Crises do Capitalismo na Nova Ordem Mundial
1. A crise de 2008 e o impacto nos PIIGS
Sabe quando uma mania pega, tipo comprar um certo tipo de tênis, e o preço dele vai subindo tanto que parece que nunca mais vai parar?
Mas aí, de repente, ninguém mais quer aquele tênis e o preço despenca?
Foi mais ou menos isso que aconteceu com o mercado imobiliário nos Estados Unidos,
só que em uma escala gigantesca.
No início dos anos 2000, era muito fácil conseguir empréstimos para comprar uma casa lá.
Os bancos emprestavam dinheiro com juros super baixos,
até para quem não tinha como comprovar uma renda alta.
Isso gerou o que chamamos de "bolha imobiliária":
a demanda por casas subiu tanto que os preços explodiram.
Muita gente comprou imóveis achando que os preços só iriam subir.
O problema é que, em 2008, os juros subiram.
Muita gente que pegou empréstimos não conseguiu mais pagar.
As casas voltaram para os bancos, que, de repente, tinham um monte de imóveis que ninguém queria comprar.
O preço das casas caiu de vez e a bolha estourou.
Os bancos que tinham emprestado dinheiro para essas pessoas faliram, e o pânico se espalhou pelo mundo.
Por que isso afetou a gente? Lembra da globalização?
O mundo estava tão conectado que, quando os Estados Unidos "espirraram",
o resto do planeta "pegou um resfriado".
A crise se espalhou para a Europa e para o resto do mundo,
provando que a economia global é super interdependente e frágil.
Em resumo?
A crise financeira de 2008, que começou lá nos Estados Unidos,
atingiu em cheio alguns países europeus, principalmente Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha.
Eles ficaram conhecidos pela sigla irônica PIIGS (que em inglês significa "porcos").
Esses países se endividaram muito para tentar salvar seus bancos.
Isso fez com que suas economias ficassem super frágeis,
gerando muita desconfiança no mercado internacional.
A crise mostrou que, mesmo com toda a integração,
a UE ainda tinha suas fraquezas e que uma crise em um membro podia afetar o bloco inteiro, criando incertezas sobre o futuro do projeto europeu.
2. Crise no México (1994) - o “Efeito Tequila”
A primeira grande crise da Nova Ordem Mundial aconteceu no México, em 1994,
logo depois que o país entrou no NAFTA (um bloco econômico com os Estados Unidos e o Canadá).
A ideia era que, abrindo a economia, o México ia crescer.
O problema é que o país abriu as portas para um monte de produtos importados,
e isso fez a balança comercial despencar.
O governo mexicano, então, teve que desvalorizar a moeda, o peso, de uma hora para outra.
E por que isso foi um problema?
Porque um monte de investidor estrangeiro, com medo, tirou seu dinheiro do país rapidinho.
A crise no México foi tão rápida e devastadora que ficou conhecida como "Efeito Tequila", em referência à famosa bebida do país.
Foi um aviso para o mundo:
com a globalização, uma crise em um país pode contaminar outros.
3. Crise na Ásia (1997-1998)
Pouco tempo depois, o "efeito dominó" atacou o outro lado do mundo: a Ásia.
Países como a Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia e Indonésia, conhecidos como Tigres Asiáticos,
estavam crescendo muito rápido, mas dependiam demais de dinheiro estrangeiro.
Quando o Japão, que era o "irmão mais velho" e grande investidor na região,
entrou em recessão, a crise se espalhou como um incêndio.
Os investidores tiraram seu dinheiro da Ásia,
as moedas dos Tigres Asiáticos se desvalorizaram e a economia entrou em crise.
Essa instabilidade foi sentida no mundo inteiro, mostrando mais uma vez como as economias estavam ligadas.
E claro, o FMI precisou intervir para salvar esses países.
4. Crise na Rússia (1998)
Nem a superpotência que estava se desfazendo escapou.
A Rússia, que já enfrentava problemas econômicos desde o fim da URSS,
chegou a uma situação insustentável em 1998.
O país estava com uma dívida gigantesca e o presidente Boris Yeltsin teve que tomar uma atitude drástica:
ele decretou moratória, ou seja, suspendeu o pagamento da dívida externa.
Essa decisão foi um baque para a economia global.
A desconfiança dos investidores aumentou, eles tiraram seu dinheiro da Rússia, e o país entrou em colapso.
O governo teve que desvalorizar o rublo (a moeda russa)
e só conseguiu se recuperar com a ajuda de empréstimos internacionais.
E quando a Rússia entrou em colapso, a gente sentiu os reflexos por aqui.
Os investidores, com medo da instabilidade global, começaram a tirar o dinheiro do nosso país.
Para tentar segurar a barra,
o governo de Fernando Henrique Cardoso teve que aumentar a taxa de juros.
A gente já sabe que juro alto desorganiza a economia, né?
Isso fez com que o real, a nossa moeda, se desvalorizasse muito e a inflação subisse.
E mais uma vez, o governo precisou de um empréstimo gigantesco do FMI para estabilizar a situação.
5. Crise na Argentina (2000-2001)
A Argentina também sofreu, e muito.
No fim dos anos 90, o país atrelou o valor de sua moeda, o peso, ao do dólar.
Era uma tentativa de controlar a economia, mas se mostrou uma estratégia super arriscada.
Quando as crises se espalharam, os investidores fugiram da Argentina.
O governo, para tentar se segurar, chegou a confiscar a poupança das pessoas e
cortou gastos sociais, o que gerou uma revolta popular enorme.
Diferente do Brasil, a Argentina não conseguiu um empréstimo do FMI,
e o país mergulhou em um caos social e econômico.
A crise mostrou como uma estratégia econômica,
por mais bem-intencionada que seja, pode ter consequências desastrosas.
(Sugestão de recurso visual: um mapa-múndi com setas mostrando a direção da crise: uma seta do México para o restante da América Latina, outra da Ásia para o mundo, uma da Rússia para o Brasil, e uma do Brasil para a Argentina.)
6. A vulnerabilidade das economias emergentes e a interdependência mundial
Se a gente olhou para todas essas crises, uma coisa ficou bem clara, né?
O mundo depois da Guerra Fria se tornou um lugar onde ninguém vive sozinho.
A interdependência é a palavra-chave.
É como se a economia global fosse uma grande rede, e se um fio se rompe em um canto, a rede inteira balança.
Essas crises, do México à Argentina, mostraram como as economias de países em desenvolvimento, os "emergentes", são super vulneráveis.
Por quê? Porque, para crescer, eles dependem muito de dinheiro que vem de fora, de investidores estrangeiros.
Quando esses investidores sentem que algo não vai bem, a primeira coisa que fazem é tirar o dinheiro, o que causa um colapso em cadeia.
Então, o que aprendemos com tudo isso é que,
na Nova Ordem Mundial, o que acontece em um lugar distante pode afetar a gente diretamente.
O capitalismo globalizado nos conectou de um jeito que a gente nunca tinha visto, para o bem e para o mal.
(Sugestão de recurso visual: uma imagem de um mapa-múndi com fios de lã conectando os países, com alguns fios sendo puxados por uma mão com um cifrão para ilustrar a fuga de capitais.)