Isomeria R e S dos Carbonos Quirais
A isomeria R e S é um sistema usado para identificar a configuração absoluta dos carbonos quirais em uma molécula.
Isso nos permite diferenciar dois enantiômeros sem precisar comparar diretamente suas propriedades ópticas,
ou sem precisar ficar chamando de "-com ligação para trás" ou "-com ligação para frente".
Por mais que seja a melhor classificação para os isômeros de carbonos quirais, esse assunto dificilmente é cobrado com essa profundidade.
Você verá que é muito comum uma questão te perguntar se o composto tem carbono quiral, quantos estereoisômeros ele forma, etc.
Mas é muito raro você encontrar uma questão cobrando de você a diferenciação entre o isômero R e o isômero S.
Portanto, seguirei minha explicação, por considerar que entender a isomeria R-S agrega muito no raciocínio lógico para as questões de isomeria óptica,
mas saiba filtrar o que você está estudando e tenha noção do quanto você está se aprofundando.
Para muitas provas, você não precisará saber disso com tanto detalhe.
Dito isso, vamos para a explicação.
1. Como Determinar se um Carbono Quiral é R ou S?
Para definir se um carbono quiral tem configuração R (rectus) ou S (sinister), seguimos um conjunto de regras de prioridade, as regras de Cahn-Ingold-Prelog.
Passo a passo para determinar R ou S:
1️ Identifique o carbono quiral na molécula (ele estará ligado a quatro grupos diferentes).
Por exemplo, essa molécula possui 4 ligantes diferentes, então é um C*.
2️ Atribua prioridades aos quatro grupos ligados ao carbono, de acordo com o número atômico:
- O átomo com maior número atômico recebe a prioridade/número 1 e você segue numerando os demais ligantes em ordem decrescente.
- O átomo com menor número atômico recebe a prioridade 4.
Por exemplo, na molécula abaixo, a numeração seria:
- A prioridade é decidida pelo próximo átomo na sequência do grupo ligante;
3️ Oriente a molécula para que o grupo de menor prioridade (4) fique para trás do plano de visão.
4️ Observe a sequência dos grupos 1 → 2 → 3:
- Se o movimento for no sentido horário ⟳, o carbono quiral é R.
- Se o movimento for no sentido anti-horário ⟲, o carbono quiral é S.
É claro que, se você tiver uma molécula em que o grupo de menor prioridade (4) esteja para frente do plano de visão, você segue sendo capaz de descobrir.
- Se o movimento for no sentido horário ⟳, dessa vez o carbono quiral será S.
- Se o movimento for no sentido anti-horário ⟲, dessa vez o carbono quiral será R.
Aproveitando todos os exemplos que construímos, vamos classificar em R e em S:
2. Diferentes Formas de Representação da Isomeria R e S
Agora que já sabemos como classificar um carbono quiral como R ou S, precisamos entender as formas de representação dessas moléculas.
As duas representações mais comuns são:
🔹 Projeção de Fischer
Essa é a representação que mais aparece nas questões, pois é a mais “simples” de se desenhar, já que ela é bidimensional.
Nela, as ligações horizontais estão voltadas para frente do plano, enquanto que as ligações verticais estão voltadas para trás do plano.
Vamos ver dois exemplos:
Agora um exemplo com dois carbonos quirais:
Vamos fazer primeiro a isomeria do C* de cima:
Esse é um pouco mais complicado, então vou explicar passo a passo:
Os primeiros ligantes são –O, -C, -C e –H. Claramente o –O recebe o 1 e o –H recebe o 4. A dúvida fica para o 2 e o 3, então vamos olhar para os próximos ligantes deles.
O C de cima está ligado a um –OH e um =O. Sabemos que dupla ligação conta como se fossem duas ligações, então o C de cima está ligado com 3 oxigênios.
Já o C de baixo está ligado com um –H, um –O e um –C. Os três oxigênios são maiores prioridades, logo o C de cima fica com o 2 e o C de baixo fica com o 3.
💡 Moral da história: o C* de cima é um carbono R.
O C* de baixo possui os mesmos ligantes que o de cima, então a regra será a mesma, encontrando que ele é um carbono R.
💡 Moral da história: considerando que o nome dessa molécula é ácido 2,3-dihidroxibutano-1,4-dioico,
esse isômero seria o ácido (2R,3R)-2,3-dihidroxibutano-1,4-dioico.
🔹 Projeção de Newman
Projeção espacial, para visualizar moléculas em perspectiva, observando os átomos ligantes ao longo de uma ligação C-C em profundidade.
Ela representa os carbonos como círculos e coloca três ligantes no círculo da frente e três ligantes no círculo de trás.
O carbono de trás é representado meio que “tampado” pelo da frente, de forma que você só visualiza as ligações do carbono de trás.
E como você pôde ver na imagem, as moléculas podem ser representadas de várias formas nessa projeção, atendendo padrões de ECLIPSE ou de ESTRELA.
Isso só é possível porque a ligação simples de um carbono tetraédrico (sp3) é espacial e pode rotacionar como quiser, já que ela não está presa por um orbital pi.
Mas o mais importante daqui é saber que a projeção na forma de ESTRELA é mais estável e menos energética que a projeção na forma de ECLIPSE.
E a justificativa para isso é a mesma de sempre, porque com ligantes mais distantes, a repulsão se torna menor, consequentemente a estabilidade aumenta e a energia diminui.
Conclusão
Capítulo pequeno, mas muito difícil! São muitas regras, muitas formas de representar, para um conceito que já é difícil.
Se esse assunto for cobrado em suas avaliações, se programe para revisar várias e várias vezes, até que tudo isso se torne automático para você.
Boa sorte!










