De um tiro à guerra: o estopim em Sarajevo
1. As crises balcânicas e as guerras que já anunciavam o conflito maior
Lembra que a gente falou que os Bálcãs eram o barril de pólvora da Europa?
Pois é, antes do grande estopim, essa região já tinha explodido algumas vezes.
A primeira grande crise rolou em 1908, quando o Império Austro-Húngaro,
com o apoio da Alemanha, decidiu anexar as regiões da Bósnia e Herzegovina.
Isso deixou a Rússia e a Sérvia, que queriam aumentar sua influência sobre os povos eslavos da região, bravas, digamos.
Em 1912 e 1913, aconteceram as Guerras Balcânicas,
onde a Liga Balcânica, que era uma aliança entre Sérvia, Bulgária, Grécia e Montenegro,
lutou contra o Império Turco-Otomano para libertar os territórios
que ainda estavam sob o domínio turco.
A Sérvia, que se destacou e dobrou de tamanho,
saiu desses conflitos como uma potência regional.
Só que a Áustria-Hungria não gostou nada disso e forçou a criação da Albânia,
impedindo que a Sérvia tivesse acesso ao mar.
Dá pra ver que a tensão estava no limite, né?
2. Quem era Francisco Ferdinando e por que sua morte teve tanto impacto
O palco principal dessa tensão era a Bósnia,
uma região anexada pelos austríacos, mas que a Sérvia queria unir ao seu território.
Para tentar acalmar os ânimos, o herdeiro do trono da Áustria-Hungria,
o arquiduque Francisco Ferdinando, foi visitar Sarajevo, a capital da Bósnia,
no dia 28 de junho de 1914.
A ideia dele era dar mais autonomia para a região e evitar que ela se unisse à Sérvia.
Mas a viagem não foi nada bem.
Um estudante, que fazia parte de um grupo nacionalista sérvio,
chamado Mão Negra, assassinou o arquiduque.
Por mais que o governo da Sérvia não tivesse envolvimento direto com o atentado,
a Áustria-Hungria usou a morte dele como uma desculpa perfeita para resolver de vez a briga com os sérvios.
3. Como as alianças transformaram um conflito local numa guerra mundial
E foi aí que o sistema de alianças que a gente viu no capítulo anterior entrou em ação.
A Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia.
Aí a Rússia, que era aliada da Sérvia e se considerava protetora dos eslavos,
mobilizou suas tropas contra a Áustria.
A Alemanha, que era aliada da Áustria-Hungria, declarou guerra à Rússia.
E a França, que tinha uma aliança com a Rússia, também entrou no jogo.
Para piorar, a Alemanha, para atacar a França, decidiu invadir a Bélgica, um país neutro.
Isso revoltou a Inglaterra, que declarou guerra à Alemanha.
Viu como um único tiro transformou uma briga entre dois países em uma guerra com as maiores potências do mundo?
4. A entrada das grandes potências no conflito: quem estava com quem?
Com a guerra declarada, as alianças se consolidaram.
De um lado, tínhamos os Países Centrais, que eram a Alemanha e o Império Austro-Húngaro.
Depois, o Império Turco-Otomano e a Bulgária se juntaram a eles.
Do outro, os Aliados, inicialmente com a Inglaterra, a França e a Rússia, e que depois receberam o apoio de outros países, como a Sérvia e a Bélgica.
A Itália, que fazia parte da Tríplice Aliança, decidiu ficar neutra no início,
mas depois, em 1915, entrou para o lado dos Aliados
para tentar conseguir territórios que ainda estavam sob o domínio austríaco.
O Japão também se juntou aos Aliados, de olho nas colônias alemãs na Ásia.
E o Brasil? A gente entra um pouco mais pra frente na história, mas a gente também participou.



