Início do Período Joanino
1. Quando Napoleão bateu na porta: o que Portugal veio fazer no Brasil?
Vamos imaginar a cena: Napoleão Bonaparte, aquele general que virou imperador da França,
decide fechar os portos da Europa para a Inglaterra.
Esse movimento ficou conhecido como Bloqueio Continental.
A ideia era simples: cortar a Inglaterra do resto da Europa para enfraquecê-la economicamente.
E Napoleão estava disposto a fazer de tudo para garantir esse objetivo,
mesmo que para isso tivesse que ameaçar não só a potência inglesa, mas bem como seus aliados.
Aí você pode se perguntar:
Porque tu tá falando sobre França e Europa se o que eu quero saber é de Portugal e Brasil?
Adivinha quem era um dos principais aliados da Inglaterra?
Não podia ser outra né, OS PORTUGUESES!
E aí, obedece Napoleão e rompe com a Inglaterra, ou continua aliado dos britânicos e arruma briga com a França?
“Nenhum dos dois né, óbvio, como nós somos medrosos, vamos simplesmente fugir!”
(As palavras acima não são minhas, mas sim de Dom João VI. Juro como ele falou desse jeitinho aí.)
Brincadeiras à parte, você deve entender que no final das contas Portugal escolheu manter a amizade com a Inglaterra.
E o final não foi outro, a França não gostou nem um pouco.
O resultado? Em 1807, foi assinado o Tratado de Fontainebleau,
que permitia que tropas francesas passassem pela Espanha e invadissem Portugal.
A intenção de Napoleão era clara: tomar conta do território português.
A família real, então, decidiu fugir.
Mas não foi uma fuga qualquer.
Foi para aquela colônia mais produtiva que eles tinham.
Se você não sacou ainda hoje qual é, claramente estou falando do Brasil.
Foi uma mudança de sede do governo,
com direito a escolta inglesa e uma travessia de mais de dois meses até o Rio de Janeiro.
Ou seja, foi uma inversão administrativa, na qual a colônia virou a sede do Governo em vez da metrópole.
2. A vinda da Corte Portuguesa ao Brasil: uma fuga estratégica com escolta inglesa
Quando a corte desembarcou no Brasil em 1808, tudo mudou.
E a partir daqui vai ter o início do Período Joanino.
A colônia, que antes não podia nem sonhar em ter universidades, indústrias ou um governo próprio,
virou o centro do Império Português.
E, vamos combinar, isso foi um baque para quem vivia aqui:
de uma hora pra outra, o Rio de Janeiro teve que virar capital do Reino.
Foi uma mudança e tanto.
A cidade, que ainda era pequena e cheia de problemas de infraestrutura,
teve que se adaptar para receber príncipes, nobres, ministros, soldados e toda uma estrutura administrativa.
3. O Tratado de 1808 e a abertura dos portos: o fim do pacto colonial
Poucos dias depois de chegar ao Brasil, Dom João assinou o Decreto de Abertura dos Portos.
Você ainda lembra do Pacto Colonial, aquele que obrigava que a colônia só comerciava com a metrópole?
Pois é, ele foi extinto!
E isso foi histórico!
O Brasil deixava de ser uma colônia economicamente dependente de Portugal e passava a poder negociar diretamente com outros países.
Na prática, isso significava que os navios ingleses podiam atracar nos nossos portos e fazer comércio livremente.
Obviamente, isso foi muito conveniente para a Corte Portuguesa.
Mas nem tanto para os comerciantes portugueses que ficaram lá e agora tinham mais um concorrente no mercado mundial.
Os ingleses tomaram a frente nos negócios do que vamos chamar de Tratados de 1810.
Em 1810, Portugal assinou com a Inglaterra dois acordos:
o Tratado de Aliança e Amizade e o Tratado de Comércio e Navegação.
Neles, os ingleses garantiram uma série de vantagens comerciais e jurídicas.
Por exemplo: os produtos ingleses pagavam menos impostos que os portugueses quando chegavam ao Brasil.
Pode isso? Pode, e foi o que aconteceu.
Esses tratados mostravam que, apesar de Portugal estar em solo brasileiro, quem mandava mesmo no comércio eram os ingleses.
Além disso, os tratados proibiam a Inquisição no Brasil e previam o fim gradual do tráfico de escravizados, o que se tornaria uma pauta cada vez mais polêmica nas décadas seguintes.
Lembre desse impacto inglês, isso ainda vai repercutir por muitas décadas…
4. Luz verde para a indústria no Brasil
Vamos lembrar de uma coisa:
desde 1785, o Brasil estava proibido de ter fábricas.
Lembra da Viradeira? Pois é…
Foi quando foi reinstituido o chamado alvará que proibia a instalação de manufaturas no Brasil,
que servia pra impedir que a colônia concorresse com os produtos portugueses.
Mas com a chegada da corte, essa proibição caiu por terra.
Era hora de estimular a produção local!
A revogação do alvará em 1808 abriu caminho para o surgimento das primeiras indústrias no Brasil.
Começaram a aparecer manufaturas de tecidos, vidro, pólvora, trigo...
Um passo importante para que o país deixasse de ser apenas exportador de matéria-prima.
Essa medida ajudou a mudar o perfil econômico do Brasil e a criar uma pequena, mas crescente, classe de comerciantes e industriais locais.
Esse foi o ponto de partida de uma série de transformações que viriam a seguir.
E é isso que a gente vai continuar explorando nos próximos capítulos:
Como uma colônia virou centro de um império e, mais tarde, uma nação independente.
VIVA O NACIONALISMO!
(tudo com sua devida moderação, pois aqui não somos a favor do etnocentrismo)




