Liberalismo e Positivismo
1. Liberalismo e Positivismo
Para a gente começar a entender o que foi o tal do "Longo Século XIX",
a gente precisa primeiro mergulhar na cabeça das pessoas daquela época.
É sério! Porque as ideias que surgiram nesse período foram tão fortes que transformaram o mundo inteiro.
Lembra quando a gente falou sobre a Revolução Francesa?
Então, a liberdade e a igualdade que a galera queria não pararam por ali.
O século XIX é o momento em que essas ideias crescem, se espalham e criam outras, totalmente novas.
Foi um caldeirão de pensamentos, e a gente vai dar uma olhada em dois deles que foram super importantes para a elite da época:
o liberalismo e o positivismo.
2. O Liberalismo: A Liberdade no Centro de Tudo
Quando a gente fala em liberalismo, a primeira coisa que vem à mente é a liberdade.
E é isso mesmo!
Essa ideia surgiu como um contraponto ao absolutismo,
que era aquele sistema em que o rei mandava em tudo e a palavra dele era a lei.
O liberalismo valoriza a liberdade individual acima de tudo.
Ele diz que cada pessoa tem um valor único, e que existem alguns direitos que são nossos por natureza, tipo o direito à vida, à liberdade e à propriedade privada.
Pensa só: por muito tempo, a sua terra, sua casa, tudo o que você tinha podia ser tirado pelo rei ou pela nobreza.
Os liberais vieram e disseram "chega!", que a propriedade é um direito sagrado.
Um dos pensadores mais importantes para o liberalismo foi o filósofo inglês John Locke.
Ele dizia que a sociedade é feita de indivíduos e que a função do governo é, principalmente, proteger os direitos desses indivíduos.
Outros, como o filósofo alemão Immanuel Kant,
reforçavam a ideia de que o Estado não deveria se meter na nossa vida,
mas sim garantir as regras básicas para que a gente possa viver em sociedade sem que um prejudique o outro.
Mas, como tudo na vida, o liberalismo não era uma coisa só.
A gente pode dividir ele em duas partes que, para a maioria dos teóricos liberais, não podem ser separadas:
- Liberalismo Político: A galera que defendia isso queria que todo mundo fosse igual perante a lei. Nada de privilégios para a nobreza ou para o clero.
Eles queriam uma Constituição que limitasse o poder do rei e um governo que fosse eleito, nem que fosse por uma pequena parcela de gente.
A ideia era evitar a tirania de um só governante.
Um liberal famoso chamado Alexis de Tocqueville dizia que a liberdade tinha um fim em si mesma.
Para ele, "quem procura na liberdade outra coisa que não ela mesma é feito para servir".
Liberalismo Econômico:
Essa parte foi influenciada por um cara chamado Adam Smith.
A ideia dele era que o governo não devia se intrometer na economia.
Ele acreditava que o mercado se regulava sozinho, como se uma "mão invisível" guiasse a economia.
Ou seja, se o preço de um produto subisse demais, as pessoas parariam de comprá-lo e o preço cairia de novo.
Para ele, o comércio e o trabalho eram a verdadeira fonte de riqueza, e não a posse de ouro ou terra, como se pensava antes.
O liberalismo, no geral, era um movimento da burguesia, que era a classe que estava crescendo na época.
Eles queriam mais poder político e mais liberdade econômica para fazer negócios.
Mas tem um detalhe super importante: a maioria desses liberais não era a favor do voto universal, ou seja, que todo mundo votasse.
Eles achavam que dar poder demais para as massas poderia ameaçar a propriedade deles, sabe?
O voto era só pra quem tinha uma certa quantidade de dinheiro ou terras.
A ideia de "democracia" como a gente conhece hoje, com voto para todos, só se misturou com o liberalismo no século XX.
3. O Positivismo: a Ciência no Comando
E se a gente te dissesse que a história da humanidade pode ser dividida em três fases?
Foi essa a ideia de um filósofo francês chamado Auguste Comte.
Ele acreditava que a gente passava por uma evolução constante e que a ciência era o futuro.
Para Comte, existiam três estágios na evolução do pensamento humano:
1) Estado Teológico (A infância da humanidade):
Nessa fase, a gente explicava tudo usando a religião, o sobrenatural.
2) Estado Metafísico (A adolescência da humanidade):
Aqui, as pessoas usavam a filosofia e a razão abstrata para explicar o mundo, como a ideia de "direitos universais".
3) Estado Positivo (A maturidade da humanidade)
A fase final! Nela, a gente se libertaria de vez das explicações teológicas e filosóficas e passaria a usar a ciência e a observação para entender a realidade.
Comte pensava que as sociedades deviam ser governadas por cientistas e intelectuais,
em uma espécie de tecnocracia.
Para ele, o caminho para o progresso era a educação científica, pública e gratuita para todo mundo.
Os positivistas acreditavam que a ordem e o progresso caminhavam juntos.
Se a gente olhasse para o Brasil, a nossa bandeira tem a frase "Ordem e Progresso",
que é uma ideia puramente positivista.
Você Sabia? A História da Nossa Bandeira!
Sabe a famosa frase "Ordem e Progresso" que está na nossa bandeira?
Ela não é só um lema qualquer! Essa ideia veio do Positivismo, aquela corrente filosófica que a gente acabou de estudar com o Auguste Comte.
Comte acreditava que a sociedade, para evoluir, precisava seguir a ciência.
Pra ele, a "Ordem" (uma sociedade organizada, sem bagunça ou revoluções) era o que a gente precisava para
alcançar o "Progresso" (o desenvolvimento científico e tecnológico).
Ele tinha uma frase que resumia tudo: "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim".
Quando o Brasil se tornou uma República em 1889, os militares e intelectuais da época que eram influenciados pelo positivismo escolheram a frase de Comte para a bandeira.
Eles queriam que o Brasil fosse um país moderno e científico,
e viam a República como o caminho para isso.
A frase original de Comte era bem maior,
mas os brasileiros optaram por usar só essa parte que resumia o objetivo de um futuro de estabilidade para que o país pudesse se desenvolver!
Interessante, né?



