Lei da Velocidade para Reações em Etapas

5 min de leituraQuímica

No capítulo anterior, vimos que a lei da velocidade pode ser escrita com base em dados experimentais.

Quando temos uma etapa única, não precisamos de experimentos para definir a ordem dos reagentes e da reação como um todo.

Mas e quando a reação ocorre em mais de uma etapa? Como definimos a lei da velocidade nesse caso?

Apesar de ser um assunto muito específico e pouco cobrado dessa maneira, principalmente o segundo caso ao fim do capítulo,

esse assunto é muito mais simples do que parece, será um capítulo rápido.

1. Qual etapa define a velocidade de uma reação?

Nós temos as seguintes reações:

Etapa 1: $A + B \rightarrow AB$, V1 

Etapa 2: $AB + B \rightarrow AB_2$, V2

Reação Global: $A + 2 B \rightarrow AB_2$

Cada uma das duas etapas pode ser considerada uma reação elementar. 

E cada etapa tem uma velocidade diferente.

Sendo assim, se eu te peço para definir a lei da velocidade dessa reação global, você usaria a etapa 1 ou a 2? Ou então a reação global?

$V_1 = K_1 . [A]^1[B]^1$ e $V_2 = K_2 . [AB]^1[B]^1$, qual das duas é a lei da velocidade?

Para aprender como definir a etapa que manda na lei da velocidade, quero que pense em uma corrida de 100m das Olimpíadas.

Se o primeiro colocado faz a corrida em 10 segundos e o último termina em 12 segundos, quanto tempo a corrida durou?

Percebe que o tempo total não é o tempo do mais rápido, o cronômetro só para quando o último cruza a linha de chegada?

Em outras palavras, o tempo total depende da parte mais lenta da corrida.

Na química é igual: quem determina a velocidade da reação é a etapa mais lenta do mecanismo.

Ela é chamada de etapa determinante da velocidade.

Portanto, se V1 < V2, a etapa 1 determinaria a lei da velocidade por ser mais lenta e vice-versa.

Não importa quais são os reagentes ou os produtos. A decisão é simples assim.

2. Como definir a lei da velocidade em uma reação por etapas

Quando temos reações em etapas, a lei da velocidade é definida pela etapa mais lenta.

Porém, ainda existe um detalhe que você não pode esquecer. 

Se sua reação global for por $A + B \rightarrow C$, faria sentido eu escrever uma lei da velocidade em função de D?

NÃO! Pelo simples fato de que D é um intermediário que nem aparece na reação, então não faz sentido definir uma lei em função dele.

Então chegamos nas duas regras que precisamos saber desse assunto:

  • A etapa mais lenta define a lei da velocidade de uma reação em etapas

  • A lei da velocidade só pode conter compostos que aparecem na reação global

3. Caso 1 – Intermediário está na etapa rápida (não influencia na lei da velocidade)

Reação em duas etapas:

Etapa 1: A + B → AB (lenta), K1

Etapa 2: AB + B → $AB_2$ (rápida), K2

Global: A + 2 B → $AB_2$

Quem define a lei é a etapa lenta e, se é apenas uma etapa, é uma reação elementar.

Logo, nossa lei da velocidade é: V = $K_1$[A][B]

Acabou, apenas isso.

A e B estão na reação global, portanto eles podem aparecer na lei. 

4. Caso 2 – Intermediário está na etapa lenta (precisa ser substituído)

Agora invertemos as etapas:

Etapa 1: A + B → AB (rápida), K1

Etapa 2: AB + B → $AB_2$ (lenta), K2

Global: A + 2 B → $AB_2$

Quem define a lei é a etapa lenta, então: 

V = $K_2$[AB][B]

Mas aqui temos um problema: AB é um intermediário e a lei da velocidade não pode conter intermediários.

Precisamos dar um jeito de escrever AB em função apenas de A e de B, que aparecem na global. Como fazer isso?

Simples: vamos utilizar a reação rápida para escrever AB em função de A e de B.

Para a reação rápida, ela termina antes da lenta, por motivos óbvios.

E uma reação finalizada, em equilíbrio, aguardando apenas a lenta estar pronta para continuar a reação, 

possui uma propriedade específica: a velocidade no sentido direto é igual a velocidade no sentido inverso.

Isso só fará sentido para você quando chegarmos em Equilíbrio Químico, por enquanto só aceite. 

Etapa 1: $A + B \overset{\text{K(direto)}}{\underset{\text{K(indireto)}}{\rightleftharpoons}} AB (rápida)$

Se V(direto) = V(indireto), então:

K(direto) . [A][B] = K(indireto) . [AB]

Portanto, [AB] = [A][B] . $\frac{K(direto)}{K(indireto}$

Uma constante dividida por outra constante dá uma nova constante, portanto, podemos dizer que $\frac{K(direto)}{K(indireto} = K_3$.

Sendo assim, [AB] = [A][B] . K3

Substituindo [AB] na nossa lei da velocidade, nós temos:

V = $K_2$[AB][B]

V = $K_2 . K_3$ . [A][B][B]

Uma constante multiplicada por outra constante dá uma nova constante, portanto podemos dizer que K2 . K3 = K.

$V = K . [A] . [B]^2$

Perfeito! Temos agora nossa Lei da Velocidade representada pela reação lenta e apenas em função de A e de B, que aparecem na reação global.

Essa seria a resposta. 

Conclusão

Se uma reação acontece em várias etapas, quem manda na velocidade é sempre a etapa mais lenta.

  • Se a etapa lenta não tiver intermediários, é só montar a lei com os reagentes dela.

  • Se ela tiver intermediários, a gente substitui usando as etapas anteriores.

Simples, direto e muito útil para entender como a reação acontece de verdade.

No próximo capítulo, vamos aprender a estimar como a temperatura influencia a velocidade da reação: a famosa Lei de Van’t Hoff.

Bora!

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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