Equação de Arrhenius

5 min de leituraQuímica

A gente já entendeu que aumentar a temperatura aumenta a velocidade da maioria das reações químicas, certo?

Mas... por que isso acontece? E como podemos quantificar esse aumento?

Quem respondeu tudo isso foi o cientista Svante Arrhenius,

que desenvolveu uma equação para relacionar a temperatura com a constante de velocidade de uma reação.

Como sempre, nossos últimos capítulos costumam ensinar coisas bem aprofundadas, 

que só costumam aparecer em vestibulares bem tradicionais. 

Esse é mais um tópico disso, portanto, saiba filtrar de acordo com o que seu professor cobra de você.

1. A ideia por trás da equação

Lembra da energia de ativação? Aquela barreira de energia que as moléculas precisam vencer para reagir?

Quanto maior a temperatura, mais moléculas ganham energia suficiente para superar essa barreira e reagir.

Ou seja, mais colisões eficazes e uma reação mais rápida.

Arrhenius traduziu essa ideia em uma fórmula:

$k = A · e^\frac{- EA}{RT}$

Onde:

  • k é a constante de velocidade

  • A é o fator de frequência (relacionado à quantidade de colisões)

  • EA é a energia de ativação (em J/mol)

  • R é a constante universal dos gases (8,314 J/mol·K)

  • T é a temperatura em kelvin

  • e é a base do logaritmo natural (aproximadamente 2,718)

2. O que essa fórmula nos mostra?

A fórmula mostra que quanto maior for a temperatura, maior será o valor de k.

E isso bate com tudo que a gente viu: se k aumenta, a velocidade da reação também aumenta.

Ela também mostra que se a energia de ativação for muito alta, o valor de k vai ser muito pequeno.

E isso faz sentido, porque barreiras maiores são mais difíceis de vencer.

E um catalisador, o que faz com essa fórmula?

Um catalisador reduz a energia de ativação, fazendo com que, no fim das contas, o valor de K aumente.

Portanto, você percebe que tudo que estudamos sobre Cinética Química realmente faz sentido quando enxergamos essa fórmula.

Exemplo 1 - Aplicação Direta da Fórmula

A velocidade de uma reação quando está a 1000 K é a mesma quando ela está a 400 K mais um catalisador. 

A presença do catalisador reduz a energia de ativação em 150 J. 

portanto, qual o valor da energia de ativação em cada uma das reações?

📝 Resolução

A questão pede o valor da energia de ativação e qual é a única fórmula que você sabe que trabalha com isso?

Exatamente, equação de Arrhenius. Então, vamos lá.

Se temos a mesma reação, acontecendo na mesma velocidade, significa que a constante de velocidade nas duas situações é a mesma.

Portanto: K1 = K2

A equação de Arrhenius é $K = A · e^\frac{-EA}{RT}$

T1 = 1000 e T2 = 400.

Além disso, sabemos que EA1 - EA2 = 150.

Vamos substituir os valores então:

K1 = K2

$A · e^\frac{-EA1}{RT1}$ = $A · e^\frac{-EA2}{RT2}$

Cancelando o A, temos:

$e^\frac{-EA1}{RT1}$ = $e^\frac{-EA2}{RT2}$

Se a base é a mesma, os expoentes precisam ser iguais:

$\frac{-EA1}{1000R} = \frac{-EA2}{400R}$

Cancelando o R, temos que:

$\frac{-EA1}{1000} = \frac{-EA2}{400}$

$\frac{-EA1}{5} = \frac{-EA2}{2}$

2 . EA1 = 5 . EA2

EA1 = 2,5 EA2

Se EA1 - EA2 = 150, então:

2,5 EA2 - EA2 = 150

1,5 EA2 = 150

EA2 = 100 J

EA1 = 250 J

Exemplo 2 - Interpretação de Gráficos

Analisando o gráfico abaixo, que mostra a variação de 1/T em função de ln(K), e baseado na equação de Arrhenius,

qual a maior energia de ativação, EA1 ou EA2?

📝 Resolução

Essa interpretação gráfica é cobrada nos vestibulares tradicionais e o raciocínio parte do desenvolvimento da equação primeiro.

$K = A · e^\frac{-EA}{RT}$

Aplicando logaritmo natural nos dois lados, nós temos:

$ln(K) = ln( A · e^\frac{-EA}{RT} )$

$ln(K) = ln(A) + ln( e^\frac{-EA}{RT} )$

$ln(K) = ln(A) - \frac{EA}{RT}$

$ln(K) = ln(A) - \frac{EA}{R} . \frac{1}{T}$

Perceba que ela parece uma função de primeiro grau y = ax + b:

  • ln(K) é como se fosse o Y

  • $- \frac{EA}{R}$ é como se fosse o a

  • $\frac{1}{T}$ é como se fosse o X

  • ln(A) é como se fosse o b.

Levando isso em consideração, sabemos que o que define a inclinação da reta é o seu coeficiente angular, que nesse caso é $- \frac{EA}{R}$.

Nosso coeficiente sempre terá um valor negativo,

já que EA é sempre positiva (energia que você precisa absorver para atingir o complexo ativado) e o R também.

Portanto, para saber qual possui maior energia de ativação apenas olhando para os gráficos,

basta escolher a função de maior inclinação.

Quanto maior a inclinação, maior o ângulo θ da reta, maior será sua tangente (em módulo, já que ela é negativa).

E como a tangente de θ equivale ao coeficiente angular, tgθ = $\frac{EA}{R}$, quanto maior θ, maior será a EA.

Na nossa questão, θ2 > θ1, portanto, tg(θ2) > tg(θ1) em módulo, então:

$\frac{EA2}{R} > \frac{EA1}{R} \rightarrow EA2 > EA1$

Conclusão

Esse talvez seja o capítulo mais difícil e específico de todo o nosso material de Físico-Química,

mas existem algumas coisas boas daqui a serem tatuadas na alma:

  • A Equação de Arrhenius relaciona a temperatura e a presença de catalisadores com a velocidade de uma reação;

  • Ela mostra como a velocidade aumenta de acordo com o valor da constante de velocidade K;

  • Quando cobrada em provas, costuma ser com aplicações diretas da fórmula ou em interpretações gráficas sobre quem possui maior EA.

Se você entendeu tudo isso, parabéns!

Finalizamos mais um bloco, o de Cinética Química, um dos mais difíceis dessa matéria. 

Estou orgulhoso da gente, já evoluímos tanto desde o início!

Vamos continuar, próximo bloco agora é de Equilíbrio Químico, te vejo lá! 😊

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Equação de Arrhenius. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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