Continuação do entreguerras

5 min de leituraHistória

1. A política de apaziguamento: a omissão de Inglaterra e França

Você deve estar se perguntando: por que a Inglaterra e a França não fizeram nada?

Eles viam o avanço de Hitler, mas ficaram parados.

Essa atitude ficou conhecida como Política de Apaziguamento.

A ideia era evitar a todo custo um novo conflito,

porque eles ainda estavam se recuperando da Primeira Guerra.

Eles achavam que se dessem um pouco do que Hitler queria,

ele ficaria satisfeito e a paz seria mantida.

Que engano, né?

Líderes como Neville Chamberlain, então primeiro-ministro britânico,

foram os principais defensores dessa política.

Eles acreditavam que as ambições de Hitler eram limitadas

e que ele se contentaria com a revisão de algumas das cláusulas mais severas do

Tratado de Versalhes, que muitos consideravam injustas para a Alemanha.

Um exemplo notório foi a remilitarização da Renânia em 1936,

seguida pela anexação da Áustria (Anschluss) em 1938

e a crise dos Sudetos na Tchecoslováquia.

Em cada um desses casos, a resposta da Inglaterra e da França foi de passividade,

na esperança de que cada concessão fosse a última.

No entanto, essa estratégia se mostrou um grave erro de cálculo.

Hitler interpretou a falta de ação como um sinal de fraqueza

e uma oportunidade para expandir ainda mais o território alemão e sua esfera de influência.

Longe de ser apaziguado, ele se sentiu encorajado a prosseguir com suas ambições expansionistas sem grandes resistências.

A Política de Apaziguamento, em vez de garantir a paz,

pavimentou o caminho para a Segunda Guerra Mundial,

pois deu a Hitler tempo e liberdade para fortalecer seu poder militar

e planejar futuras agressões.

2. A Guerra Civil Espanhola

Enquanto a Europa observava,

a Espanha mergulhava em um conflito interno brutal que se tornaria um campo de testes para as grandes potências

e um prenúncio da Segunda Guerra Mundial.

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) foi um embate ideológico feroz,

dividindo o país entre dois lados opostos.

De um lado, o governo da Segunda República Espanhola,

legitimamente eleito, representava uma frente popular composta por socialistas,

comunistas, anarquistas e republicanos.

Eles defendiam a democracia, a reforma agrária e a laicidade do Estado.

Receberam apoio de voluntários de diversas partes do mundo,

as Brigadas Internacionais, e de suprimentos limitados da União Soviética e do México.

Do outro lado, as forças nacionalistas, lideradas pelo General Francisco Franco,

eram compostas por militares conservadores, monarquistas, católicos e fascistas.

O objetivo de Franco era derrubar o governo republicano

e estabelecer uma ditadura autoritária e nacionalista.

O que tornou a Guerra Civil Espanhola particularmente significativa foi o envolvimento direto de potências estrangeiras.

A Alemanha nazista de Hitler e a Itália fascista de Mussolini viram no conflito uma oportunidade de testar

suas novas máquinas de guerra, táticas militares e ideologias.

Eles apoiaram Franco de forma decisiva,

fornecendo aviões (como a famosa Legião Condor alemã), tanques, artilharia

e milhares de soldados e técnicos.

Esse apoio foi fundamental para a vitória nacionalista

e para a consolidação de uma aliança informal entre as potências do Eixo.

A agressão e a impunidade com que esses países operaram

na Espanha revelaram as intenções expansionistas e belicistas de seus regimes.

Por outro lado, a Inglaterra e a França, as principais democracias ocidentais,

adotaram uma política de não-intervenção oficial.

Temendo uma escalada do conflito para uma guerra europeia e divididas internamente sobre a questão espanhola,

elas se recusaram a apoiar abertamente o governo republicano.

Essa postura foi criticada por muitos como um sinal de fraqueza

e uma falha em conter o avanço do fascismo.

A inação dessas potências ocidentais permitiu que as forças fascistas ganhassem terreno e validassem sua estratégia de agressão.

O resultado da guerra foi a vitória das forças de Franco em 1939,

que instalou uma ditadura fascista na Espanha que duraria quase quatro décadas.

A vitória de Franco e o silêncio das democracias ocidentais enviaram uma mensagem clara:

a união e a agressividade dos países fascistas eram fortes,

e a falta de intervenção dos outros países só encorajava suas ambições.


A Guerra Civil Espanhola, com suas atrocidades e o envolvimento estrangeiro,

serviu como um presságio sombrio dos horrores

e da escalada da Segunda Guerra Mundial que eclodiu apenas alguns meses depois.

Foi um ensaio geral que expôs as fissuras ideológicas

e as alianças que logo mergulhariam o mundo em um conflito global.

3. O Pacto Molotov-Ribbentrop

Sabe quando dois inimigos mortais, que se odeiam publicamente,

de repente se juntam para um acordo secreto?

Foi exatamente isso que aconteceu com a Alemanha nazista e a União Soviética.

A gente já viu que o nazismo e o comunismo eram ideologias que se odiavam.

Hitler tinha um ódio declarado pelo comunismo

e sempre falou que queria invadir a URSS.

Stálin, por sua vez, via os nazistas como uma ameaça.

Mas a política é cheia de surpresas, né?

No dia 23 de agosto de 1939, os ministros das Relações Exteriores da Alemanha e da URSS,

Joachim von Ribbentrop e Vyacheslav Molotov, assinaram um acordo em Moscou.

Oficialmente, era um pacto de não-agressão de dez anos,

onde eles prometiam não atacar um ao outro.

Isso chocou o mundo inteiro.

O pulo do gato, no entanto, estava em uma parte secreta do pacto.

Nela, a Alemanha e a URSS combinavam a divisão da Polônia.

Para Hitler, o acordo era perfeito: ele podia invadir a Polônia sem o risco de ter a URSS entrando na guerra contra ele.

Para Stalin, era uma oportunidade de ganhar tempo para fortalecer seu exército antes do inevitável confronto com os nazistas,

além de recuperar parte dos territórios que a Rússia havia perdido após a Primeira Guerra Mundial.

Esse pacto foi um dos maiores catalisadores para a guerra.

Com a União Soviética fora do caminho,

Hitler se sentiu seguro para fazer o que mais queria: invadir a Polônia, o que deu início à Segunda Guerra Mundial.

A jogada foi uma demonstração de que, na política,

a conveniência e o interesse próprio podem ser mais fortes que qualquer ideologia.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

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