Entre panfletos e promessas: o Brasil decide seu caminho

6 min de leituraHistória

1. Um clima de incerteza: e agora, quem manda?

OUVIRAM DO IPIRANGA MARGENS PLÁAAAAAAACIDAS

DE UM POVO HEROICO O BRADO RETUMBANTE.

Calma jaja vamos chegar nessa parte, mas até onde estudamos o Brasil ainda não se tornou independente.

Vamos lá, agora que a família real está de volta a Portugal

– com exceção de d. Pedro –,

o clima no Brasil fica tenso.

Afinal, o que vai acontecer com esse reino que se viu,

por mais de uma década, como centro do Império?

Quem manda agora?

E mais: o que quer dizer ser brasileiro nesse contexto?

2. Partido brasileiro x partido lusitano: disputas sobre o futuro

Para começar, a gente precisa revisar e entender que o Brasil estava dividido entre dois grandes grupos de opinião:

o chamado partido brasileiro e o partido lusitano.

Calma, isso não tem a ver com partidos como conhecemos hoje, mas com correntes de pensamento formadas por diferentes setores da sociedade.

O partido brasileiro era formado, em sua maioria, por grandes proprietários rurais, burocratas, juristas e militares nascidos no Brasil.

Eles queriam mais autonomia política, ou seja,

desejavam que as decisões importantes fossem tomadas aqui mesmo,

sem ter que esperar ordens de Lisboa.

Não queriam necessariamente a independência já, mas estavam de olho em garantir seus interesses locais.

Já o partido lusitano, formado principalmente por militares, comerciantes e funcionários portugueses radicados no Brasil,

era favorável à permanência do Brasil sob controle direto das Cortes de Lisboa.

Defendiam a volta ao antigo modelo colonial, com o Brasil subordinado à metrópole.

3. A imprensa em ação: panfletos, jornais e opinião pública

Nesse momento, a imprensa virou uma ferramenta poderosa.

Jornais, panfletos e folhetos circularam por todo canto.

De um lado, defendiam-se as ideias da Independência.

De outro, atacava-se d. Pedro e suas alianças.

Era um verdadeiro campo de batalha ideológico.

O Correio Braziliense, mesmo de Londres, e outros jornais brasileiros tiveram papel central na formação da opinião pública.

Mais do que um simples jogo de poder,

a permanência de d. Pedro significava que o Brasil estava pronto para trilhar um novo caminho mais independente.

Mas como esse caminho seria desenhado, ainda era um grande mistério.

4. D. Pedro e a influência de Leopoldina

Nesse emaranhado de ideias e interesses, estava d. Pedro.

Jovem, com apenas 22 anos, ele se viu diante de uma escolha difícil:

obedecer às Cortes e voltar para Portugal ou ficar no Brasil e representar os interesses locais?

E foi aí que entrou em cena uma figura fundamental: d. Leopoldina.

Leopoldina não era só uma princesa vinda da Áustria.

Era inteligente, estudiosa e profundamente envolvida nos assuntos políticos.

Acompanhava os debates, lia relatórios, trocava cartas com lideranças e, ao lado de José Bonifácio,

teve papel crucial para convencer d. Pedro a ficar.

5. O "Fico" de d. Pedro e a articulação das elites do centro-sul

E o dia do "Fico" de d. Pedro, anunciado em 9 de janeiro de 1822,

foi um gesto histórico, mas também fruto de muita articulação.

A elite do centro-sul, temendo a recolonização imposta pelas Cortes portuguesas, se mobilizou para convencer o príncipe a permanecer.

A permanência de d. Pedro era vista como essencial para garantir os interesses econômicos e políticos dessas regiões.

A frase “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico” ganhou as ruas e fortaleceu o apoio popular ao projeto de ruptura com Portugal.

6. Um novo gabinete e o poder do "Cumpra-se"

Logo após o "Fico", d. Pedro formou um novo ministério composto majoritariamente por brasileiros ou aliados da causa da independência.

Nomes como os irmãos Andrada — José Bonifácio e Martim Francisco — passaram a ocupar posições centrais no governo.

Essa mudança refletia a tentativa de afastar a influência portuguesa da administração.

D. Pedro também passou a usar o “cumpra-se” como forma de afirmação de autoridade:

agora, leis vindas de Portugal só seriam válidas no Brasil se tivessem sua aprovação.

Era uma forma de mostrar, na prática, que quem mandava no território, não eram mais os portugueses.

7. A expulsão das tropas portuguesas e as guerras pela independência

A independência não se fez só com palavras — foi preciso lutar.

Mesmo após o “Fico”, muitas províncias continuaram fiéis a Portugal.

No Pará, no Maranhão, na Bahia e no Piauí, a resistência foi forte.

Tropas portuguesas ainda controlavam várias cidades e portos.

Foi preciso organizar campanhas militares e articular forças locais para expulsá-las.

No Piauí, a batalha do Jenipapo se tornou símbolo da resistência popular.

Na Bahia, os combates culminaram na vitória brasileira em julho de 1823.

Cada vitória era um passo rumo à consolidação do novo Império.

8. O reconhecimento internacional da independência

Mas, para que a independência do Brasil fosse completa,

não bastava apenas romper com Portugal internamente.

Era preciso que outros países reconhecessem essa nova realidade.

E isso não foi simples.

Os Estados Unidos foram os primeiros a reconhecer a independência brasileira,

em 1824, dentro de uma política externa que buscava apoiar movimentos de independência nas Américas.

se você não está lembrando qual foi, estou me referindo à Doutrina Monroe,

sabe “América para os americanos”.

Mas como já vimos em História Geral, isso foi só uma desculpa para aumentar a influência norte-americana na América do Sul.

A Inglaterra, por sua vez, também apoiou a independência do Brasil,

mas não sem interesses.

Seu reconhecimento veio em 1825, após o Brasil renovar por mais 15 anos os tratados de 1810.

Incluindo tarifas preferenciais e promessas — mais uma vez — de acabar com o tráfico de escravos.

Portugal só reconheceu a independência formalmente em 1825,

pressionado por acordos diplomáticos mediados pelos ingleses.

O Brasil teve que assumir uma dívida milionária com a antiga metrópole

— cerca de dois milhões de libras esterlinas —

como parte do acordo para o reconhecimento da independência.

Esse valor foi intermediado pela Inglaterra,

interessada em estabilizar politicamente a região e garantir suas vantagens comerciais.

Mas como Portugal tinha dívidas com a Inglaterra, esse dinheiro nunca saiu dos cofres ingleses.

O pagamento incluía, também, o compromisso brasileiro de não interferir nas colônias africanas de Portugal.

E Dom João VI ainda foi agraciado com o título simbólico de “imperador honorário do Brasil” — uma forma diplomática de manter as aparências.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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