Entre a Revolução Constitucionalista e a Constituição de 1934

6 min de leituraHistória

1. A Revolução Constitucionalista de 1932

Quando Vargas assumiu o Governo Provisório em 1930, ele prometeu mudar o país.

E, de fato, mudou. Dissolveu o Congresso, nomeou interventores para governar os estados e concentrou os poderes nas mãos do Executivo.

Mas uma pergunta ficou martelando a cabeça de muita gente: onde é que foi parar a democracia?

Essa dúvida se transformou em indignação em São Paulo.

Pelo menos era o que eles diziam né, essa revolta provavelmente não deve ter nada haver com a exclusão deles da política.

( esse trecho,CLARAMENTE, contém ironia)

A elite paulista, que por décadas comandou os rumos da República Velha,

sentiu o baque ao perder seu protagonismo político e, claro, o controle da política do café.

Para eles, a nova ordem imposta por Vargas era mais do que uma mudança — era um rebaixamento.

Mas o que explodiu o barril de pólvora foi a nomeação de João Alberto,

um tenente nordestino, como interventor em São Paulo.

Para boa parte da elite paulista, isso era o cúmulo da humilhação: um “forasteiro”, sem raízes no estado, mandando em tudo.

A gota d’água.

A insatisfação cresceu tanto que, em julho de 1932, São Paulo pegou em armas. Literalmente.

2. “Por São Paulo com o Brasil, se possível; contra o Brasil, se preciso”

Esse foi o lema da Revolução Constitucionalista de 1932.

Sim, os paulistas exigiam uma nova Constituição e eleições livres, mas também queriam recuperar seu espaço de poder.

O movimento reuniu as principais forças políticas do estado,

mobilizou milhares de civis e ganhou apoio popular — pelo menos entre as elites urbanas e setores da classe média.

(sugestão de recurso visual: cartaz de alistamento dos voluntários paulistas e imagens da campanha “Ouro para o bem de São Paulo” com doações de alianças e joias)

Foram cerca de 90 mil voluntários, indústrias adaptadas para a guerra,

fábricas produzindo armamentos, mulheres organizando campanhas de apoio e até aviões contrabandeados com pilotos estrangeiros contratados.

Um esforço impressionante.

Houve a formação da Frente Paulista (FUP), que era a união do Partido Democrático (PD) e do Partido Republicano Paulista (PRP).

Mas faltava o principal: apoio nacional.

São Paulo apostava que Minas Gerais e o Rio Grande do Sul se juntariam à revolta, mas errou feio.

Nenhum dos dois quis romper com um governo que eles mesmos ajudaram a colocar no poder. Resultado? O estado ficou isolado.

E o governo Vargas não perdeu tempo.

Com o comando militar nas mãos de Góes Monteiro, o cerco começou:

aviões bombardeando posições paulistas, o porto de Santos bloqueado e tropas vindas de todo o país invadindo o território paulista.

Depois de quase três meses de combates intensos, São Paulo se rendeu em 1º de outubro de 1932.

3. O que sobrou da revolta?

Do ponto de vista militar e político, os paulistas foram derrotados.

Seus líderes foram presos, exilados, e a Força Pública de São Paulo foi rebaixada a mero braço policial do governo federal.

Mas... a luta por uma nova Constituição não morreu.

Vargas entendeu que, se quisesse manter o poder sem arriscar novas revoltas,

precisava dar uma resposta institucional à pressão popular e internacional.

E foi aí que, em 1933, convocou eleições para uma Assembleia Constituinte.

Vamos lá meu estudante!

Enquanto os Estados Unidos mantinha a mesma Constituição desde 1787,

o Brasil já estava na terceira Constituição em pouco mais de 100 anos de independência!

(inserir mapa com os principais pontos da Revolução Constitucionalista e rotas das tropas federais)

4. A Constituinte de 1933: entre esperanças e limites

Em 1933, os brasileiros voltaram às urnas.

E pela primeira vez com o voto secreto e com a Justiça Eleitoral garantindo um mínimo de lisura no processo.

A eleição também foi marcada por um fato histórico: as mulheres puderam votar e ser votadas.

Carlota Pereira de Queirós, médica, se tornou a primeira deputada federal do Brasil.

(inserir imagem: Carlota Pereira de Queirós na Assembleia Constituinte)

A nova Constituição foi promulgada em 16 de julho de 1934. Trazia avanços importantes, como:

  • Voto secreto e direito ao voto feminino
  • Criação da Justiça Eleitoral
  • Reconhecimento dos direitos trabalhistas urbanos
  • Liberdade religiosa e de expressão (ao menos no papel)

Mas, por outro lado, continuava deixando muita coisa de fora:

  • Trabalhadores rurais não tinham os mesmos direitos
  • Analfabetos seguiam excluídos do processo político
  • O Estado podia censurar publicações e decretar estado de sítio com certa facilidade
  • Os imigrantes eram vistos com desconfiança e podiam ser expulsos sem grandes justificativas

Em resumo: era um avanço, mas também um freio.

Vargas, claro, foi eleito presidente pela própria Assembleia Constituinte,

num voto indireto, no dia seguinte à promulgação da nova Carta.

Ganhou um mandato de quatro anos, sem direito à reeleição.

Mas, se você acha que ele aceitou essa limitação numa boa... bem, guarde essa dúvida para o próximo capítulo.

5. Os principais pontos da Constituição de 1934

Momento Reflexão: Cidadãos de papel?

Essas leis foram, de fato, avanços importantes.

Mas nenhuma constituição muda a realidade de um país da noite para o dia.

O que muda a realidade é o uso que se faz dessas leis.

Uma coisa é a idealização de um Estado e outra é sua realização.

A Constituição de 1934 parecia um avanço:

Prometia educação pública, voto secreto, direitos trabalhistas… Mas era tudo muito bonito no papel.

Na prática, o Brasil continuava sendo um país excludente, onde os analfabetos não votavam, os pobres não acessavam a justiça e os direitos eram privilégio de poucos.

É exatamente isso que Gilberto Dimenstein escancara em Cidadão de Papel:

Um país que adora escrever leis modernas, mas se recusa a tirá-las do papel e levá-las para realidade do povo.

Quando o Estado assume o controle sobre os recursos naturais,

por exemplo, ele pode tanto impulsionar o desenvolvimento quanto usar esse controle como instrumento de dominação política e econômica.

O mesmo vale para o poder centralizado: ele pode proteger o país de interesses locais predatórios, ou sufocar a autonomia dos estados e a pluralidade de ideias.

Você acha que a Constituição de 1934 foi um passo em direção à democracia ou uma forma de conter a pressão sem de fato mudar as estruturas do poder?

E mais: São Paulo queria mesmo democracia para o Brasil todo ou só queria de volta o controle da situação?

Reflita!

(sugestão de recurso visual: destaque com comparação entre as Constituições de 1891 e 1934 — avanços e limites)

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Entre a Revolução Constitucionalista e a Constituição de 1934. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

Praticar questões
Questões na medida do seu nível, com correção na hora.
Tirar dúvida com o Junior
Travou? Ele explica do seu jeito, quantas vezes precisar.
Roteiro personalizado
Um plano de estudo montado pra onde você quer chegar.
Acompanhamento
Veja sua evolução de verdade, semana após semana.