Introdução aos Cordados e Protocordados

6 min de leituraBiologia

1. Introdução

Bora falar do nosso filo, o dos Cordados.

Sim, o nosso.

É aqui que a gente se encaixa, junto com peixes, aves e todos os outros vertebrados.

Mas o legal é que esse grupo também tem membros invertebrados, que são como os protótipos, as versões beta do que viria depois.

O que une um humano, uma galinha, um peixe e um bicho esquisito que parece uma bolsa d’água presa numa rocha?

São quatro características que todo cordado tem que apresentar em pelo menos uma fase da vida.

É isso que a gente vai desvendar hoje: o que define um cordado e quem são os pioneiros invertebrados desse grupo.

2. Explorando os Conceitos

O RG dos Cordados: As Quatro Regras de Ouro

Para ser considerado um cordado, um animal precisa ter tido, em algum momento, estas quatro estruturas.

Não importa se elas somem depois.

1. Notocorda:

A primeira, que dá nome ao filo.

É um bastão flexível de células, tipo um eixo de sustentação primitivo, que fica no dorso do animal.

Nos vertebrados, como nós, ela é o molde para a formação da coluna vertebral e depois é reabsorvida.

Em alguns cordados mais simples, ela permanece por toda a vida.

2. Tubo Neural Dorsal:

Pensa nele como o esboço do nosso sistema nervoso central.

É um tubo que corre acima da notocorda.

Na maioria dos outros filos, o cordão nervoso é ventral (na barriga). Nos cordados, é dorsal.

Em nós, esse tubo se desenvolve para formar o cérebro e a medula espinhal.

3. Fendas Faringianas (ou Branquiais):

São aberturas na região da faringe.

Nos peixes, elas viram as brânquias, essenciais para a respiração debaixo d'água.

Em nós, essas fendas só aparecem na fase embrionária e depois se fecham, dando origem a outras estruturas da cabeça e do pescoço, como partes do ouvido.

4. Cauda Pós-Anal:

É literalmente uma cauda que se estende para além do ânus.

Em peixes, é fundamental para a natação.

Em muitos mamíferos, também.

Em humanos, a gente tem uma na fase embrionária, mas ela regride e o que sobra são os ossinhos do cóccix.

Características Gerais (Mas Não Exclusivas)

Além do RG, os cordados compartilham outras características com outros filos.

São importantes, mas não são exclusivas.


Deuterostômios:

Essa é a principal. Lembra do desenvolvimento embrionário?

Nos deuterostômios, o primeiro buraco (blastóporo) que se forma vira o ânus.

O único outro filo que tem essa característica são os equinodermos (estrelas-do-mar).

Por isso, apesar da aparência, as estrelas-do-mar são evolutivamente mais próximas de nós do que uma barata, por exemplo.

Isso cai muito em prova.

Outras:

São triblásticos (três folhetos embrionários), celomados (têm uma cavidade corporal) e com simetria bilateral (um lado é espelho do outro).

Nada de novo aqui, só a confirmação de uma linha evolutiva mais complexa.

3. Exemplos do Mundo Real

Vamos conhecer os "protocordados", os cordados invertebrados que são a base de tudo.

O Cefalocordado: Anfioxo, o "Manual do Cordado"

O anfioxo é o exemplo perfeito de um cordado.

Ele parece um peixinho minúsculo e translúcido que vive enterrado na areia do fundo do mar, só com a boca para fora.

Ele é o modelo ideal porque mantém as quatro características de cordado durante a vida inteira.

A notocorda vai da cabeça à cauda, dando sustentação.

O tubo neural corre logo acima dela.

As fendas faringianas são usadas tanto para filtrar o alimento da água quanto para respirar.

E a cauda pós-anal ajuda na natação.

Ele é um filtrador nato: a água entra pela boca, passa pelas fendas na faringe, o alimento é capturado e o resto sai.

O sistema circulatório dele é fechado, mas uma curiosidade: ele não tem coração.

O sangue é bombeado pela contração dos próprios vasos sanguíneos.

O Urocordado: Ascídia, o "Cordado que Desiste"

As ascídias são animais marinhos que, quando adultos, parecem uma bolsa colorida ou um jarro fixo em uma rocha (sésseis).

Olhando para o adulto, você nunca diria que ele é um parente próximo nosso.

A mágica acontece na fase de larva.

A larva da ascídia é livre-natante e um cordado de carteirinha: tem notocorda na cauda, tubo neural, fendas faringianas e cauda pós-anal.

Ela nada por aí até encontrar um bom lugar para se fixar.

Quando encontra, sofre uma metamorfose radical: perde a cauda (e a notocorda junto), o tubo neural encolhe e vira um gânglio simples, e o corpo se transforma naquele formato de saco.

A única característica que o adulto mantém são as fendas faringianas, que ele usa para filtrar água e se alimentar, de forma bem parecida com o anfioxo.

O Confronto: Anfioxo vs. Ascídia

Beleza, agora que conhecemos os dois, vamos colocar um contra o outro para resumir as diferenças que importam na prova.

Estilo de Vida:

O anfioxo é ativo, nadando e se enterrando na areia a vida toda.

A ascídia só nada quando é larva; o adulto é sedentário, grudado em uma rocha.

Características de Cordado:

O anfioxo é o "aluno nota 10", mantém as quatro características sempre.

A ascídia adulta joga quase tudo fora e fica só com as fendas faringianas.

Localização da Notocorda:

O nome já entrega.

Nos Cefalocordados (cephalo = cabeça), ela vai da cabeça à cauda.

Nos Urocordados (uro = cauda), a notocorda da larva fica restrita à cauda.

Coração:

O anfioxo não tem coração.

A ascídia tem um coração simples.

Reprodução:

O anfioxo tem sexos separados (dioico).

As ascídias são hermafroditas (monoicas).

4. Erros Comuns

1. Achar que todo cordado é vertebrado.

Esse é o erro mais básico.

O filo Chordata inclui os protocordados (anfioxos e ascídias), que não têm vértebras.

A coluna vertebral é uma característica de um subgrupo dentro dos cordados, não do filo inteiro.

2. Pensar que o adulto precisa ter as quatro características.

A regra é clara: "em pelo menos uma fase da vida".

A ascídia adulta é o melhor exemplo.

Ela perde quase tudo, mas como a larva tinha, ela continua sendo uma cordada.

3. Assumir que o anfioxo é nosso parente mais próximo.

Pela lógica, o anfioxo, que se parece mais com um peixe, deveria ser evolutivamente mais próximo de nós do que a ascídia, que parece uma esponja.

Mas as análises de DNA mostram o contrário: os urocordados (ascídias) são o grupo irmão dos vertebrados.

É uma pegadinha clássica.

5. Conclusão

Entender os cordados é entender a nossa própria origem.

As quatro características-chave (notocorda, tubo neural dorsal, fendas faringianas e cauda pós-anal) são a planta baixa que define todo o filo.

Os protocordados, como o anfioxo e a ascídia, nos mostram as versões mais primitivas dessa estrutura, ajudando a gente a montar o quebra-cabeça da evolução dos vertebrados.

Para fechar com uma curiosidade bizarra:

Algumas espécies de ascídias acumulam vanádio, um metal pesado, em suas células sanguíneas.

O sangue delas pode ficar amarelo ou verde e é tão concentrado que se torna tóxico para predadores.

Elas são basicamente sacos de veneno fixados em rochas.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Introdução aos Cordados e Protocordados. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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