Fases da Guerra Fria: Coexistência e Détente
1. A Coexistência Pacífica (1953-1959): A Nova Postura de Khrushchev
Aqui, a gente vai revisitar alguns dos temas que já falamos,
mas com o objetivo de agrupá-los em um novo momento da Guerra Fria.
Em vez de focarmos nos eventos em si, vamos entender as fases da guerra,
onde os "gigantes" se aproximaram e se afastaram em diferentes momentos.
Você se lembra que falamos da morte de Stálin e da ascensão de Nikita Khrushchev?
Pois é, esse foi o ponto de virada para o Bloco Socialista.
Khrushchev, ao contrário de seu antecessor, denunciou publicamente
os crimes de Stálin em 1956,
em um discurso que abalou as estruturas do comunismo.
Esse movimento ficou conhecido como "desestalinização".
Khrushchev também defendeu uma nova política externa para a URSS:
a "coexistência pacífica".
A ideia não era mais a de confrontar os EUA diretamente,
mas de competir economicamente e ideologicamente,
mostrando que o socialismo era superior, sem a necessidade de uma guerra.
Foi nesse período que o líder soviético visitou os Estados Unidos,
um ato diplomático impensável anos antes.
Mas essa "paz" era cheia de tensões.
Em 1960, um avião espião americano, o U-2, foi abatido sobre a União Soviética.
O incidente provou que os EUA estavam espionando o território soviético e
abalou a confiança entre os dois lados.
A rivalidade se moveu para o espaço: a Corrida Espacial.
A URSS saiu na frente, lançando o primeiro satélite, o Sputnik, em 1957,
e o primeiro homem no espaço, Yuri Gagarin, em 1961.
A primeira mulher no espaço, Valentina Tereshkova, também foi soviética, em 1963.
Os EUA, por sua vez, responderam com o Projeto Apollo,
que culminou na chegada de Neil Armstrong à Lua em 1969.
Era a competição ideológica por meio da tecnologia.
(SUGESTÃO DE RECURSO VISUAL: IMAGENS DA CORRIDA ESPACIAL)
2. A Doutrina Brejnev e a Primavera de Praga (1968)
A política de coexistência pacífica de Khrushchev não durou para sempre.
Em 1964, ele foi substituído por Leonid Brejnev,
que tinha uma postura muito mais conservadora e repressiva.
A URSS não iria mais permitir "desvios" da linha socialista.
A prova disso foi a Primavera de Praga, em 1968.
Na Tchecoslováquia, o líder Alexander Dubcek iniciou um movimento para criar um "socialismo humanizado".
A ideia era dar mais liberdade de expressão, de imprensa e de organização,
com o objetivo de descentralizar o poder.
A população apoiou a ideia com entusiasmo.
Mas a União Soviética viu isso como uma ameaça.
Em agosto de 1968, as tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a Tchecoslováquia,
de forma brutal, para reprimir o movimento.
Para justificar a invasão, Brejnev proclamou a Doutrina Brejnev,
ou a "Doutrina da Soberania Limitada dos Países Socialistas".
Basicamente, a doutrina dizia que a URSS tinha
o direito de intervir em qualquer país socialista que estivesse se "desviando" do caminho, em nome da defesa do socialismo.
3. A Détente: Redução das Tensões e Acordos
Mesmo com a Doutrina Brejnev,
o período de maior tensão da Guerra Fria foi a Crise dos Mísseis, que a gente já detalhou,
e ela teve um efeito de choque nos dois lados.
Os líderes perceberam o risco de uma guerra nuclear e, a partir de 1963,
iniciou-se o período de "Détente" (palavra francesa que significa "distensão").
Foi um momento em que, apesar das tensões pontuais,
os dois blocos tentaram reduzir a corrida armamentista e buscar o diálogo.
Algumas conquistas desse período foram:
- A criação do "telefone vermelho" (linha de comunicação direta entre a Casa Branca e o Kremlin) para evitar mal-entendidos.
- Os acordos de desarmamento nuclear, como o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares (1963), que proibiu testes a céu aberto,
e o SALT I (Strategic Arms Limitation Treaty), assinado em 1972, para limitar o número de mísseis balísticos intercontinentais.
A Détente não acabou com a Guerra Fria,
mas mostrou que era possível para os dois lados conversarem
e encontrarem soluções diplomáticas para evitar uma guerra nuclear.