Fissão e Fusão Nuclear

5 min de leituraQuímica

Introdução: A Energia Escondida no Núcleo

Beleza, capítulo mais importante do assunto agora!

Até agora, vimos como os núcleos instáveis decaem lentamente, emitindo partículas e se transformando ao longo de milhares ou até bilhões de anos.

Mas e se a gente pudesse pegar um núcleo e, em vez de esperar, forçá-lo a liberar sua energia de uma vez só?

Existem duas maneiras de fazer isso, e elas representam as duas formas mais poderosas de liberar energia nuclear que conhecemos.

Uma envolve quebrar um núcleo pesado em pedaços menores. A outra envolve unir núcleos leves para formar um maior.

Bem-vindo ao mundo da fissão e da fusão nuclear, as reações que alimentam estrelas, movem usinas e, infelizmente, também criaram as armas mais destrutivas da história.

1. Fissão Nuclear: Quebrando o átomo

A palavra fissão significa "divisão" ou "quebra".

Fissão Nuclear é a reação em que um núcleo atômico pesado e instável é bombardeado por um nêutron e se quebra em núcleos menores, liberando uma quantidade colossal de energia e mais nêutrons.

O protagonista dessa história é geralmente o Urânio-235 ($^{235}$U), um isótopo do urânio que é "físsil", ou seja, que pode ser quebrado.

Reação em Cadeia: O Efeito Dominó Nuclear

O que torna a fissão tão poderosa não é a quebra de um único átomo, mas a possibilidade de criar uma reação em cadeia.

Funciona assim:

Um nêutron solitário atinge um núcleo de Urânio-235.

O núcleo de urânio absorve o nêutron, fica extremamente instável e se parte em dois núcleos menores (por exemplo, Bário e Criptônio).

Essa quebra libera uma quantidade enorme de energia e, o mais importante, libera mais 2 ou 3 nêutrons.

Esses novos nêutrons saem em alta velocidade e atingem outros núcleos de Urânio-235 por perto, causando novas fissões.

Cada uma dessas novas fissões libera mais energia e mais nêutrons, que causam ainda mais fissões...

É um efeito dominó que cresce exponencialmente.

Em uma fração de segundo, trilhões de átomos podem ser quebrados, liberando uma energia inimaginável.

2. Aplicações de Fissão Nuclear

A diferença entre usar essa energia para o bem ou para o mal está em uma única palavra: controle.

Usinas Nucleares (Uso Controlado)

Em uma usina nuclear, a reação em cadeia é controlada.

Como? Usando barras de controle (feitas de materiais como boro ou cádmio) que são inseridas no reator.

Essas barras absorvem o excesso de nêutrons, garantindo que, em média, apenas um nêutron de cada fissão cause uma nova fissão.

Isso mantém a reação estável, liberando energia a uma taxa constante.

Essa energia (na forma de calor) é usada para ferver água, criar vapor, girar uma turbina e gerar eletricidade.

É uma máquina a vapor movida a energia nuclear.

Bomba Atômica (Uso Não Controlado)

Em uma bomba atômica, o objetivo é o oposto: deixar a reação em cadeia acontecer da forma mais rápida e violenta possível.

Para que isso ocorra, é preciso ter uma quantidade mínima de material físsil, chamada de massa crítica.

Abaixo dessa massa, muitos nêutrons escapam sem atingir outros núcleos e a reação para.

Acima da massa crítica, a reação em cadeia se autossustenta e cresce exponencialmente, liberando toda a sua energia em uma explosão devastadora.

3. Fusão Nuclear: Unindo átomos

Se a fissão é sobre quebrar, a fusão é sobre construir.

Fusão Nuclear é a reação em que dois ou mais núcleos atômicos leves se unem (se fundem) em altíssimas temperaturas e pressões para formar um núcleo maior, liberando uma quantidade de energia ainda maior que a da fissão.

A Energia das Estrelas Este é o processo que alimenta o nosso Sol e todas as estrelas do universo.

No núcleo do Sol, a imensa gravidade cria a pressão e a temperatura necessárias (cerca de 15 milhões de graus Celsius!) para forçar os núcleos de hidrogênio a se fundirem, formando hélio.

Uma das reações de fusão mais estudadas envolve dois isótopos do hidrogênio, o Deutério ($^{2}H$) e o Trítio ($^{3}H$):

$^{2}_^{1}H + ^{3}_^{1}H \rightarrow ^{4}_^{2}He + ^{1}_^{0}n + ENERGIA$

4. Aplicações: O Poder do Sol na Terra

Bomba de Hidrogênio (Bomba H)

A aplicação bélica da fusão é a bomba de hidrogênio, a arma mais poderosa já criada.

Ela é tão difícil de iniciar que, para atingir as temperaturas necessárias, uma bomba de fissão (uma bomba atômica comum) é usada como "estopim" para detonar a fusão.

Conclusão

O futuro da energia?

O grande sonho da ciência é conseguir controlar a fusão nuclear em um reator aqui na Terra.

Se conseguirmos, teríamos uma fonte de energia praticamente ilimitada e muito mais limpa que a fissão (o combustível, hidrogênio, pode ser extraído da água do mar, e o processo gera muito menos lixo radioativo).

O desafio é gigantesco: como criar e conter um material a mais de 100 milhões de graus Celsius aqui na Terra?

Projetos internacionais como o ITER estão trabalhando nisso, mas ainda é uma tecnologia para o futuro.

No nosso último capítulo, vamos ver como podemos "brincar" com os núcleos de forma mais sutil, transformando um elemento em outro, e explorar as diversas aplicações da radioatividade na nossa sociedade.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Fissão e Fusão Nuclear. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
Um plano de estudo montado pra onde você quer chegar.
Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.