Construindo um império entre escravizados e carruagens

4 min de leituraHistória

1. A vida no Paço Real: hábitos, transportes e o cotidiano do príncipe regente

Agora Dom João estava vivendo num país tropical, cercado de palmeiras, araras e mosquitos.

Parece cena de filme, né?

Esse capítulo vai te mostrar como o rei adaptou a vida da corte às terras tropicais,

ao mesmo tempo que buscava expandir seu poder

e manter o controle sobre um sistema baseado na escravidão.

Dom João não era exatamente o que se esperava de um rei.

Ele tinha costumes simples (e meio esquisitos),

gostava de se recolher depois do almoço

e… era cercado por animais como papagaios e macacos no Paço de São Cristóvão.

As ruas do Rio de Janeiro, sem estrutura e cheias de lama, forçaram a adaptação:

carruagens puxadas por bois e cadeirinhas levadas por escravizados eram os meios de transporte da elite.

2. Política externa expansionista: a ocupação da Guiana e a questão da Cisplatina

Mas o rei não estava apenas descansando.

Dom João também se envolveu diretamente em disputas internacionais.

Em 1809, com o apoio da Inglaterra, ele ocupou a Guiana Francesa,

justificando o ato como uma resposta às ameaças de Napoleão e um reforço à aliança com os ingleses.

Essa ocupação terminou com a devolução do território à França em 1817,

conforme acordado no Congresso de Viena.

Já em 1816, o alvo foi a Cisplatina, região do atual Uruguai.

Essa área era essencial para o controle do comércio no estuário do rio da Prata.

Dom João queria garantir o domínio sobre aquela rota estratégica.

E foi isso que ele fez.

Em 1816, a Cisplatina se tornou parte do Brasil.

ATENÇÃO! Lembre bem dessa política expansionista pois ela vai ser essencial para a compreensão da independência e de algumas guerrinhas que ainda estão por vir.

3. O tráfico de escravos e a pressão inglesa: promessas para inglês ver

A Inglaterra, que já havia proibido o tráfico de escravizados em seus domínios,

começou a pressionar outros países a fazer o mesmo.

Dom João assinou tratados em que prometia acabar com o tráfico

mas, na prática, pouco foi feito.

Era o famoso “para inglês ver”.


O Brasil ainda dependia muito da mão de obra escravizada,

e abolir esse comércio significava mexer com os interesses da elite colonial.

Enquanto isso, navios negreiros continuavam chegando

e abastecendo os mercados de escravos, principalmente no Valongo, no Rio de Janeiro.

4. A diplomacia joanina e a formação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves

Em 1815, Dom João deu um passo diplomático importante: elevou o Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarves.

“Nossa que fofo, ele gostou tanto do Brasil que decidiu que aqui não seria mais só uma colônia”.

Me poupe com esse seu pensamento romantizado viu.

Isso não foi apenas um gesto de agradecimento à terra que o acolheu;

foi uma estratégia para fortalecer sua posição frente às pressões externas,

especialmente num momento em que o continente americano fervilhava com movimentos de independência.

Esse movimento também respondia ao contexto do Congresso de Viena,

que havia acabado de reorganizar a Europa após as Guerras Napoleônicas.

Dom João queria garantir que o Brasil fosse reconhecido internacionalmente como parte de um reino autônomo,

com status equivalente ao das potências europeias,

pois só assim ele participaria do Congresso de Viena.

Assim, evitaria o risco de ver o território ser alvo de intervenções estrangeiras ou se rebelar como outras colônias e de quebra ainda teria seu lugar garantido no Congresso de Viena.

Dom João VI estava cada vez mais adaptado à vida nos trópicos,

mas com olhos atentos à política internacional.

Ele era um rei que governava de uma colônia transformada em centro do Império,

equilibrando promessas externas, pressões internas

e muito, mais muito jogo de cintura.

Junior, o parceiro de estudos da Fracta
Isso foi só a base

A teoria é só o aquecimento.

Você já começou a entender Construindo um império entre escravizados e carruagens. O que muda o jogo é o que vem agora — praticar, tirar dúvida na hora e seguir um plano feito pra você.

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