o país e que estava protegendo Osama bin Laden.
Depois, em 2003, veio a invasão do Iraque.
A justificativa oficial foi a de que o ditador Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.
Mas, como a gente já viu, essas armas nunca foram encontradas,
e muitos analistas acreditam que a verdadeira razão da invasão foi o interesse americano em controlar o petróleo do Iraque.
(Sugestão de recurso visual: Uma charge da época mostrando o Tio Sam com um escudo da "Guerra ao Terror" e a legenda "O novo super-herói do mundo?", para refletir sobre a postura dos EUA.)
4. A crítica à atuação unilateral dos EUA e o papel da ONU
Essa atitude dos americanos é o que a gente chama de atuação unilateral.
Pensa em "uni" como "um".
Os Estados Unidos decidiram agir sozinhos, por conta própria, sem a autorização da ONU ou de outros países importantes, como a França e a Alemanha.
Essa decisão foi um baque enorme.
A ONU foi criada justamente para evitar que um país tomasse decisões que pudessem levar o mundo a uma guerra sem a aprovação de todos.
Mas, ao ignorar a ONU, os Estados Unidos mostraram que se viam como a única superpotência de verdade, que podia fazer o que quisesse.
Para muitos, isso enfraqueceu a ONU e fez com que o mundo se tornasse um lugar mais imprevisível.
5. A expansão do terrorismo e o atentado em Madri (2004)
A Guerra ao Terror, em vez de acabar com os ataques,
acabou os espalhando pelo mundo.
Os grupos terroristas, revoltados com as invasões no Oriente Médio, passaram a atacar países que eram aliados dos Estados Unidos,
o que se tornou um fenômeno conhecido como "efeito bumerangue".
Um exemplo dramático disso foi o atentado em Madri, na Espanha, em 2004.
A Espanha tinha apoiado as ações dos EUA no Iraque, e como retaliação, terroristas colocaram bombas em trens de passageiros, matando centenas de pessoas.
O ataque foi tão chocante que a população espanhola, com medo, votou para tirar do poder o primeiro-ministro que era a favor da guerra.
Isso mostra como o terrorismo se tornou uma ameaça global, que pode atingir qualquer país.