Entre a Revolução Constitucionalista e a Constituição de 1934
1. A Revolução Constitucionalista de 1932
Quando Vargas assumiu o Governo Provisório em 1930, ele prometeu mudar o país.
E, de fato, mudou. Dissolveu o Congresso, nomeou interventores para governar os estados e concentrou os poderes nas mãos do Executivo.
Mas uma pergunta ficou martelando a cabeça de muita gente: onde é que foi parar a democracia?
Essa dúvida se transformou em indignação em São Paulo.
Pelo menos era o que eles diziam né, essa revolta provavelmente não deve ter nada haver com a exclusão deles da política.
( esse trecho,CLARAMENTE, contém ironia)
A elite paulista, que por décadas comandou os rumos da República Velha,
sentiu o baque ao perder seu protagonismo político e, claro, o controle da política do café.
Para eles, a nova ordem imposta por Vargas era mais do que uma mudança — era um rebaixamento.
Mas o que explodiu o barril de pólvora foi a nomeação de João Alberto,
um tenente nordestino, como interventor em São Paulo.
Para boa parte da elite paulista, isso era o cúmulo da humilhação: um “forasteiro”, sem raízes no estado, mandando em tudo.
A gota d’água.
A insatisfação cresceu tanto que, em julho de 1932, São Paulo pegou em armas. Literalmente.
2. “Por São Paulo com o Brasil, se possível; contra o Brasil, se preciso”
Esse foi o lema da Revolução Constitucionalista de 1932.
Sim, os paulistas exigiam uma nova Constituição e eleições livres, mas também queriam recuperar seu espaço de poder.
O movimento reuniu as principais forças políticas do estado,
mobilizou milhares de civis e ganhou apoio popular — pelo menos entre as elites urbanas e setores da classe média.
(sugestão de recurso visual: cartaz de alistamento dos voluntários paulistas e imagens da campanha “Ouro para o bem de São Paulo” com doações de alianças e joias)
Foram cerca de 90 mil voluntários, indústrias adaptadas para a guerra,
fábricas produzindo armamentos, mulheres organizando campanhas de apoio e até aviões contrabandeados com pilotos estrangeiros contratados.
Um esforço impressionante.
Houve a formação da Frente Paulista (FUP), que era a união do Partido Democrático (PD) e do Partido Republicano Paulista (PRP).
Mas faltava o principal: apoio nacional.
São Paulo apostava que Minas Gerais e o Rio Grande do Sul se juntariam à revolta, mas errou feio.
Nenhum dos dois quis romper com um governo que eles mesmos ajudaram a colocar no poder. Resultado? O estado ficou isolado.
E o governo Vargas não perdeu tempo.
Com o comando militar nas mãos de Góes Monteiro, o cerco começou:
aviões bombardeando posições paulistas, o porto de Santos bloqueado e tropas vindas de todo o país invadindo o território paulista.
Depois de quase três meses de combates intensos, São Paulo se rendeu em 1º de outubro de 1932.
3. O que sobrou da revolta?
Do ponto de vista militar e político, os paulistas foram derrotados.
Seus líderes foram presos, exilados, e a Força Pública de São Paulo foi rebaixada a mero braço policial do governo federal.
Mas... a luta por uma nova Constituição não morreu.
Vargas entendeu que, se quisesse manter o poder sem arriscar novas revoltas,
precisava dar uma resposta institucional à pressão popular e internacional.
E foi aí que, em 1933, convocou eleições para uma Assembleia Constituinte.
Vamos lá meu estudante!
Enquanto os Estados Unidos mantinha a mesma Constituição desde 1787,
o Brasil já estava na terceira Constituição em pouco mais de 100 anos de independência!
(inserir mapa com os principais pontos da Revolução Constitucionalista e rotas das tropas federais)
4. A Constituinte de 1933: entre esperanças e limites
Em 1933, os brasileiros voltaram às urnas.
E pela primeira vez com o voto secreto e com a Justiça Eleitoral garantindo um mínimo de lisura no processo.
A eleição também foi marcada por um fato histórico: as mulheres puderam votar e ser votadas.
Carlota Pereira de Queirós, médica, se tornou a primeira deputada federal do Brasil.
(inserir imagem: Carlota Pereira de Queirós na Assembleia Constituinte)
A nova Constituição foi promulgada em 16 de julho de 1934. Trazia avanços importantes, como:
- Voto secreto e direito ao voto feminino
- Criação da Justiça Eleitoral
- Reconhecimento dos direitos trabalhistas urbanos
- Liberdade religiosa e de expressão (ao menos no papel)
Mas, por outro lado, continuava deixando muita coisa de fora:
- Trabalhadores rurais não tinham os mesmos direitos
- Analfabetos seguiam excluídos do processo político
- O Estado podia censurar publicações e decretar estado de sítio com certa facilidade
- Os imigrantes eram vistos com desconfiança e podiam ser expulsos sem grandes justificativas
Em resumo: era um avanço, mas também um freio.
Vargas, claro, foi eleito presidente pela própria Assembleia Constituinte,
num voto indireto, no dia seguinte à promulgação da nova Carta.
Ganhou um mandato de quatro anos, sem direito à reeleição.
Mas, se você acha que ele aceitou essa limitação numa boa... bem, guarde essa dúvida para o próximo capítulo.
5. Os principais pontos da Constituição de 1934
Momento Reflexão: Cidadãos de papel?
Essas leis foram, de fato, avanços importantes.
Mas nenhuma constituição muda a realidade de um país da noite para o dia.
O que muda a realidade é o uso que se faz dessas leis.
Uma coisa é a idealização de um Estado e outra é sua realização.
A Constituição de 1934 parecia um avanço:
Prometia educação pública, voto secreto, direitos trabalhistas… Mas era tudo muito bonito no papel.
Na prática, o Brasil continuava sendo um país excludente, onde os analfabetos não votavam, os pobres não acessavam a justiça e os direitos eram privilégio de poucos.
É exatamente isso que Gilberto Dimenstein escancara em Cidadão de Papel:
Um país que adora escrever leis modernas, mas se recusa a tirá-las do papel e levá-las para realidade do povo.
Quando o Estado assume o controle sobre os recursos naturais,
por exemplo, ele pode tanto impulsionar o desenvolvimento quanto usar esse controle como instrumento de dominação política e econômica.
O mesmo vale para o poder centralizado: ele pode proteger o país de interesses locais predatórios, ou sufocar a autonomia dos estados e a pluralidade de ideias.
Você acha que a Constituição de 1934 foi um passo em direção à democracia ou uma forma de conter a pressão sem de fato mudar as estruturas do poder?
E mais: São Paulo queria mesmo democracia para o Brasil todo ou só queria de volta o controle da situação?
Reflita!
(sugestão de recurso visual: destaque com comparação entre as Constituições de 1891 e 1934 — avanços e limites)


